Resenha Livro: A Cruz de Hitler. Erwin Lutzer.

“Nosso pai Adolf que estás em Nuremberg, santificado seja o Terceiro Reich”. (Oração do Pai Nosso, modificada pelo nazismo)

Hoje quis escrever sobre um livro interessantíssimo “A Cruz de Hitler”, do pastor Erwin Lutzer. Apesar de ser um livro religioso, a obra é muito proveitosa para quem se interessa por História.

O autor resolveu pesquisar a respeito do comportamento dos cristãos alemães no nazismo, ao visitar o antigo prédio do Ministério da Guerra nazista na Alemanha, hoje um museu. Nessa ida ele viu fotos de pastores protestantes e padres com o braço estendido fazendo a saudação nazista. Naquele momento, Erwin ficou intrigado: O que os cristãos pensavam, principalmente os protestantes, frente as atrocidades cometidas pelo Terceiro Reich?

A nação alemã era maioria cristã, 95% das pessoas eram protestantes e católicas. Como essas pessoas foram coniventes com o Holocausto? Poucos foram os crentes que discordaram dos nazistas e acabaram até em prisões, infelizmente a grande maioria simplesmente se omitiu.

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Igreja Luterana com a cruz e a suástica. Como uma nação majoritariamente cristã acreditou nas teorias nazistas? 

As hipóteses são muitas e o autor divaga sobre muitas possibilidades. O que é interessante questionarmos é que mesmo as ideias nazistas sendo totalmente contrárias as cristãs, poucos questionaram.

O absurdo chegou ao ponto de a oração do Pai Nosso ser modificada para: “Nosso pai Adolf que estás em Nuremberg, santificado seja o Terceiro Reich”. Herman Otto Hoyer pintou um quadro de Hitler em Sterneckerbrau e intitulou-o: “No princípio era o Verbo”. Claramente, percebemos que no mundo nazista não caberia o cristianismo, mas somente uma adaptação dele. Hitler seria o novo Cristo, o messias da Alemanha.

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Hitler seria o novo Cristo, o Messias da Alemanha. 

Abaixo um trecho de uma pregação de um pastor luterano, chamado Julius Leuthersen em 1933:

“Deus veio à nós por intermédio de Hitler…por intermédio de sua honestidade, de sua fé e de seu idealismo, o Redentor nos encontrou…Hoje nós sabemos que o Salvador veio…..”Pg. 128

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Igreja Luterana na Alemanha, com a suástica.

A cruz das igrejas foi substituída pela suástica e poucos cristãos viram isso como algo errado, ou no mínimo estranho, a maioria resolveu se alienar. Abaixo reproduzo o relato de um luterano a respeito do seu comportamento no nazismo:

“Eu vivi na Alemanha durante o Holocausto. Eu me considero cristão. Ouvíamos histórias sobre o que estava acontecendo com os judeus, mas tentávamos nos manter à parte. Afinal, o que alguém poderia fazer para parar aquilo?

 

Uma linha ferroviária passava atrás de nossa pequena igreja. Todos os sábados pela manhã podíamos ouvir ao longe o apito do trem e a seguir o barulho das rodas sobre os trilhos. Ficávamos transtornados quando ouvíamos os gritos que vinham dos trens quando estes passavam próximo à nossa igreja. Percebíamos que naqueles vagões, judeus estavam sendo carregados como se fossem gados!

Semana após semana ouvimos o apito do trem. Tínhamos pavor de ouvir o som das rodas, porque sabíamos que ouviríamos o som dos gritos dos judeus rumo aos campos de extermínio – gritos que nos atormentavam.

Sabíamos a hora em que o trem viria e quando ouvíamos o zumbido, começávamos a cantar hinos. No momento em que o trem passava atrás da igreja, já estávamos cantando com toda a força. Se ouvíssemos os gritos, cantávamos mais alto para não escutá-los.”  Pág. 124.

Esse relato exemplifica o pensamento da igreja na Alemanha, por certo, pensavam não nos afeta, não temos nada a ver com isso.

Fica a pergunta para todos nós (não só para os cristãos). Até que ponto somos omissos em relação ao sofrimento do outro? Será que estamos ouvindo os gritos da criança que apanha do outro lado da rua? Dos gays que apanham de lâmpadas na Paulista? Dos nossos irmãos animais que sofrem maus tratos de todas as espécies? Da mulher abusada, e tantas outras vítimas? Fica a dica de um livro que nos faz pensar muito a respeito do preço da omissão.

Fonte:

LUTZER Erwin. A Cruz de Hitler. São Paulo: Editora Vida. 2003.

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2 comentários sobre “Resenha Livro: A Cruz de Hitler. Erwin Lutzer.

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