Livro São Bernardo: Oprimir é tão devastador, quanto ser oprimido.

São Bernardo é uma obra de Graciliano Ramos, publicada em 1934. Nos anos 1930-40 o mundo passava por diversas crises econômicas, sociais e políticas.

Muitos escritores se voltaram para temáticas sociais a fim de denunciar a triste realidade.

A personagem principal é também o narrador da história; Paulo Honório era um rapaz pobre, filho de pais desconhecidos, fora trabalhador alugado, vendedor de doces e guia de cego. Conseguiu ignorando escrúpulos, faltando ética e trabalhando muito, se tornar um rico fazendeiro, no interior de Alagoas.

Um ponto interessante é a maneira como Paulo Honório enxerga as mulheres. No trecho: “abraquei a Germana, cabritinha sarará danada de assanhada. ”

O recurso da zoomorfização não foi utilizado à toa, o protagonista acreditava que tudo ao seu redor estava disponível para satisfaze-lo.

A mulher é colocada no status de um animal, de uma posse, ao ser comparada à uma cabrita.

Esse raciocínio fica explícito quando Paulo Honório manifesta a necessidade de ser pai para ter um herdeiro para a fazenda São Bernardo.

Dessa forma, as pessoas lhe interessavam na medida em que pudessem trazer alguma vantagem, todas eram vistas de maneira utilitária.

O protagonista decide se casar com Madalena professora primária, de caráter humanista, que não concebe a vida como uma coisa a ser possuída e conquistada.

Com a personagem de Madalena, Graciliano Ramos faz um contraponto ao caráter frio e calculista de Paulo Honório.

Madalena não aceita ser uma posse, tem personalidade própria e se sensibiliza com a vida pobre dos empregados.

Referente à sua esposa, Paulo Honório fez o seguinte comentário: “não gosto de mulheres sabidas, chamam-se intelectuais e são horríveis. ” São consideradas péssimas, porque não aceitam serem dominadas.

Além das questões sociais Graciliano Ramos aborda questões psicológicas.

Paulo Honório no final do livro demonstra um tremendo sentimento culpa e se auto denomina um monstro, com suas mãos, nariz e olhos enormes.

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2 comentários sobre “Livro São Bernardo: Oprimir é tão devastador, quanto ser oprimido.

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