Livro “A Redoma de Vidro”: A dor de existir.

Quando nada faz sentido.

O depressivo sabe como é viver com algo doendo e incomodando. A vida para essas pessoas não tem colorido, é como se tudo fosse visto com uma lente cinzenta.

Sigmund Freud definiu a melancolia (hoje denominada depressão) como um árduo estado de desânimo, desinteresse pelas coisas, contenção na realização de qualquer tarefa, baixa autoestima e desejo de auto – punição.

A personagem da obra em questão sofre desta doença. Aos poucos vemos a protagonista esmorecendo e desistindo. Muito triste. No entanto, não precisamos nos assustar, pois a autora tem uma escrita leve que deixa o livro mais tranquilo.

A Redoma de Vidro não chega a ser uma autobiografia, mas a autora Sylvia Plath também sofria de depressão e foi internada em uma clínica psiquiátrica, assim como a personagem.

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Silvia Plath, assim como a personagem sofria de depressão. 

A narrativa é inspirada nos acontecimentos do verão de 1952, quando a autora tentou o suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica. A obra foi publicada na Inglaterra sob o pseudônimo de Victoria Lucas, para preservar as pessoas que inspiraram seus personagens.

O livro narra a história de Esther Greenwood, uma jovem de 19 anos, vivendo na década de 50. A mesma trocou o subúrbio de Boston, por um estágio de um mês em uma revista feminina em Nova York.

No período citado, a mulher ainda precisava escolher entre carreira e o casamento. Essa oposição tinha um peso muito grande na vida da protagonista. Esther, era uma garota diferente, não desejava se casar, muito menos constituir família e ter filhos. A verdade é que ela não sentia gosto pela vida.

Esther vivia atrás de boas notas e prêmios, mas a cada dia percebia-se indiferente aos acontecimentos, incapaz de correr atrás de seus objetivos. Sua crise chegou ao estágio que a impedia de ler, escrever, correr e dormir.

Aprendemos que a vida da personagem tinha suas dificuldades. Seu pai morreu quando ela tinha nove anos; ela queria ser poeta, mas sua mãe a aconselhava fazer um curso de taquigrafia. A protagonista não se encaixava no mundo da moda e no glamour da revista. Era uma pessoa sensível e inteligente e nada disso fazia sentido para sua existência.

A autora descreve o drama da personagem para se ver livre da doença, consultas com médicos psiquiatras, tratamentos de choque e hospícios. Na época a compreensão das doenças psicológicas era menor que hoje, então podemos imaginar como sofria que as tinham.

A protagonista descreve sua depressão como uma sensação de estar presa em uma redoma de vidro, lutando para respirar. Para um depressivo, sobreviver é uma batalha árdua.

Acredito que o livro A Redoma de Vidro dialoga com a condição humana, pois a sociedade pode ser muito sufocante.

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