Livro O Capote de Nicolai Gogól – A sombra dos invisíveis.

“Todos nós saímos do O Capote de Gogól”. Dostoievski

Nikolai Gogól foi um proeminente escritor, sua origem é um pouco controvérsia, pois sua cidade natal fazia parte do Império Russo, mas atualmente pertence à Ucrânia. Como ele escreveu em russo, sua obra é considerada literatura russa.

Akáki Akakievitch, um burocrata invisível, personagem do conto “O Capote de Nikolai Gogól”. O referido protagonista é um funcionário governamental da belíssima cidade de São Petersburgo, no período czarista.

A personagem é descrita como um homem baixo e calvo, com a pele ruim, cujo mundo parece estar definido por sua função solitária e enfadonha de copista. Ele realiza esse trabalho por anos incontáveis. Descrito como uma pessoa passiva, Akaki geralmente não respondia às provocações constantes de seus colegas de trabalho, a respeito de sua aparência.

Com a proximidade do inverno russo, o velho e surrado capote de Akaki não seria adequado, então ele faz uma grande economia e passa privações para comprar um novo sobretudo. O mesmo fica pronto, com revestimento de seda, pele de gato (mais barata que a pele de marta). Finalmente, Akáki tem um casaco, ele sobreviverá ao inverno.

Quando Akáki chega ao escritório, vestindo o novo casaco, seus colegas o cumprimentam e ironicamente oferecem-lhe uma festa. O mesmo vai à recepção, mas se sente deslocado, porém depois de beber acaba se divertindo um pouco.

Na volta para a casa, seu casaco novo é roubado. Akáki tenta buscar uma reparação, porém é ignorado pelos policiais que deveriam ajudá-lo. A personagem vê-se impossibilitada de readquirir seu sobretudo e cai doente, morrendo em poucos dias. Posteriormente, Akáki retorna como fantasma assombrando as pessoas para reaver o seu casaco.

Akáki Akakievitch é uma das primeiras aparições na literatura moderna, de homens esmagados por forças desumanas em uma sociedade burocratizada. O protagonista vive em um mundo que lhe determina que tipo de vida ele poderia levar. Sobra-lhe uma existência robótica, em que a posse de um simples casaco lhe é negada.

O capote roubado é um símbolo das necessidades básicas que nos unem como seres humanos. Gogól magistralmente trouxe a tensão e mágoa dos despossuídos.

A exuberância de São Petersburgo, do século XIX, contrasta com a invisibilidade dos muitos Akákis. Do fundo das camadas sociais emergem os fantasmas, pessoas que aparecem para cobrar a dignidade que lhes foi negada.

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