Livro Iracema – Livros para FUVEST – Um genocídio transformado na ideia de amor.

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Capa do livro Iracema. José de Alencar

 

A obra Iracema de José de Alencar, narra a história de amor entre Iracema (índia, filha de pajé) e Martim (guerreiro português).

Iracema começou a ser escrita como poema épico, posteriormente José de Alencar transformou-a em prosa. Através de uma linguagem que mescla português e palavras indígenas retiradas da oralidade, o autor demonstra uma singularidade na representação e afirmação da cultura brasileira.

Filha de pajé da nação tabajara, a protagonista era responsável por guardar o segredo da jurema, uma bebida alucinógena, e também tinha sua virgindade consagrada a divindade.

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Capa do livro Iracema, José de Alencar. 

Martim, português, branco, colonizador, invade o espaço físico e cultural de Iracema para levar a cultura e dominação europeia.

Poti, o incansável amigo indígena de Martim – originário da tribo dos potiguaras, inimiga da nação tabajara termina o livro sendo batizado na Igreja Católica, com um novo nome de Antônio Filipe Camarão.

Assim, como Poti, Iracema encarna o drama dos indígenas do continente americano, vítima de um processo de colonização brutal que lhe sequestrou a própria identidade.

José de Alencar a compara o tempo inteiro com a natureza americana, uma característica do nosso romantismo que sobrepunha o conceito de pátria ao da paisagem, a construção abaixo é um exemplo: “Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira”.

A conexão da protagonista com Martim é marcada pela passividade, apesar dela ser descrita como uma heroína com o caminhar rápido e conhecedora do segredo da jurema, algo importantíssimo para sua tribo, ela demonstrava sempre submissão em relação ao português.

O relacionamento de ambos representa na obra a relação entre brancos e índios, ou seja, uma relação amorosa, marcada pela cordialidade. Assim, a colonização teria possibilitado o surgimento de uma população brasileira, nascida entre brancos e indígenas.

Dessa forma, um genocídio transformou-se na ideia de casamento, criando uma identidade nacional alimentada pela ideia da mescla do guerreiro cristão com o bom selvagem de Rousseau.

Como esposa Iracema aceita completamente a sua secundariedade, seu papel de esposa exige todos os sacrifícios, inclusive a renúncia de si mesmo, englobando a renegação de suas origens. Ela era a responsável por catalisar em si o padrão de brasilidade, sendo criada como personagem, que serve de modelo de mulher que encarna as qualidades desejadas para o feminino.

A identidade nacional repousa sobre o índio, construído por Alencar a partir de Iracema. A protagonista perde tudo que a caracteriza, seus costumes, sua dignidade e alegria de vida.

ALENCAR, José. Iracema.

RIBEIRO, Luis Felipe. Mulheres de Papel: Um estudo do imaginário em José de Alencar e Machado de Assis

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