Resenha livro: Ovelha Memória de um pastor gay – Gustavo Magnani

Livro do escritor estreante Octavio Magnani, narra em primeira pessoa as memórias de um pastor evangélico, que está na UTI de um hospital.

Ele viveu uma vida escondendo sua homossexualidade. Aceitando seu fim, o protagonista decide que chegou a hora de mostrar sua verdadeira face, pois agora não fará tanta diferença, porque acredita que não estará vivo quando sua máscara cair.

O protagonista começa narrando sua infância, vivida com extremos. De um lado a mãe fanática religiosa e do outro o pai alcoólatra. O Pastor refere-se ao pai (não tem nome) sempre como “o bêbado”. A mãe possui uma personalidade sempre austera, mas que não deixa seu lado hipócrita de fora.

O narrador não poupa nenhum detalhe da vida da personagem. Ele nos conta que quando criança ouviu sem querer a mãe propondo sexo anal ao pai. Não sabemos como isso afetou a psique do personagem, que via a mãe como uma puritana de dia, mas que tinha momentos íntimos com o pai.

Após a morte do marido, a mãe (não tem nome) arruma um namorado, que por não ter vhs em casa, vai à residência da namorada assistir à filmes pornôs. Em um desses momentos ele é flagrado pelo protagonista. 

Casado como uma ex-prostituta convertida, por nome Bianca, uma personagem bem secundária, por vezes, tratada com um certo desprezo pelo Pastor em suas memórias. Ele a traía constantemente, ela desconfia do marido, mas nunca falou nada.

E as pregações? Na verdade, ele dizia o que a igreja queria ouvir e isso era angustiante, tanto para ele como para nós leitores.

O tempo inteiro eu ficava pensando, quando ele irá viver uma vida real? Seria mesmo difícil, visto que as memórias são escritas em uma cama de hospital.

O Pastor é uma personagem antipática, justamente porque não esconde nada de nós. Ele é muito sincero em suas memórias, nada escapa: A covardia, as mentiras e a vida dupla me deixaram muitas vezes com raiva.

No entanto, tiveram momentos em que eu senti empatia pelo protagonista. Quanto ele escreve que tentou suicídio por ser gay, quando o mesmo descreve sua angústia por não ser aceito socialmente, isso me levou a sentir como deve ser difícil viver em uma posição em que pessoas te julgam e te condenam.

Não escreverei mais, senão darei spoiller, mas posso dizer que o livro realmente te faz pensar nas consequências dos nossos julgamentos.

Entrevista da Folha com o autor Gustavo Magnani:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/08/1668463-malafaia-e-feliciano-fazem-parte-do-personagem-diz-autor-de-ficcao-sobre-pastor-gay.shtml

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