Ovelha: Memória de um pastor gay

Livro do escritor estreante Octavio Magnani, narra em primeira pessoa as memórias de um pastor evangélico, que está na UTI de um hospital e que viveu uma vida escondendo sua homossexualidade. Aceitando seu fim, o protagonista decide que chegou a hora de mostrar sua verdadeira face, até porque agora não fará tanta diferença, pois acredita não estar vivo quando sua máscara cair.

O protagonista começa narrando sua infância, vivida com extremos. De um lado a mãe fanática religiosa e do outro o pai alcoólatra. O autor não poupa nenhum detalhe da vida da personagem. Até mesmo quando criança ouviu sem querer a mãe propondo sexo anal ao pai. Não sabemos como isso poderia afetar a psique de uma criança, que via a mãe como uma puritana de dia, mas que em momentos íntimos com o pai se comportava de maneira diferente.

O pastor refere-se ao pai sempre como “o bêbado”, a mãe sempre austera, mas que não deixa seu lado hipócrita de fora. Após a morte do patriarca a mãe arruma um namorado, que por não ter vhs em casa, vai à residência da namorada assistir filme pornô, flagrado pelo protagonista se masturbando.

Casado como uma ex-prostituta convertida, por nome Bianca, uma personagem bem secundária, por vezes, tratada com um certo desprezo pelo pastor em suas memórias. Ela foi traída constantemente, desconfia do marido, mas nunca fala nada.

E as pregações? Na verdade, ele dizia o que a igreja queria ouvir e isso era angustiante, tanto para ele como para o leitor. O tempo inteiro eu ficava pensando, quando ele irá viver uma vida real? Seria mesmo difícil, visto que as memórias são escritas em uma cama de hospital.

O pastor é uma personagem antipática, justamente porque não esconde nada do leitor. Ele é muito sincero em suas memórias, nada escapa: A covardia, as mentiras e a vida dupla me deixaram muitas vezes com raiva.

No entanto, tiveram momentos em que eu senti empatia pelo protagonista. Quanto ele escreve que tentou suicídio por ser gay, quando o mesmo descreve sua angústia por não ser aceito socialmente, isso me levou a sentir como deve ser difícil viver em uma posição em que pessoas te julgam e te condenam.

Não escreverei mais senão darei spoiller, mas posso dizer que o livro realmente te faz pensar nas consequências dos nossos julgamentos.

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