Uma opinião:Filme Perdiendo el Norte – Desnorteados (título em português)

Comédia de Nacho G. Vilella.

O filme conta a história de dois jovens espanhóis desempregados, Hugo e Bráulio, que vivem em uma Espanha em crise econômica.
Hugo tem 27 anos, possui diploma em gestão empresarial, pós -graduação em Marketing e MBA em Administração. Braulio possui diploma em Ciências Químicas e um mestrado em biologia celular e molecular.
Segundo as palavras de Hugo os jovens espanhóis pertencem a geração melhor preparada da Espanha, que poderia tornar o país um campeão da economia mundial, que vive melhor que seus pais e pior que seus avós, emigrando e coletando as sobras da Europa.
Com a crise econômica que varreu a Espanha a partir de 2008, muitos sociológos falam no crescimento de um pessimismo generalizado e uma autocrítica brutal dentro da sociedade espanhola, contrastando com o sentimento de euforia coletiva características do boom econômico. Os espanhóis acreditavam que na Espanha tudo era melhor do que em qualquer outro lugar, tinham uma arrogância ao olhar para o outro o estrangeiro.
Essa autocrítica está totalmente presente no filme. Os jovens são retratados como figuras completamente despreparadas em nível psicológico, vivendo em nuvens de fantasia. As personagens caem no conto da sereia do “venha trabalhar na Alemanha!” E se lançam na empreitada. Na chegada eles tem contato com a dura realidade, quando falam em um mal alemão, à uma alemã que são espanhóis e recebem uma esmola.
Os espanhóis sempre foram conhecidos por viverem de costas para o exterior, em uma sociedade fechada em si mesma. No enredo do filme, percebemos que essa postura tem seu preço. Hugo e Bráulio foram para a Alemanha sem saber falar alemão, acreditando que chegariam em um país de língua e cultura completamente diferentes, e arrasariam.
Em contato com os espanhóis que emigraram a mais tempo foram avisados de como as coisas funcionavam: Sem alemão fluente não conseguiriam empregos. Hugo ainda contesta, dizendo que tem muitos cursos, muito preparo, esquecendo-se de que os alemães também os tem.
Hugo e Bráulio passam a trabalhar em um restaurante turco e como o filme é uma comédia rende boas risadas. Hugo mente para a família que está trabalhando em uma empresa, pois tem vergonha e medo de achar que o dinheiro investido pela família em sua educação foi desperdiçado, mais uma vez entra no mundo do faz de conta.
Não vou contar mais, senão o filme perderá a graça para quem tem interesse em assistir. O filme faz uma crítica social com a leveza de uma comédia.

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