Jorge Luis Borges: Outras Inquisições Uma breve análise sobre o ensaio: A muralha e os livros.

“Talvez Che Huang-ti tenha amuralhado o império porque sabia que este era perecível, e destruído os livros por entender que eram livros sagrados, ou seja, livros que ensinam o que ensina o universo inteiro ou a consciência de cada homem.”
Outras Inquisições é uma coletânea de ensaios publicados em revistas e jornais argentinos entre 1936 e 1952, sendo uma uma reunião aparentemente arbitrária de textos, sem preocupação com rigor metodológico ou com um propósito deliberado.
Nesse texto vamos analisar o ensaio: A muralha e os livros. O imperador Che Huang-ti ordenou a construção da quase infinita muralha chinesa e ao mesmo tempo mandou queimar todos os livros anteriores a ele.
Che Huang – ti rei de Tsin, submeteu os Seis Reinos a seu poder e desfez o sistema feudal, além de erguer a muralha. Muralhas eram defesas e queimou os livros, porque a oposição recorreria a eles para louvar os antigos imperadores. Segundo Jorge Luis Borges queimar livros e erguer fortificações é tarefa comum dos princípes; o único fato singular quanto a Che Huang-ti foi a escala em que atingiu.
O mais tradicional dos povos – os chineses – renunciou o seu passado, a sua memória, sendo três mil anos, tendo o Imperador Amarelo, Chuang Tzu, Confúcio e Lao Tsé, o mundo asiático começaria com ele. Che Huang-ti, segundo os historiadores, proibiu que se mencionasse a morte e procurou o elixir da imortalidade, vivendo recluso em um palácio figurativo, que constava de tantos aposentos quantos dias tem o ano; estes dados sugerem que a muralha e o incêndio no tempo, seriam uma barreira mágicas destinadas a deter a morte.
Por certo acreditavam que a imortalidade é intrínseca e que a degenaração não pode entrar em um mundo fechado. Possivelmente, o Imperador tenha querido recriar o princípio do tempo e se chamou Primeiro para ser realmente primeiro, e se chamou primeiro para ser realmente o primeiro.
Uma hipótese seria que Che Huang-ti tenha amuralhado o império porque sabia que este era perecível, e destruído os livros por entender que os livros são sagrados, ou seja, “livros que ensinam o que ensina o universo inteiro ou a consciência de cada homem.”
O fato estético pode ser a música, os estados de felicidade, a mitologia, os rostos trabalhados pelo tempo, querem dizer algo, ou seja, seria uma eminência de revelação.

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