Resenha do livro: Judeus e Judaísmo na obra de Lasar Segall – Maria Luiza Tucci Carneiro e Celso Laffer.

“A religião judia navega em uma grande contradição, aparentemente insolúvel – a de ser o povo eleito de um Deus que seria universal.” Spinoza

Ao lermos esse livro a primeira pergunta é: O que é ser judeu? Qual a identidade do povo judeu? Se não é a raça que faz o judeu, o que seria? O nacionalismo? A religião? Como disse Mauricio Segall no prefácio, falando de Isaac Deutscher: “Sou judeu, porque ressinto a tragédia judia como minha própria tragédia… porque gostaria de fazer tudo que estivesse ao meu alcance para assegurar aos judeus uma segurança um repeito autêntico e não falso.”

O judeu para o antissemita é eternamente o outro, aquele que cabe dominar o mundo, sendo o esteriótipo mais generalizado o de sovina, o agiota de nariz adunco, que antes da Revolução Burguesa tinha a função econômica de ser comerciante. Função que teria que ser exercida por não cristãos e quem melhor que o judeu, o “assassino de Deus” para cumprir com a mesma. Todos sabemos que a catástrofe do pensamento racista, culminou no Shoá (Holocausto).

Sendo vítima da violência do discurso antissemita compreendemos que Segall, possivelmente se tornou mais sensível ao sofrimento humano.

Lasar Segall. Eternos Caminhantes.1919. Museu Lasar Segall 

A tradição judaica privilegia o ouvido, como podemos perceber na oração Shemá Israel: Ouve, Israel, que o eterno é nosso Deus, o Eterno é um. (Deuterônomio, 6:4). Em contraposição a tradição grega que privilegiava os olhos.

Uma outra pergunta que poderia ser feita: Existe arte judaica? Não existe. O que existe são pintores judeus que pintam temas judaicos, podendo representar motivos cristãos, por exemplo.

A condição de judeu influenciou a obra de Lasar Segall? Certamente sim. Sendo um judeu lituano, da cidade de Vilna, lugar de pogroms e perseguições diversas aos judeus, é dentro dessa condição que o sentimento de fraternidade lhe aguça.

Mesmo ao adotar personagens judeus em sua criação percebemos que a identidade judaica convive diretamente com o caráter universal de sua obra, quando se trata  do sofrimento humano sua obra é abrangente.

E segundo Maria Luiza Tucci Carneiro, como um cidadão identificado com o sofrimento dos párias e miseráveis, que Segall visava chamar a atenção para as catástrofes vivenciadas pelos judeus na Europa.

CARNEIRO. Maria Luiza Tucci. LAFER, Celso. Judeus e Judaísmo na Obra de Lasar Segall. São Paulo: Ateliê Editorial.

Legenda da imagem: Lasar Segall. Pogrom, 1937. Acervo do Museu Lasar Segall.

Maria Luiza Tucci Carneiro -Professora e Historiadora da USP – desenvolve pesquisas sobre a questão dos direitos humanos, intolerância, anti-semitismo, etnicidade, escravidão, censura , nazismo e imigração judaica para o Brasil. Coordenadora dos Laboratórios de Pesquisa/USP: PROIN- Projeto Integrado Arquivo Público do Estado/Universidade de São Paulo, núcleo responsável pelo inventário dos documentos do DEOPS/SP e pelas Oficinas de História , espaço de treinamento para historiadores.

http://www.museusegall.org.br/

 

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