Opinião: Filme Suíte Francesa

O filme é uma adaptação baseada em um romance homônimo, de Irene Némirovsky, que era uma escritora judia ucraniana radicada em Paris, cuja família refugiara-se no interior da França, fugindo da perseguição nazista. Em 1942, a autora foi presa e morreu em Auschwitz. O manuscrito ficou oculto por quase 60 anos, até ser descoberto por sua filha.

O livro possui três partes, porém o filme concentra-se na segunda. A história versa sobre a personagem Lucille, uma jovem francesa recém casada com um francês que encontra-se em um campo de prisioneiros para militares. A moça vive com sua sogra, pessoa extremamente autoritária e por vezes cruel.

Ao ocupar a cidade de Bussy, os oficiais nazistas ficavam alojados nas casas dos civis, dessa forma Lucille recebe o tenente alemão Bruno von Falk. A partir disso, um romance improvável começa a surgir, trazendo sofrimento para ambos.

O filme é interessante ao mostrar vizinhos, denunciando uns aos outros para os alemães, a fim de resolverem rixas antigas. As pessoas aproveitavam a ocupação para se livrarem de desafetos, assim surgiam acusações de   “crimes” como judaísmo, homossexualismo e comunismo. A obra também mostra vários abusos de autoridade cometidos pelos nazistas sobre a população civil.

Eu estou bastante acostumada a assistir filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, pois o tema me interessa. Confesso que enquanto assistia Suíte Francesa me senti muito incomodada e não sabia o porque. Já assisti a filmes bem pesados em termos de violência, portanto eu sabia que não era esse o problema.

Depois de refletir um pouco, compreendi que a representação “humana” do oficial alemão estava me incomodando. Ele tinha sentimentos! De uma maneira inconsciente eu colocava o nazista em uma outra categoria de ser humano. Na verdade, assistindo ao filme eu me identificava com Bruno e isso me incomodava. O alemão do exército de Hitler não poderia ser uma pessoa como eu.

Na obra “Eichmann em Jerusalém”, Hannah Arendt adverte que Eichmann (um dos principais organizadores do Holocausto) era somente um burocrata medíocre, com dentes tortos, que visava ascender socialmente, ou seja, um ser humano como qualquer outro. Diferente do monstro representado pela mídia israelense.

Na verdade, dadas as condições (como ter o mal banalizado socialmente) grande parte das pessoas podem cometer injustiças e até mesmo atrocidades.

Data de lançamento 28 de janeiro de 2016 (1h 48min)
Direção: Saul Dibb
Gêneros Drama, Guerra, Romance
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