Resenha: A língua das mariposas (La lengua de las mariposas) -José Luis Cuerda

A narrativa se passa na década de 30, na Galícia rural – província espanhola situada a noroeste da península Ibérica. O filme se baseia no livro Qué me quieres, amor? de Manuel Rivas.

A história central é a relação entre o menino Moncho e seu professor Dom Gregório. O garoto tinha muita dificuldade de se relacionar socialmente, possivelmente por ser uma criança muito sensível. Ao ingressar nos estudos o menino terá sua vida mudada para sempre.

Moncho tinha muito medo da escola, pois ouvira falar que os professores batiam nos alunos. Todavia, Dom Gregório tem um método diferente de ensinar que visava a construção da autonomia individual e liberdade de pensamento.

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Dom Gregório e Moncho. As aulas eram livres e visavam a construção da autonomia individual. Imagem de divulgação.

O contexto histórico é extremamente importante para a compreensão da obra. O período é anterior à Guerra Civil Espanhola. O país estava dividido entre dois principais grupos: Os Republicanos (os Vermelhos) e os Nacionalistas (Fascistas). Em 1936, começou a guerra, que duraria três anos, até 1939.

Um ponto que me chamou a atenção no filme é a decadência ética e a pobreza presente na sociedade. O filme mostra um personagem que faz sexo com uma moça chamada Carmiña.

A jovem faz questão de que seu cachorro presencie o ato e só se sente excitada com a presença do animal, indicando possivelmente uma relação de zoofilia. O rapaz é extremamente pobre, podemos observar pelas roupas rotas e remendadas, além de ler muito mal.

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Carmiña com seu namorado. Imagem de divulgação.

Outro episódio secundário que nos ajuda a compreender a Espanha da época é a relação marital de um senhor praticamente idoso com uma jovem chinesa,  que ele adotou quando  tinha 4 anos de idade.

Dentro desse contexto de degradação os liberais, comunistas e ateus são considerados a escória do país. A perseguição da extrema direita se dá a liberdade de pensamento e não propriamente ao mal (no sentido kantiano e não no sentido religioso), revelando uma grande hipocrisia. Com tantas coisas terríveis, os perseguidos são aqueles que pensam fora do sistema.

Eu não vou dar spoillers sobre o final, mas posso afirmar que Moncho foi introduzido em um mundo de covardias e humilhações características do período Franco.

 

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