Opinião: Filme Elefante Branco (Elefante Blanco)

O filme começa com um assassinato em massa de uma comunidade na Amazônia peruana por militares, que estavam a procura de um padre belga vinculado a teologia da libertação e trabalhava no local.
Posteriormente, esse pároco por nome Nicolás chega à uma favela na Argentina e se encontra com outro padre por nome Julián, também da teologia da libertação.
As cenas são muito bem feitas, mostrando a realidade triste da pobreza do lugar. O filme se passa na déca de 70 e evoca fatos verídicos, como o assassinato do padre Calos Mugica.
Após a câmera nos apresentar o local, começamos a mergulhar no enredo do filme. O contexto é de muita pobreza e violência. Nicolás é o  protagonista, ele tenta se posicionar no vácuo deixado pelo Estado e a população. Julián lidera o grupo que além dos religiosos tem a assistente social Luciana, trabalhando na comunidade.
Padre Julián faz um esforço hérculo para “salvar” as pessoas da comunidade, as vezes enfrentando a polícia, outras literalmente carregando um rapaz drogado nas costas.
Em Nicolás e Julián sobram boa vontade, porém a impressão que me deu o filme inteiro é que o esforço deles não servia para nada. O Estado não tinha interesse por aquela população e os traficantes as utilizavam como massa de manobra.
As pessoas da favelada são mostradas normalmente correndo do tiroteio entre os traficantes ou dos policiais. O filme não os mostrou como sujeitos autônomos, mas sempre muito dependentes, ora pressionando a assistente social, ora os párocos.
Com bastante recorrência Julián e Luciana demonstram esgotamente diante da situação. Nicolás me parece ser dotado de um complexo de messianismo, pois quando Luciana diz que vai desistir, ele diz que não conseguiria fazer aquele trabalho sozinho. Fica a pergunta: Qual trabalho ele estava fazendo? Que diferença prática a presença dele tinha na comunidade? Para mim muito pouca.
Nicolás abraça uma capa de herói e se coloca muitas vezes em risco, quando, por exemplo, se predispõe a negociar um corpo com uma gangue rival e sai com o mesmo em uma carriola. Julián apesar de ter uma visão mais realista da situação, também tem uma síndrome messiânica, parecendo um protagonista saído das novelas de cavalaria: Um mocinho combatendo os inimigos!
O filme tem seu mérito em mostrar uma realidade triste e uma população marginalizada, porém peca com uma história muito simplista. Em comparação com Tropa de Elite, em que a realidade humana foi mostrada de uma maneira complexa, abrangendo várias nuances, em Elefante Branco o maniqueísmo se fez presente.

Data de lançamento: 2 de novembro de 2012 (Brasil)
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