Marc Chagall: A imaginação em Quadros

Marc Chagall era uma pessoa introvertida e calada. Como judeu ignorou a proibição de desenhar imagens e como russo pintou o folclore de sua terra natal.

A cidade onde nasceu Vitebsk era composta de casas de madeira, com um ambiente campestre e pobreza. O artista falava russo (não falava íidiche o dialeto judaico – alemão), teve aulas de violino, de canto e aprendeu a desenhar. Posteriormente, já adulto Chagall estudou artes em São Petesburgo e Moscou.

Sua arte não teve muito eco na Rússia, encontrando ressonância na França. Ao chegar em Paris, quis voltar imediatamente, pois tivera muita dificuldade em seu adaptar. Apesar disso, Chagall aproveitou a oportunidade para conhecer galerias de arte, observou os impressionistas e estudou originais de Gauguin e Van Gogh.

Em Paris, Chagall viveu no início na completa penúria, às vezes ele dizia, em tom de brincadeira, que em um dia ele comia o rabo do arenque e no outro a cabeça. Também utilizava telas que já haviam sido pintadas.

O pintor serviu-se dos contrastes de claro – escuro para conseguir efeitos específicos de luz. Por exemplo, na obra acima, Chagall utiliza técnicas cubistas, representando um mundo autônomo, que apenas depende da sua arte, mostrando o que contém na sua psiquê.

A cabeça da ovelha abre espaço para a cena em que ela está sendo ordenhada, casas e pessoas estão de pernas para o ar, todos esses elementos integrados na obra representam algo além do mundo palpável, seria imaginação daquilo em que as lembranças se reduzem a representação no quadro.

Chagall considerava o regime czarista antiguado e teve grandes esperanças com a Revolução Russa, chegando a pintar a profecia de Ezequiel: “Assim, fala Deus Nosso Senhor: Eu abro os vossos túmulos e tiro-vos meu povo dos vossos túmulos para a terra de Israel”, estas palavras estão com caracteres em hebraico na obra “O Portão do Cemitério”. Nessa pintura o artista faz uma analogia ao velho regime – os túmulos; e as pessoas, saindo dos mesmos – a Revolução.

Posteriormente, a França foi dominada pelos nazistas e Chagall fugiu com sua família para Nova York. Nesse contexto, o artista teve a sorte de participar à distancia dos acontecimentos da guerra, porém sua arte apresentou mudanças, se tornando mais melancólica e com temática da guerra.

Marc Chagall pode ser considerado um grande artista, não somente pela sua técnica, mas sobretudo porque soube conciliar religião, afeto, saudosismo, melancolia e amor, por isso, sua arte é universal.

 

Referência: WALTHER, F. Ingo/ METZGER, Rainer. Chagall. Ed. Paisagem.

Imagem: Marc Chagall. Eu e a aldeia.

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