Resenha: Conto A dama do cachorrinho – Anton Tchékhov

Anton Tchékhov nasceu em 1860, na cidade de Taganrog, no sul da Rússia e morreu em 1904, em um sanatório na cidade alemã de Badenweiler. Filho de um servo emancipado, administrador de fazendas, que apesar das dificuldades financeiras, dera aos filhos uma educação equiparada a elite da época. De sua mãe Anton diz que ela sempre fora amorosa.

Tchékhov tinha muito interesse pela vida cotidiana das pessoas, não importando a classe social das mesmas, seus contos sempre versam sobre a realidade humana. O autor não produziu grandes romances, mas era especialista em contos, e sua obra é importante para compreendermos a sociedade russa do final do século XIX e início do XX. A referida história foi publicada em 1899, em uma revista russa.

A narrativa inicia com o protagonista Dmítri Dmítrich Gúrov, que estava em Ialta havia duas semanas, e no momento em que estava sentado perto da calçada da praia viu uma jovem, loira e atrás dela corria um lulu da Pomerânia branco. Ninguém sabia quem era ela e a chamavam simplesmente de “a dama do cachorrinho”.

Dmítri era casado, tinha três filhos, dois meninos no ginásio e uma filha de doze anos. Ele considerava sua esposa medíocre e sem graça, mas tinha medo dela. Sempre a traíra, pulava sempre de caso em caso. Em suas conversas dizia que considerava as mulheres uma raça inferior.

Segundo o narrador o protagonista tinha uma vasta experiência com mulheres, porém essa vivência era amarga e seus relacionamentos sempre ganhavam complexidade.

Dmítri puxou conversa com a dama do cachorrinho e descobriu que ela era casada e estava entendiada em Ialta. Daí por diante, eles se encontravam todos os dias na avenida à beira mar, almoçavam juntos e admiravam o mar.

Um relacionamento entre ambos começa, a moça chama-se Ana Sergueievna era casada e estava em Ialta fazia pouco tempo. Nesse interím o relacionamento se torna complexo e Dmítri se vê apaixonado pela moça.

Uma parte interessante descrita pelo narrador, era que a mulher era decente, ingênua e inexperiente. Porém, Ana se via como uma mulher vulgar e não se sentia amada e nem respeitada por ninguém, para Dmítri ela era bonita e sedutora.

Ambos viviam bastante tempo no ócio e tinham tempo de sobra para pensar em muitas possibilidades de vida e se entregarem a paixões impossíveis.

Uma característica de Tchékhov é que os estados psicológicos das personagens não são descritos pelo autor, mas precisam ser deduzidos pelo leitor. Dessa forma, compreendo que eles são um casal fútil de modo geral e Ana, uma burguesa do século XIX, extremamente insatisfeita com a vida que levava. Eles acreditavam que um novo tempo começaria, algo muito diferente do tédio em que viviam.

O conto tem uma leve crítica social à burguesia e sua volatibilidade. Lembrando que toda a sociedade russa do século XIX, especialmente após o atentado que matou o czar Alexandre II, vivia sob um rigoroso regime de censura.

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