Opinião: Filme A Mãe – Vsevolod I. Pudovkin/ URSS. 100 anos da Revolução Russa.

Vsevolod I. Pudovkin nasceu em 1893 e morreu 1953, foi um diretor de cinema soviético, escritor e ator. Diferentemente de Sergei Eisenstein, seu contemporâneo, preferia glorificar as façanhas individuais às coletivas.

A Mãe é um filme de 1924, adaptação de um romance de Maxime Gorki é uma importante obra para compreendermos os desdobramentos da Revolução Russa, e como os filmes foram utilizados como propaganda pelo governo Bolchevique.

Resultado de imagem para A MÃE FILME Vsevolod I

Cena do filme A Mãe. Imagem de divulgação. 

A narrativa versa sobre uma mulher, que mora na cidade operária de Sormovo, esposa de um ferreiro bêbado e fura-greves. A história começa com esse homem alcoolizado, chegando em casa e, brigando com a esposa, pois queria o ferro de passar para trocar por bebida. O filho começa a pelejar contra o pai a fim de defender a mãe.

As personagens são tipos, não tem grandes profundidades psicológicas e nem ambiguidades. O pai representa as figuras consideradas degeneradas que apoiavam o czar, o filho é o herói bolchevique e a mãe são as pessoas prejudicadas pelo sistema, mas sem consciência em um primeiro momento e que posteriormente apoiaram a Revolução.

Na União Soviética houve uma propaganda maciça contra o alcoolismo, portanto não é de se admirar que a personagem nociva era uma bêbada. O pai pertencia à uma organização de extrema direita chamada “As Centenas Negras” e em um conflito no bar, o mesmo é morto acidentalmente por um amigo de seu filho.

A viúva, acreditando agir corretamente ajuda os investigadores, porém acaba entregando seu próprio filho. Quando ele acaba sendo condenado à servidão penal na Sibéria, ela percebe o quão ingênua fora.

Pudovkin tem como característica o extremo lirismo e a dramaticidade. Em uma das cenas, a mãe descobre que o filho tem armas escondidas debaixo do piso, o cineasta constrói uma empatia com a personagem, dando constantes closes em seu rosto atribulado e posteriormente, mostrando a tábua com as armas. Segundo alguns especialistas em cinema os constantes cortes melhoram a narrativa.

Outra cena muito interessante é a parte em que há um degelo e o rio flui, possivelmente seja uma metáfora para a Revolução que liberta, sob a qual foi aprisionada durante o longo inverno czarista.

Como o cinema é mudo as músicas são importantíssimas para a compreensão da obra, transmitindo sentimentos de tristeza, alegria e esperança.

A Mãe é um filme de vanguarda do cinema soviético super importante para a compreensão desse período histórico. Vale a pena assistir!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s