Resenha: Livro As Vinhas da Ira (The Grapes of Wrath) – John Steinbeck

Se você quer conhecer um pouco da história dos Estados Unidos, esse livro é para você!

As Vinhas da Ira foi publicado em 1939, ganhou o prêmio Pullitzer de melhor ficção e o Nobel de Literatura de 1962.

A narrativa versa sobre a saga da família Joad, arrendatárias de terras, no estado de Oklahoma, que durante a Depressão de 1929, se vêem obrigadas a abandonarem as terras, onde moravam, no regime de meeiros, devido a chegada da tecnologia no campo: o uso de tratores e máquinas.

Todos vocês já devem ter visto a famosa foto “Migrant Mother” (eu não posso publicá-la aqui, por uma questão de direitos autorais), a história no livro diz respeito a essas pessoas.

A lógica da exploração da terra havia mudado. Fazendeiros que não eram bons negociantes perdiam suas terras, não importando o quão trabalhadores fossem. A agricultura havia se tornado indústria. As propriedades cresciam cada vez mais e os proprietários por sua vez iam diminuindo, era o agronegócio. Não eram mais fazendeiros quem mantinham as terras, mas empresários.

O livro começa com Tom Joad, o filho do meio, chegando da prisão, condenado por ter matado um homem em uma briga. No trajeto ele encontra um pastor evangélico, que havia largado seu ministério. Até chegar em casa eles começam a ver várias coisas estranhas, como residências abandonadas e ruas desertas. Em seu lar o rapaz descobre, que seus pais se mudaram e seus vizinhos também. Os tratores passaram, derrubando as residências e expulsando as pessoas.

Depois de muito procurar, o jovem encontra a sua família. Eles estão com um folheto publicitário, dizendo que na Califórnia precisavam de pessoas para trabalhar. Dessa forma, todos os familiares sonhavam em viver colhendo pêssegos e, trabalhando na sombra. Com um pensamento extremamente ingênuo, acreditando que chegariam à “terra prometida”.

Compraram um caminhão velho, colocaram seus pertences e se lançam rumo ao Estado.
A trajetória até o destino é bem longa e a partir dela vamos, conhecendo os sonhos e os medos de todas as personagens. Rosa de Sharon, filha mais nova do casal, grávida e recém-casada sonhava com uma casinha quente, onde pudesse criar o seu bebê, Al queria casar e ter filhos, a mãe e o pai queriam uma casa, em que pudessem manter a família unida. Durante o trajeto, muita fome, sede, tristeza e sonhos. O avô morre e é enterrado na margem de um rio, com uma garrafa, contendo uma carta, explicando que eles não tinham direito para fazer um enterro.

Eles vão conhecendo várias pessoas, que estam em uma situação parecida com a deles. Na Califórnia famílias inteiras chegavam, carros cheios com gente faminta, procurando empregos. Esperavam encontrar trabalhos, mas achavam ódio. Não há caminho mais curto para obter o desprezo e alguém, do que não ter dinheiro.

Enquanto, outros cidadãos mais abastados desejavam riquezas, sucesso social, os Okies (modo pejorativo que esses migrantes eram chamados) queriam comida. Eram pessoas que sabiam que uma terra sem plantar era um crime contra seus filhos esfomeados.

Na “terra prometida” encontraram um acampamento, que foi incendiado para que todos fossem embora. Chegando em um outro local mantido pelo governo, tudo era controlado pelos próprios trabalhadores. Havia um caixa de dinheiro reserva para alimentar famílias, que estivessem desempregadas, comissão de moradores, enfermeiras, sanitários e chuveiros com água quente. Esse lugar sofria várias tentativas de boicotes para desaparecer. Trabalhadores se organizando era visto como algo comunista demais.

A Califórnia já havia pertencido ao México, então os americanos a tomou. Esses homens que outrora eram também famintos e raivosos, agora guardavam de armas nas mãos as terras que haviam “roubado”. Depois esses invasores se tornaram proprietários, posteriormente empresários. Não necessariamente precisavam entender de plantações, mas de ações, vendo a vida a partir do seu escritório em Wall Street.

No referido Estado, a família não encontra emprego. Eles dirigem-se ao norte, onde esperam encontrar trabalho. Chegando ao local eles estranham a quantidade grande de oferta de trabalho, ganhariam 50 cents por caixa de pêssego. Posteriormente, descobrem que eles foram fura greves, pois os trabalhadores anteriores paralisaram, porque estavam recebendo 25 cents por caixa. E daí muitos conflitos…..

Uma parte bem chocante no livro, é quando o narrador descreve que, para não abaixar muito o preço dos alimentos, os donos das terras jogavam batatas nos rios e colocavam guardas em volta para não deixar ninguém pegar. Também matavam os porcos e os enterravam para que ninguém comessem. Tudo isso em plena Depressão de 29!

Se você quer conhecer a história dos Estados Unidos, esse livro é indicado para você. Muito diferente do país, que vemos em filmes de sessão da tarde – bonito e rico, aqui vemos um outro, com o capitalismo selvagem e pobreza.

Entendendo a crise de 1929:

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