Resenha: Tempestade de Areia – Elite Zexer

Tempestade de Areia é o filme de estréia da diretora judia-israelense Elite Zexes e retrata uma aldeia beduína de religião muçulmana, que fica ao sul de Israel.

A narrativa versa sobre uma mulher, chamada Jalila, que está preparando a festa do segundo casamento do marido. Nada é dito explicitamente, mas podemos perceber pelas expressões da matriarca, que há um alto custo afetivo para ela. Além disso, ela descobre que sua filha está apaixonada por um rapaz que não faz parte da aldeia.

No início do filme conhecemos Layla, a filha, e seu pai Suliman, que está ensinando a moça dirigir. Na conversa a jovem é cobrada por ter tirado 6,5 na prova. Ambos estão transportando móveis no caminhão, que deve ser montado rapidamente, porque a festa está prestes a começar.

Ao receber a futura esposa vestida de noiva, percebemos que apesar das exclamações, Jalila e a jovem não estão necessariamente felizes. Porém, nada é dito, tudo faz parte da tradição.

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Cena do encontro de Jalila com a segunda esposa do marido. Imagem de divulgação. 

No meio da festa, a mãe atende ao celular de Layla e descobre que ela está tendo um relacionamento com um rapaz beduíno, porém de outra tribo e isso é proibido pelas normas desse povo. Jalila se transtorna e acaba até, batendo no rosto da filha, por ela ter ocultado suas ações.

A partir dessa narrativa, podemos achar que o filme é mais uma crítica de um ocidental a um “outro” diferente.Engano, a obra supera completamente o maniqueísmo. Suliman não é um troglodita, machista e violento, aliás é muito fraterno com as filhas. No entanto, é um homem que prima pela tradição. E é aí que está a chave para compreender o desenrolar da narrativa.

Suliman age em favor dos costumes. Não fica claro se ele está se casando, pela segunda vez, porque quer ou precisa continuar, gerando filhos. A casa da segunda esposa tem uma diferença gritante da de Jalila, é bonita e grande. Percebemos que o pai parou de dar dinheiro e recursos para a primeira esposa. Talvez, a importância do casamento esteja ligada a capacidade de gerar filhos, por isso, o primeiro ficou em segundo plano.

Uma questão que gostei bastante, foi o olhar sensível da cineasta Zexer para as questões diárias e costumes, isso nos possibilitou conhecer melhor as personagens. Os serviços domésticos são extenuantes, parecem que não tem fim. A segunda filha Tasmin observa tudo e se recusa a usar roupas femininas e o véu. Acredito que pela personalidade da menina, ela poderá quebrar a norma do casamento arranjado.

O tema do casamento arranjado e a modernidade em contraposição à tradição, foi também trabalhada em um musical muito famoso da Brodway de 1964, chamado “Um Violinista no Telhado”. A história se passa em uma aldeia judaica na Rússia Czarista, no fim do século XIX. O mesmo começa com uma música que diz: “Tradição, tradição, tradição! A partir disso vemos vários desdobramentos do pensamento antigo versus o moderno, inclusive a questão dos casamentos arranjados.

Fica a dica de um filme sensível e muito interessante!

(Tem no Netflix)

Trailer “Tempestade de Areia e Um Violinista no Telhado:

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2 comentários sobre “Resenha: Tempestade de Areia – Elite Zexer

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