Resenha: Filme Geração Prozac (Prozac Nation)- Erik Skjoldbjærg. Vamos falar sobre depressão?

“Hemingway tem um momento clássico em ‘O Sol também se Levanta’. Quando perguntam para Mike Campbell como ele faliu, tudo que ele consegue dizer é: ‘gradualmente, depois rapidamente’. É assim que a depressão atinge. Você acorda numa manhã com medo de viver”. Citação feita por Elizabeth no filme Geração Prozac.

O filme é baseado em um autobiografia da escritora Elizabeth Wurtzel. A narrativa tem como foco a personagem Lizzie, sua vida com depressão e como a mesma lida com a doença.

Lizzie tem 19 anos e acabou de ganhar uma bolsa de estudos em Harvard, para estudar jornalismo. Ela conseguiu essa façanha, através de um artigo sobre a separação de seus pais. Dessa forma, a jovem embarca na universidade, com seus desafios e diversões. É nesse contexto, que a enfermidade surge.

A protagonista não é nem um pouco carismática, pois é uma pessoa completamente autodestrutiva, triste, desvaloriza as amizades e acaba com os relacionamentos amorosos, devido ao seu temperamento explosivo e oscilações de humor.

Possivelmente, esse tenha sido um dos objetivos do filme/livro, mostrar que os depressivos, muitas das vezes não conseguem ser agradáveis, pois tudo para eles tem uma interpretação horrível.

Nesse caso posso falar com propriedade, porque já tive depressão e sei exatamente como funciona. Acredito que conviver com depressivos seja um desafio.

A personagem de Lizzie é bem complexa, bem como o desdobramento de sua doença. Vemos os flashbacks de sua infância e o quanto ela amava o pai, que devido a um relacionamento conturbado com a mãe, corta relações com a menina.

A protagonista narra partes do filme, nos contando praticamente tudo o que vem a sua cabeça. Toda a obra nos é contada sob o seu olhar, seria como se nós tivéssemos atrás dela, olhando tudo o que acontece, mediante o seu ponto-de-vista.

A jovem enxerga a sua mãe como uma figura egocêntrica, pois quando Lizzie está doente, a mesma fica falando de si – “aonde foi que errei, te mimei demais” -, a moça não é vista como um ser humano em toda a sua complexidade, sendo tratada como um adendo da mãe.

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Lizzie é vista pela mãe como um adendo. Imagem de divulgação. 

Com muito contra gosto a jovem começa a fazer terapia e a tomar antidepressivo. Os resultados de tudo, é interessante você conferir, assistindo ao filme.

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A depressão é uma doença, que pode atacar sem aviso. Imagem de divulgação. 

Só há um problema nesse tipo de obra. Corre-se o risco de criar esteriótipos de como um depressivo se comporta. No caso de Lizzie, ela se entregou as drogas e bebidas.

No entanto, nem todos desenvolvem a depressão da mesma maneira. Essa rotulação – “todo o depressivo age assim”, pode acabar atrapalhando as pessoas em busca de ajuda.

Além disso, os depressivos sofrem diversos preconceitos, como por exemplo,  as ideias de que, depressão é frescura, coisa de quem não tem o que fazer, falta de louça para lavar….Pois é, eu desenvolvi a doença em um momento em que estava, trabalhando 12 horas por dia, saía da empresa e ia direto para a universidade. Dessa forma, eu tinha muita coisa para fazer, pensar e nem toda a louça do universo poderia me curar dessa enfermidade.

A depressão é uma doença que se caracteriza por uma alteração química no cérebro, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. Podemos considerar também que a referida disfunção tem causas bio-psico e social.

Segundo Freud (1920) o luto, entendido como uma constelação de reações psíquicas, conscientes e inconscientes, há uma perda da libido antes investida no objeto amado, porém a perturbação da autoestima está ausente (Freud,1920. P.250).

Já na melancolia não há necessariamente uma morte e sim uma perda inconsciente do objeto de amor, levando o ego a um estado de pobreza da libido. Dessa forma uma perda objetal se transformou na perda do ego. (Freud, 1920.P. 255).

A obra tem o mérito de discutir a respeito a depressão, que é uma doença muito séria e acomete milhões de pessoas em todo o mundo.

FREUD, Sigmund. Luto e Melancolia. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira. 2008.

Se você quiser saber mais sobre depressão deixo o link de uma entrevista com a psicanalista Maria Rita Kehl: http://www.boitempoeditorial.com.br/v3/titles/view/o-tempo-e-o-cao

Abaixo, deixo uma palestra TED sobre depressão de Andrew Solomon, que acho bastante elucidativa.

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