Resenha Livro: Paula – Isabel Allende

Paula é um livro de memórias, que você lê vorazmente. O ponto de partida para essas páginas foi uma experiência pessoal trágica. Paula com apenas 28 anos, vítima de uma doença genética chamada porfiria, entrou em coma. Isabel passou muitos dias sentada ao lado da filha, esperando que ela retornasse à vida….

Nesses meses de tormenta, a autora começou a escrever as memórias da família para Paula, para que quando a mesma acordasse pudesse relembrar toda a trajetória familiar. Acredito também, que tenha sido uma tentativa de exorcizar a morte, através do retorno ao passado.

A autora nasceu no Peru, onde seu pai Thomás fora destacado diplomata. Um acontecimento muito complicado quebra as estruturas familiares, o pai é pego em um escândalo sexual e desaparece. Sua mãe com seus três filhos se mudam para o Chile e vão morar na casa do seu avô.

Uma parte muito estarrecedora para mim, referente à infância de Isabel Allende é quando a mesma é molestada sexualmente com 8 anos. Essa imagem é muito terrível…..Apesar disso, a autora diz que não guarda nenhum sentimento de rancor diante do acontecido. Também há bons acontecimentos e doces recordações que ela guarda dos seus avôs e do tio.

Isabel se casou cedo com Michael, que é pai dos seus dois filhos. Conciliava a vida de mãe, com a vida de jornalista. Sempre se deu muito bem com os sogros, que a ajudava na criação dos netos. Assim, vivia uma vida feliz e sem grandes percalços.

Uma parte engraçada é quando ela vai entrevistar Salvador Allende, que é seu primo, e pergunta o que ele acha do Natal, a resposta: “Não me pergunte uma merda dessas.” Em outro momento ela entrevista Pablo Neruda e ele diz: “Nossa, você deve ser a pior jornalista chilena. Desconfio que você inventa matérias.” Esse encontro foi muito importante, pois o poeta lhe aconselhou a escrever novelas.

A vida estava indo muito bem até o golpe de Estado, que derrubou o governo de Salvador Allende e instituiu uma Ditadura Militar. Isabel começou a ajudar os perseguidos políticos a fugirem, até que ela mesma, junto à sua família teve que deixar o Chile.

Em seu exílio na Venezuela, Isabel sofreu terrivelmente, ficava em casa o tempo todo, não tinha emprego e nem amigos. Nesse período, se apaixonou por um flautista argentino e foi viver um grande amor na Espanha. Acabou não dando certo e ela voltou para o marido e filhos.

O exílio foi fundamental para que a autora começasse a escrever, acredito que foi uma maneira, que ela encontrou, de reconstruir o que havia perdido. Seu primeiro livro “A Casa dos Espíritos” foi elaborado, na mesa da cozinha, utilizando uma máquina de escrever antiga. Escrevia sem esforço e sem pensar, ela acredita que sua avó (falecida) lhe ditava as histórias.

A Casa dos Espíritos, também foi escrita com base em sonhos da autora. Certa vez, Isabel teve um sonho que via seu avô vestido de luto, com gravata e sapatos e compreendia que ele estava morto, então ao seu lado, Isabel começa a ler o livro que estava escrevendo e a medida que a voz narrava a história, os móveis se convertiam em madeira clara. Ela despertou e compreendeu: “Alba, a neta, escreve a história da família junto ao cadáver de seu avô, Estebán Trueba, enquanto aguarda a manhã para enterrá-lo.”

Seu livro estava pronto e ela não sabia o que fazer com o mesmo, muito menos que essas páginas mudariam sua vida.

Pouco tempo depois os melhores editores europeus, desde Finlândia até a Grécia compraram a tradução e assim disparou o livro e uma carreira meteórica.

A referida autora não teve uma vida tranquila e não é dona de uma mente comum. Com certeza é detentora de um espírito muito inquieto e obstinado.  Sua história vale a pena ser conhecida!

Isabel Allende tem o grande mérito de nos fazer conectar com suas personagens, sejam elas como forem. Sua escrita toca em nossa alma.

Entrevista com Isabel e Paula a respeito da emancipação feminina:

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