Resenha: Mamma Roma – Pier Paolo Pasolini

Pier Paolo Pasolini (1992-1975), nascido em Bolonha, filho de um militar de carreira e de uma professora de ensino médio. Além de cineasta era poeta, escritor e ensaísta. Era o mais jovem membro do grupo de cineastas diretores italianos, considerados o “sexteto de ouro”, juntos a Vittorio de Sica, Roberto Rossellini, Luchino Visconti, Michelangelo Antonioni e Frederico Fellini.

Mamma Roma começa com uma cerimônia de casamento feia e bizarra, com uma senhora gritando, rindo alto e com três porcos. Eu comecei a pensar, nossa do que o filme se trata! Mas, depois esse acontecimento faz todo sentido.

O casamento é de Carmine, antigo cafetão de Mamma Roma, ela se sente liberta, quando ele se casa, por isso ri e grita. Posteriormente, a protagonista busca seu filho – Ettore já crescido e o leva para viver à princípio em um cortiço no centro da capital italiana.

A Roma que aparece no filme é bem diferente daquelas imagens maravilhosas, que estamos acostumados a ver nas películas. Boa parte da narrativa acontece em um descampado com alguns prédios feios atrás, possivelmente trata-se de um bairro operário.

Quando Ettore vai para a Roma, o garoto não tem emprego e não estuda, fica o dia inteiro junto a rapazes considerados vagabundos. Os jovens estão sempre vestidos de terno, no entanto, os mesmos são rotos, feios e largos, não foram feitos para eles. Apesar dos esforços deles em parecerem burgueses, através da roupa, estão muito distantes dessa realidade.

Nesse ínterim Ettore se apaixona por uma moça chamada Bruna, que é mãe solteira e considerada”fácil” pelos rapazes. Pasolini pinta as duas personagens como pessoas de inteligência limitada. Percebemos que o grupo de rapazes se sentem mal, porque percebe que o jovem está apaixonado e quer monopolizar o corpo da moça, que para eles era um objeto.

Mamma Roma larga a prostituição e vende legumes em uma barraca na feira. Ela faz de tudo para que seu filho Ettore tenha um grande futuro. É interessante, quando ela vai pedir ajuda ao padre, para que arranje um trabalho (que não seja braçal) para seu filho e ele diz que: “Não se pode construir algo em cima do nada”.

Aquelas pessoas para o sistema capitalista são ninguém, meros consumidores pobres, que quando não conseguem comprar com seu próprio dinheiro roubam. A vida dessas pessoas não tem nenhum valor. São incapazes de gerar capital.

Mamma Roma pode ser considerada uma alegoria para a Itália, que se prostitui para o capital internacional, a fim de que seus filhos possam sobreviver. Uma cultura que se perde em prol do sistema.

Em uma fala Mamma Roma diz a seu filho, “que Deus me livre você se tornar um comunista, um camarada, não eu quero um futuro grandioso para você”. Ambos são vítimas não somente do capitalismo, mas da sua própria ilusão em relação aos valores burgueses, materializados na forma de uma moto, alegoria de uma falsa ideia de liberdade.

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