Resenha Filme: O Pianista – Roman Polanski

Roman Polanski é cineasta, produtor, roteirista e ator judeu, nascido na França, mas naturalizado polonês. Devido a sua origem o mesmo experimentou as tragédias que abateram a Europa na Segunda Guerra Mundial. Sua mãe era católica, mas devido ao pai judeu foi classificada como semita e morreu em Auschwitz. Seu pai sobreviveu ao campo de Mauthausen-Gusen na Áustria.

Polanski era criança quando a guerra e a perseguição aos judeus começaram. Viveu no gueto de Cracóvia e sobreviveu, vivendo com uma família polonesa, que seu pai pagou para que lhe desse abrigo.
O referido cineasta é bem conhecido pelas tragédias que teve em sua vida, além do Holocausto, o assassinato de sua esposa grávida Sharon Tate, pelos seguidores de Charles Mason. Além da acusação de abuso sexual de uma menor.

A obra é baseada no livro de Wladyslaw Szpilman, que conta como ele sobreviveu aos nazistas em Varsóvia.

O filme abre com cenas reais de Varsóvia em 1939. Tudo calmo e todos, cumprindo com seus deveres. A cena corta para o pianista, tocando uma música de Chopin. Polanski utiliza uma lente média e longa para ajudar ao público a perceber que o mesmo está tocando dentro de um estúdio. Spilman sai à rua e vê os nazistas marchando na cidade. Essa cena foi uma reconstrução do que o cineasta – criança viu.

Na Polônia os judeus passam a ser proibidos de entrar em restaurantes, caminhar nos parques e andar nas calçadas. Também precisavam andar com a estrela de Davi no braço. A família de Wladek (apelido de Wladyslaw) não entendia muito bem o que estava acontecendo. Eles como todos os judeus foram deslocados para o gueto de Varsóvia, que foi o maior gueto polonês.

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Imagem real do gueto de Varsóvia - Polônia.

Antes de serem levados para os campos de concentração, os judeus foram colocados para viverem em guetos que eram murados, onde os mesmos não podiam sair. O gueto era abastecido com comida a partir do mercado negro. Quando os mesmos foram estabelecidos no ambiente, ainda havia uma elite judaica e Wladeck foi contratado para tocar para essas pessoas, representadas por Polanski como figuras alienadas.

Dentro do gueto tinha vários tipos de pessoas: comunistas, ricos, espertalhões, loucos, crianças jogadas nas ruas, gente morrendo de fome e doenças. Uma cena terrível é quando os alemães começam a matar os “indesejáveis”. Eles entram dentro de um apartamento e mandam todos ficarem em pé. Um senhor é cadeirante e obviamente não consegue. Ao passo que os nazistas jogam-o da sacada.

O tempo inteiro os judeus tentam não perder a humanidade, mediante à situações tão tenebrosas. Eles utilizam como recurso a leitura de livros. Em um momento, o irmão do pianista aparece lendo “O Mercador de Veneza” e fala com o irmão a respeito desse trecho:

“SHYLOCK – Os judeus não têm olhos? Os judeus não têm mãos, órgãos, dimensões, sentidos, inclinações, paixões? Não ingerem os mesmos alimentos, não se ferem com as armas, não estão sujeitos às mesmas doenças,não se curam com os mesmos remédios, não se aquecem e refrescam com o mesmo verão e o mesmo inverno que aquecem e refrescam os cristãos? Se nos espetardes, não sangramos? Se nos fizerdes cócegas, não rimos? Se nos derdes veneno, não morremos? E se nos ofenderdes, não devemos vingar-nos? Se em tudo o mais somos iguais a vós, teremos de ser iguais também a esse respeito. Se um judeu ofende a um cristão, qual é a humildade deste? Vingança. Se um cristão ofender a um judeu, qual deve ser a paciência deste, de acordo com o exemplo do cristão? Ora, vingança. Hei de por em prática a maldade que me ensinastes, sendo de censurar se eu não fizer melhor do que a encomenda.” Shakespeare – O Mercador de Veneza.

As cenas do gueto de Varsóvia são muito bem feitas, o local foi muito bem reconstruído. Quando o pianista é salvo de ir para o campo de concentração de Treblinka, ele volta ao local, que está tudo destruído, com gente morta ao chão.

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Cena do filme O pianista. Wladeck é salvo e volta ao gueto.

Por ser considerado o melhor pianista polonês, Wladeck é alvo da simpatia de muitas pessoas, tanto poloneses, quanto judeus. Isso é decisivo para a sua sobrevivência. Ele pede asilo a um casal polonês. Conta com a ajuda de pessoas da Resistência, cai nas mãos de um picareta e faz um esforço hérculuo para sobreviver.

Em 19 de abril de 1943, Wladeck consegue um refúgio fora do gueto e da janela de seu apartamento ele consegue ver a Revolta do Gueto de Varsóvia.

Quando as tropas e a polícia alemã entraram no gueto para levar mais judeus para os campos de extermínio, “O Levante do Gueto de Varsóvia” teve início. Setecentos e cinquenta combatentes judeus, pobremente armados e enfraquecidos por doenças e pela fome, lutaram contra um número muito maior de bem alimentados soldados alemães fortemente armados e bem treinados e conseguiram resistir heroicamente por um mês.

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Foto real do Levante do Gueto de Varsóvia. 1943.

O que confere uma autenticidade grande ao filme é o senso de humanidade das personagens. Tem judeus bons e maus, assim como tem nazistas. O capo judeu estava batendo em outros judeus, mas salvou Wladeck da morte. O oficial alemão que salvou o pianista o humanizou, por meio da arte.

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Cena do filme em que o oficial alemão pede para Wladeck tocar piano.

Através da ajuda de efeitos cinematográficos Polanski é capaz de nos fazer mergulhar na determinação e desejo de sobrevivência de Spielman. O pianista continuou em Varsóvia até morrer em 2000, aos 88 anos.

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