Resenha Filme: Má Educação (La Mala Educación) – Pedro Almodóvar

Má Educação é um filme extremamente complexo. Confesso que tive muita dificuldade em falar dele. Minha resenha não dará conta de todas as nuances.

Má Educação é uma história trágica de 3 pessoas diferentes em 3 períodos de tempo contado de maneiras diferentes, com atores interpretando várias personagens, em uma estrutura narrativa não linear, contendo flashbacks e narradores múltiplos.

A narrativa começa em 1980, quando Ignácio (ou uma face de Ignácio) se transporta do passado na porta do cineasta Enrique, um bem sucedido diretor de 27 anos. Ele estava desesperado por ideias de histórias e começou a ler tabloides a fim de conseguir alguma inspiração.

O Ignácio que aparece ali é um Ignácio diferente da criança, que Enrique conhecera e se apaixonara 16 anos antes, e esse é um ponto importante na história. O rapaz aparece do nada com um manuscrito chamado “A Visita”, que ele espera que Enrique adapte para o cinema.

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Ignácio aparece repentinamente no escritório de Enrique. Imagem de divulgação.

Enrique fica encantado com o roteiro, que conta a história de seu relacionamento com Ignácio, quando ainda eram crianças e também o abuso sexual sofrido pelo último, dentro do colégio católico.

Em uma Espanha da década de 60, marcada pela Ditadura Franquista, Enrique e Ignácio se apaixonam, isso dentro de um colégio interno católico, onde aparecem crianças cantando para satisfazer os clérigos. As coisas não ficam só no canto.

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O menino Ignácio cantando para o padre Manolo. Imagem de divulgação.

Em uma cena vemos um bosque e Ignácio (criança), cantando para o padre Dom Manolo. Posteriormente, Ignácio corre e cai, da sua testa brota sangue, que divide sua face, significando uma psiquê fragmentada.

Outro ponto interessante é um diálogo do menino Enrique com Ignácio. Enrique não acreditava em Deus, inferno ou qualquer forma de punição. Ignácio já era uma figura aterrorizada por uma ideia de um Deus perverso e punitivo. No fundo ele não acreditava na Divindade, somente tinha medo do diabo.

Juan, que é irmão de Ignácio e aparecerá no final da trama, é um psicopata com aparência comum, podendo passar despercebido socialmente.

Uma marca desse filme é que as pessoas nunca são o que demonstram, são muitas faces dentro de uma personagem. As pessoas se reinventam com cirurgias, máscaras sociais e encenações.

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Ignácio como Zahara. Imagem de divulgação.

Eu fiquei particularmente intrigada em saber se esse filme continha relatos autobiográficos de Almodóvar. Em uma entrevista o cineasta afirmou que a narrativa tem reminiscencias de sua infância, mas não é um relato autobiográfico. Ele não foi molestado por ninguém, mas sabia quem era e por quem, no colégio católico em que estudou.

Má Educação é um filme que vale muito a pena ser assistido. E o restante da história vou deixar para vocês!

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