A Lista de Schindler – Steven Spielberg

O filme inicia com uma oração do Shabat. Uma vela se apaga e sua fumaça sobe, cortando para a fumaça do trem. Nesse caso, temos a representação da morte.

A Lista de Schindler é baseado no romance homônimo publicado em 1982 por Thomas Keneally sobre Oskar Schindler, um industrial alemão, que durante a Segunda Guerra Mundial salvou 1200 judeus da morte.

A narrativa mostra no início o deslocamento dos judeus para o gueto da Cracóvia- Polônia. O gueto de Cracóvia foi estabelecido em 1941, no distrito de Podzórge. Em um local que cabia 3 mil pessoas, passaram a viver 15 mil. Cada apartamento abrigava 4 famílias, enquanto outros passaram a viver nas ruas do gueto.

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Imagem real do gueto de Cracóvia – Polônia. Onde a população judaica vivia em condições desumanas.

Oskar Schindler compra em 1939, uma fábrica de esmaltados quase falida na Polônia, dominada pela Alemanha nazista. Ele usou suas boas relações com altos funcionários nazistas para recrutar trabalhadores judeus e fornecer produtos para o exército.

O alemão era um capitalista que sonhava em fazer dinheiro. Chegou na Polônia somente com uma mala. No início ele via os judeus de maneira utilitária, posteriormente Schindler cria empatia por seus funcionários e toma consciência do massacre. Assim, decide salva-los da morte.

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Essa cena é real, a menina realmente existiu. O Spielberg editou a imagem e colocou no filme.

 

A Lista de Schindler teve o mérito de fazer as pessoas se interessarem pelo Holocausto. Por outro lado o filme construiu uma memória um pouco suave em relação a realidade, podendo levar alguns a acreditarem que genocídio foi só o que o longa mostra. Podemos dizer com toda a certeza: O Holocausto foi muito pior.

Toda representação tem limites, lembramos que é um filme de 1993 adaptado para a cultura de massa. Portanto, a película está longe de ser fiel à realidade.

Segundo especialistas em cinema, Spielberg utilizou conceitos de “horror-psychological-thriller-classic” de Psicose de Hitchcock para compor a Lista de Schindler. Assim como em Psicose,o referido filme dialoga sempre com o salvo versus o perigo, o louco versus o são, o humano versus o monstro.

Nesse caso a monstruosidade fica por conta de Amön Goth. Ele realmente existiu e por mais absurdo que pareça, ele fazia tudo aquilo que o filme mostrou. Ele comandava o gueto de Plaszów, na região da Cracóvia, Polônia.

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Foto de um trecho do campo de concentração de Plaszów- Polônia.

Amön Goth tinha uma empregada judia e ela testemunhou, que ele da varanda de sua casa,atirava nos judeus do campo.  A tensão sexual entre o nazista e a jovem  colocada no filme recebeu muitas críticas, pois atenuou e tirou o foco das atrocidades do Holocausto.

Imagem real de Amön Goth na sacada de sua casa, com um rifle nas mãos. Ele costumava a atirar nos prisioneiros por puro sadismo.

Schindler mantém amizade com Goth e através de subornos e presentes, ele consegue o apoio da SS para continuar com sua fábrica e seus funcionários a salvo.

A fim de mostrar Auschwitz, Spielberg mostra um trem de mulheres destinado à fábrica de Schindler, que por um erro acabam no maior campo de concentração nazista. Elas escapam da morte graças a vinho e diamantes ofertados a Rudolf Höss por Schindler.

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Cena do filme A Lista de Schindler, em que aparece o campo de concentração de Auschwitz.

Na fábrica de Schindler, os judeus são encorajados a celebrar o Shabat e os guardas são proibidos de matar a esmo. Também o próprio industrial começa a sabotar sua própria mercadoria.

Após a guerra Oskar Schindler viu falido vários de seus negócios. Em 1958, foi convidado a plantar uma árvore na Avenida dos Justos em Israel.

Amon Göth foi preso quando estava em um sanatório em Bad Tolz e foi enforcado na Cracóvia por crimes contra a humanidade.

A representação da libertação da fábrica de Schindler pelos soviéticos é um tanto bizarra. Um soviético chega montado em um cavalo e profere a seguinte frase: “Vocês foram libertados pelo Exército Vermelho. Não vão para o leste, porque ninguém gosta de vocês lá.”

Spielberg nos mostra um pouco dos horrores da guerra em um filme preto e branco, que com certeza ficará em sua memória.

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Fábrica de Oskar Schindler. Atualmente é um museu.

Entrevista com Helen Jonas, empregada judia de Amön Goth:https://www.ushmm.org/confront-antisemitism/antisemitism-podcast/helen-jonas-ptbr

Referência das imagens:

Museum Oskar Schindler Factory: http://www.krakow-info.com/schindler.htm

http://www.mhk.pl/mission-and-history

Cena real da execução de Amön Goth (não assista se for sensível), é bem diferente da mostrada no filme.

Documentário Oskar Schindler – O Homem por trás da lista.

 

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