Resenha Série: The Americans – Joe Weisberg

Os Estados Unidos tem uma necessidade histórica permanente de criar um inimigo. A identidade americana é moldada dentro desse aspecto, a do “inimigo construído” e do medo.

Após a Segunda Guerra Mundial o demônio da vez era a União Soviética e a ideologia comunista. Atualmente é o muçulmano.

A primeira temporada se passa em 1981, logo após a eleição do presidente Ronald Reagan, no auge da Guerra Fria. Em 1983, o então presidente chama a União Soviética de Império do Mal.

A mensagem da série é: Desconfie! O inimigo pode estar ao seu lado! Ele vai atacar as suas fraquezas afetivas, financeiras, ideológicas, não vai dar trégua. Teu vizinho pode ser um terrorista muçulmano infiltrado na sociedade americana.

A narrativa versa sobre o casal Philip e Elizabeth e seus dois filhos. Família tipicamente americana, patriotas, preocupados com o futuro das crianças e donos de uma agência de viagem.

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O casal Philip e Elizabeth, espiões soviéticos, como típica família americana. Imagem de divulgação.

Não se enganem, eles são espiões soviéticos! Elizabeth, na verdade Nadizhda, nasceu em Smolenski na Rússia, teve o pai assassinado pelos nazistas, quando tinha dois anos. A mãe era contadora do comitê do partido local. A educação foi bem rígida.

Ela foi preparada pelo Estado para lidar com qualquer situação, falar inglês sem sotaque e se preciso morrer pela União Soviética.

O casal foi apresentado pela KGB e disseram agora vocês são um casal. Uma prerrogativa era que eles precisavam gerar filhos, ou seja, tudo, absolutamente tudo na vida deles era controlado pelo Estado.

Elizabeth é um iceberg, em nenhum momento ela questiona a vida que leva. Philip é diferente, ele é um homem dividido entre a ideologia comunista de um lado, os filhos e o estilo de vida americano do outro.

O espião da KGB descobre que a esposa foi estuprada na União Soviética e isso o faz se conectar ainda mais a Elizabeth. Ele se sente mal com as missões, que precisa executar. Apesar de todo o treinamento que recebeu, ele demonstra muito seus sentimentos.

Philip vai cada vez mais fundo na sedução da secretária do FBI e em um determinado momento ele precisou seduzir uma adolescente. E em um flashback vemos que o protagonista também foi molestado pelo Estado.

Philip foi treinado pela KGB para “tornar real” o sexo, que ele tinha como parte do seu trabalho.

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Imagem de Philip na União Soviética, com uma espiã, que foi sua namorada. Imagem de divulgação.

O casal é tão convincente que engana até mesmo o vizinho deles, que é agente do FBI. Em um momento, ele percebe algo esquisito nos seus vizinhos e comenta com a esposa, que diz: “As pessoas são mais comuns e chatas do que você imagina”.

A série é muito bem produzida e há muitas situações de suspense e alta adrenalina. A cada esquina o casal corre o risco de ser pego. Além disso, eles tem uma filha altamente esperta e questionadora, chamada Page, que pode por tudo a perder.

As personagens foram inspiradas em uma documentação de um espião soviético chamado Vladimir Mitrokhin, que após o fim da União Soviética entregou todos os documentos em seu poder para um embaixador britânico.

Os documentos continham informações sobre todos os espiões, que atuavam no Ocidente. Até mesmo aonde se localizavam os depósitos de armas em Roma.

No entanto, como demonstrou as documentações de Mitrokhin a maior preocupação soviética e a maior concentração de agentes se davam nos países satélites, como por exemplo, na Checoslováquia e Polônia.

É uma série que vale a pena, para compreendermos a construção de inimigos e a cultura norte-americana do medo. Também obviamente, obviamente se você como eu, gosta de um bom suspense.

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