Resenha Livro: A história de Eva. Como a meia-irmã de Anne Frank sobreviveu ao Holocausto. Eva Schloss com Evelyn Julia.

“Este livro é dedicado à memória das vítimas do Holocausto que não puderam contar as suas próprias histórias.” Eva Schloss

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Eva Schloss jovem.

Eva nasceu em 2 de maio de 1929, na cidade de Viena, na Áustria. Era filha do casal Fritzi Geiringer (Mutti) e Erich Geiringer (Pappy). Ela viveu uma infância feliz e despreocupada junto ao seu irmão Heinz.

Quando Hitler invadiu a Áustria em 1938, a permanência dos judeus no país se tornou impossível, fazendo com que a família emigrasse para a Bélgica.

Nesse país, Eva teve dificuldades de integração, pois falava pouco francês. Em Viena a família tinha uma vida de classe média, na Bélgica passaram a viver em uma espécie de cortiço com várias outras famílias. Nesse lugar, a jovem foi abusada sexualmente, por um homem estranho e solitário.

Devido à várias dificuldades, a família resolve mudar-se para Amsterdã, na Holanda. Nesse país o clima de camaradagem cresceu entre os judeus e vizinhos. Foi nesse período que a narradora conheceu Anne Frank.

O apartamento dos Frank ficava em frente ao de Eva. A referida família tinha um gato listrado que ronronava de satisfação, quando era pego no colo. Ela descreve Anne Frank como uma garota extremamente vaidosa, sempre arrumada e bonita. Não era muito popular e nem dada a brincadeiras.

“Pensávamos estar em segurança, vivendo na Holanda, e nos acomodamos desfrutando a nova vida. Então, para horror de todos, os nazistas invadiram o país”. A Holanda estava sob controle total dos alemães e havia soldados por toda a parte. Eles viviam ameaçando soltar os diques e inundar Amsterdã, caso os holandeses oferecessem resistência.

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A população holandesa aplaudindo os nazistas. Apesar da resistência, os alemães contavam com diversos apoiadores.

Hitler decretou que as crianças judias tinham que frequentar escolas judaicas, a serem especialmente aberta para elas.  Não havia permissão para se misturarem com outras crianças em escolas holandesas e seria preciso contratar professores judeus, já que cristãos não tinham autorização para ensina-los.

Todos de origem judaica tinham que estar em casa às 20 horas e não podiam ir à cinemas, concertos ou teatros. Não tinham permissão para utilizar bondes ou trem e só podiam fazer compras em lojas judaicas.

Todos os judeus tinham que usar Estrela de Davi amarela clara na roupa. Em 19 de fevereiro de 1941, 400 jovens judeus foram detidos. Em 25 de fevereiro os sindicatos holandeses organizaram uma greve geral em solidariedade aos judeus e todos os transportes e serviços foram paralisados por 2 dias.

Os alemães começaram a fazer reféns e a matá-los se a vida normal não fosse imediatamente retomada. Alguns holandeses também começaram a usar a Estrela de Davi para confundir as autoridades.

Nesse ínterim, a família de Eva permaneceu escondida em casas de holandeses, que participavam da resistência. A família foi delatada, pois os nazistas ofereciam recompensas para quem entregassem os judeus.

Em uma manhã, no dia de seu aniversário, a Gestapo invadiu a casa e capturou as duas, mãe e filha. Eva não conseguiu entender porque somente com 15 anos ela passou a ser uma pessoa indesejada, só por ser judia.

Após ser espancada, Eva e a família foram enviadas à Auschwitz em um trem de gado. Chegando ao campo de concentração o primeiro trauma: a raspagem dos cabelos. Ela perdeu o nome e ganhou uma tatuagem com seu número. As roupas foram embora, ela ganhou uma roupa listrada e suja. Um sapato qualquer de um número, que não era o seu.

Uma vantagem foi que Eva conseguiu ficar com sua mãe, isso lhe dava um pouco de conforto.

Conforme relatado também por Primo Levi, as vasilhas para comida e canecas eram disputadas a tapa. Eva e Mutti passaram fome, trocando sua parca comida por esses utensílios. A sujeira e desconforto também eram constantes na vida nos campos de concentração.

Os prisioneiros eram atacados por ratos, percevejos e piolhos. Os banheiros eram uma imundície e ninguém poderia usá-los quando sentisse necessidade, mas tinha que esperar a vez do seu bloco para utilizar. Tudo acontecia com uma ordem espantosa.

Para dormir era um desespero. Todas dormiam amontoadas e quando uma se virava todas tinham que se virar também.

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Foto de Auschwitz, tirada pelos soviéticos, quando libertaram o campo. Os prisioneiros dormiam amontoados em condições deploráveis.

A comida oferecida era um pedaço de pão preto e uma sopa rala para o dia todo. As pessoas morriam de inanição, problemas pulmonares e tifo.

As kapos são descritas como pessoas cruéis, pois espancavam uma prisioneira sem a menor cerimônia.

Em Auschwitz homens e mulheres ficavam separados, portanto elas não tinham a menor noção se o pai e irmão estavam vivos.

Um ponto muito terrível foi quando Mutti foi selecionada por Mengele para a câmera de gás. O sofrimento de Eva foi indescritível. No entanto, no último momento, a mãe foi salva por uma prima, que trabalha para o “doutor da morte”.

Em 27 de janeiro de 1945, o referido campo foi liberto por tropas soviéticas em batalhas que duraram dias. Eva descreve que em um momento viu no campo um homem, com roupas que pareciam pele de urso. Ela levou um susto, pois nunca tinha visto algo parecido, era um soldado soviético.

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Militares soviéticos em Auschwitz, carregando um jovem de 15 anos.

Nesse ínterim, Eva teve que enterrar os mortos….uma triste lembrança. Com os soviéticos ela foi até Kiev na Ucrânia e trabalhou em prol do Exército Vermelho.

Com o fim da guerra a narradora e sua mãe conseguiram voltar para a Holanda. O país estava devastado, muitas pessoas haviam morrido de fome, a dor e a revolta eram muito grandes.

Os holandeses guardaram o apartamento da família e elas puderam retornar para seu antigo lar. Eva começou a procurar por notícias do pai e do irmão. Quando conseguiu, o baque! Eles haviam sido assassinados em Auschwitz.

No pós guerra o desafio de lidar com os traumas. A gengiva de Eva sangrava todas as noites, devido a falta de vitaminas. Eva e Mutti estavam sem emprego e sem dinheiro. As noites eram horríveis, pois os pesadelos eram constantes. Foi nesse momento que elas encontraram Otto Frank, pai de Anne Frank

Ele se tornou mais próximo das duas, pois a dor os uniam. Otto sempre se preocupava com a possibilidade de Eva cair em depressão. Ele não a deixava dormir até mais tarde e sempre a incentivava a sair de casa.

A narradora ficou um tempo na Inglaterra e fez um curso de fotografia, pois o pai de Anne Frank a aconselhou a trabalhar por conta, devido ao trama, que a maioria dos sobreviventes adquiriu em lidar com autoridades.

Na Inglaterra Eva conheceu Zvi Schloss, um jovem israelense, que teve a sorte de sua família fugir da Europa antes do Holocausto. Com ele a jovem se casou e teve três filhas.

O temperamento de Eva mudou depois de Auschwitz. Ela se tornou uma pessoa sem paciência e muita das vezes triste e temperamental. Perdeu muito da autoconfiança, que era sua característica.

Mutti casou-se com Otto Frank e Eva tornou-se mais próxima dele. Segundo seu relato, o pai de Anne Frank vivia em prol de preservar a memória da filha, sempre envolvido em projetos com esse objetivo. No ambiente familiar ele sempre mencionava o nome da filha mais nova, parece que foi uma maneira que ele encontrou de lidar com o luto.

Eva atualmente trabalha no Instituto Anne Frank e dá palestras sobre o Holocausto.

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Eva Schloss em uma foto atual.

http://auschwitz.org/en/museum/news/

Entrevista com Eva Schloss:

 https://www.youtube.com/watch?v=JQbDBF-Dscs

 

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6 comentários sobre “Resenha Livro: A história de Eva. Como a meia-irmã de Anne Frank sobreviveu ao Holocausto. Eva Schloss com Evelyn Julia.

  1. Muito significante este post. Quando lemos relatos como esse, são tão cruéis que não parece ser possível algo assim ter acontecido, não é? Por isso mesmo precisamos ser relembrados disso e nunca deixar qualquer coisa parecida acontecer de novo.
    Bjs, Ju.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Uma das muitas histórias tristes sobre os sobreviventes dos campos de concentração. Um pedaço da história que jamais deve ser esquecida. Sobre a situação da família na Holanda tem uma serie no Netflix chamado Riphagen (se não me engano) que trata exatamente sobre essas barbaridades contadas no livro. Seu texto é excelente.

    Curtido por 1 pessoa

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