Resenha Filme: Precisamos falar sobre o Kevin – Lynne Ramsay

A obra é baseada no livro homônimo de Lionel Shriver. Eu ainda não o li, mas está na minha lista.

O filme começa com uma mulher se divertindo em uma tomatada na Espanha. A tela é tomada pelo vermelho, uma cor que irá nos acompanhar em boa parte do longa-metragem.

A narrativa é feita do ponto de vista da mãe de Kevin, Eva Katchadourian, que está tentando retomar a vida após uma tragédia familiar.

Até então, ela era uma bem sucedida escritora de livros turísticos, casada com dois filhos. Seu mundo desaba após seu filho Kevin matar a sangue frio sete colegas, uma professora e um servente na escola.

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Eva após a tragédia com uma vida devastada. Imagem de divulgação.

De cara a obra discute o mito do instinto materno. Essa história de que todas as mulheres são muito felizes com a maternidade, que todas só se sentem completas sendo mães.

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Eva não consegue se conectar com o bebê. Imagem de divulgação.

Eva, pelo que me pareceu, sofreu de depressão pós-parto. Ela não aguentava o choro do bebê, se sentia fadigada e triste. Não houve conexão entre mãe e filho.

Kevin na primeira infância já mostrava sinais, de que não estava bem. Em uma cena aparece Eva arrumando seu quarto e posteriormente o filho jogando tinta em cima da parede para estraga-la.

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Kevin estraga toda a pintura do quarto da mãe. Imagem de divulgação.

Em outro momento o menino já com 7 anos se recusa a usar o banheiro, pelo puro prazer de ver sua mãe limpar-lhe.

As cenas são angustiantes…Em outro momento vemos o jeito em que ele trata a irmã mais nova, com extrema grosseria.

Quero chamar a atenção para observarmos o pai de Kevin. Ele trata o menino como um docinho de coco. Parece que vive em uma total negação da realidade do filho.

O hamster da irmã é assassinado misteriosamente. A mãe sabe, que foi Kevin. O pai, no entanto, põe panos quentes.

Em um momento terrível, Kevin é responsável por cegar a irmã de um olho! Eva sabe que foi proposital. Mas, a atitude do pai me deixou perplexa. Ele disse ao filho: “Nós não queremos que você se sinta culpado. ” Gente como assim?

Primeiro, se você percebe que seu filho tem um problema sério, por que criar um hamster? Segundo, como você deixa sua filha indefesa sob os cuidados de alguém, que já tinha demonstrado por A + B, que tinha algo errado?

Na minha opinião, Franklin (pai) entrou em um processo de negação. Na psicologia, a negação é um processo de defesa psíquica, que consiste em negar aquilo que realmente aconteceu ou acontece. Seria mais ou menos assim, se eu não penso nisso não existe.

Por mais que Kevin tratasse bem ao pai, dava para perceber, que o menino tinha problemas graves. Então, Franklin possivelmente vivia na negação.

Por favor, quem tem gente desse tipo na família, não crie hamsters, cachorros, gatos e não deem um arco e flecha de presente. De maneira nenhuma deixe uma criança sob os cuidados de um ser desse. A sociedade agradece.

Eva conhecia Kevin muito bem, ela sabia com quem estava lidando. Mas, fica uma questão, como lidar com um filho psicopata?

Outra questão que coloco. Os pais são culpados? Eu acho que não, visto que o psicopata nasce com uma anomalia no cérebro, que o impossibilita de desenvolver empatia.

O filme mostra como Eva foi crucificada pela vizinhança. Ela andava nas ruas e apanhava das pessoas. Sua casa vivia coberta de tinta vermelha.

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A casa de Eva foi coberta por tinta vermelha. Imagem de divulgação.

Nós precisamos parar de responsabilizar os pais por tudo. Nem tudo é devido a criação. Nenhuma criança é uma tábula rasa, um papel em branco. As pessoas têm características que são inatas. Vamos lidar com isso.

Fica a dica de um filme imperdível, que com certeza fará você questionar muito!

Se você quiser ver uma resenha sobre o livro da Lionel Shriver, “Precisamos falar sobre Kevin”, sugiro essa do blog 1 Pedra no caminho.

https://1pedranocaminho.wordpress.com/2017/02/21/precisamos-falar-sobre-o-kevin-de-lionel-shriver/

 

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7 comentários sobre “Resenha Filme: Precisamos falar sobre o Kevin – Lynne Ramsay

  1. Ótima resenha de um filme que parece angustiante. A sociedade só reconhece o psicopata depois que ele causa um estrago muito evidente como matar pessoas. Para a mãe deve ser uma dor e um vazio sem fim, sem falar no sentimento de culpa, mesmo sendo algo que foge do controle materno.

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    • Oi Ludoevico, é verdade. Por quantas pessoas o Kevin passou além dos pais. Podemos pensar nos professores, diretores de escola, médicos. Ninguém percebeu algo de errado? Pelo jeito ele nasceu psicopata, mas uma sociedade belicista como a americana, pode ter contribuído muito. Abraços.

      Curtido por 1 pessoa

  2. Gostei muito do filme quando assistir e ele realmente desperta muitas angústias. O livro também é excelente e me deixou ainda mais apreensiva, mesmo sabendo como grande parte dos acontecimentos seriam (li o livro depois). Otima resenha!

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  3. Oi Juliane, eu assisti ao filme. E no final, ela prepara o quarto da nova casa para receber o filho, quando ficasse livre da prisão. Eu fiquei com isso na cabeça, querendo imaginar o futuro desta relação. Como o filme se baseou em fatos reais, como será a vida atual do Kelvin e de sua mãe? Daria outro filme, não é?!
    Abraço.

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