Resenha: Dostoiévski e o Parricídio – Sigmund Freud

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Sigmund Freud em sua biblioteca (1856-1939)

           Nesse famoso ensaio sobre Dostoiévski, Freud retoma a tese construída em sua obra Totem e Tabu, de que o parricídio foi o crime primevo da humanidade.

            O mito diz que o patriarca possuía todas as mulheres e os filhos com raiva mataram o pai, surgindo assim o sentimento de culpa. Dessa forma, o incesto passou a ser considerado um tabu em todas as sociedades.

            O parricídio para Freud é o elemento fundador da civilização. Não é à toa que três das obras primas de todos os tempos, tratem do parricídio: Édipo-Rei de Sófocles, Hamlet de Shakespeare e Os Irmãos Karamazov de Dostoiévski.

               Freud desenvolve a tese de que Dostoiévski nunca se libertou do sentimento de culpa oriundo de sua intenção de matar seu pai.

            Esse sentimento foi determinante para explicar as atitudes na vida do escritor. A primeira dela foi sua completa submissão ao czar e também sua devoção à Ortodoxia.

            Segundo Freud, Dostoiévski esperava redimir-se da culpa, fazendo uso dos sofrimentos, imitando a Cristo. A personalidade do escritor, poderia ser dividida em 4 faces: O artista criador, o neurótico, o moralista e o pecador.

            Dostoievski era altamente moralista. Só um grande pecador poderia se tornar tão moralista. Depois de muita luta conciliou seu instinto com as exigências sociais, caindo na posição retrógrada de submissão aos ideais cristãos-ortodoxos, ao nacionalismo russo e a veneração ao czar.

            A compulsão pelo jogo colocou o escritor como um pecador. No entanto, a grande bondade demonstrada para com os outros, quando poderia ser vingativo, fez com que ele direcionasse a sua raiva contra si mesmo. Sua biografia é repleta de atitudes masoquistas.

            Dostoiévski considerava-se epilético, devido as suas graves crises, que se caracterizavam-se por perda de consciência, convulsões musculares e uma melancolia posterior.

            No entanto, essa doença era na verdade uma histeria grave. Os ataques assumiram a forma epilética, quando o escritor tinha 18 anos, idade em que seu pai foi assassinado.

            Sem sombra de dúvida, há uma vinculação existente entre o assassinato do pai de Dostoievski e o parricídio em Os Irmãos Karamazov. Ele morria de medo da morte desde a infância e esse sentimento deriva de uma identificação com quem está morto de fato ou alguém que está vivo, mas desejamos que morra. (Referência ao complexo de Édipo)

            Dessa forma, os sintomas da epilepsia tinham um caráter punitivo. Posteriormente, o escritor tornou-se um jogador compulsivo. Ele nunca descansava antes de ter perdido tudo. Para ele, o jogo também era um método de autopunição.

            Quando perdia tudo sentia uma satisfação patológica. Quando essas coisas aconteciam sua produção literária ficava muitíssimo bem.

            Assim, Freud através desse texto, pontua que todo o criminoso, com exceção dos psicóticos tem o desejo latente de ser punido.

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Representação de Dostoiévski (1821-1881). 

 

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