Resenha Livro: O mal-estar na civilização – Sigmund Freud

Sigmund Freud.

Sigmund Freud foi médico neurologista e fundador da psicanálise. Ingressou na Faculdade de Medicina em Viena com apenas 17 anos. Para curar doenças que não tinham um fundo biológico, ele começou a utilizar a hipnose, como forma de acesso aos conteúdos mentais.

Ao observar a metodologia do médico francês Charcot e baseando-se em suas próprias pesquisas, Freud chegou a conclusão de que principalmente a histeria era uma doença psicológica e não orgânica, como acreditava-se.

O mal-estar na civilização foi publicado como um livro autônomo em Viena- 1930. Nessa obra o autor discorre sobre a dificuldade do homem em conciliar seus instintos básicos com as demandas da civilização.

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Freud retoma sua obra Totem e Tabu (1921) e o mito do parricídio como fundador da civilização. Inicialmente existia um pai terrível, que possuía todas as mulheres e impunha sua vontade de maneira arbitrária.

Esse patriarca teria sido assassinado pelos filhos, e a partir disso se estabeleceu um contrato social, de que ninguém tomaria o lugar do pai. O tabu do incesto surge nesse contexto, sendo a primeira lei que fundamenta uma sociedade, visto que o incesto é algo anti-social.

A partir disso, o ser humano começa a desenvolver o sentimento de culpa dando origem a instância denominada Superego ou Supereu. Constituindo um modelo internalizado da realidade social, que dá ênfase as figuras de autoridade dentro da realidade psíquica.

Para Freud os instintos dirigem o comportamento humano. Esse conceito é denominado Princípio do Prazer, seu funcionamento fica localizado na instância, que o psicanalista chamou de ID. Essa parte da psiquê não é governada pela lógica, sendo a primeira realidade subjetiva do indivíduo.

O Ego seria a instância que regula a mente, funcionando como um intermediário entre o ID e o Superego. Nela está o nosso princípio de realidade e nossa interação com o meio social.

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A consciência é uma parte muito pequena de nossa psiquê.

Eros (impulso sexual ou força criativa) e Thânatos (pulsão de morte ou força destrutiva) são duas forças que impulsionam o ser humano. Somos extremamente estimulados pela ação e o equilíbrio dessas duas energias.

Dentro da pulsão de morte temos uma agressividade inata, que sempre buscamos gratificar. Essa agressividade é sempre direcionada a outro grupo, o que Freud denominou de “narcisismo das pequenas diferenças”. Por exemplo, a hostilidade entre ingleses e escoceses, alemães do sul e do norte, etc. Não precisa ser necessariamente uma hostilidade ultra violenta.

Um exemplo, utilizado por Freud, foi os pogrons (ataques à comunidade judaica). Todos os massacres a judeus, proferidos por cristãos durante da Idade Média, não contribuiu para tornar a época mais pacífica e segura para os europeus, pois o ser humano tem um instinto destrutivo em sua constituição, portanto, eliminar o outro não significará acesso à felicidade.

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Representação de um pogrom em Frankfurt, 1614. A eliminação do outro não trará felicidade.

Outro exemplo, seria se eliminarmos o direito pessoal aos bens materiais. Ainda haverá o privilégio em detrimento as relações sexuais, que pode se tornar fonte do mais vivo desgosto e da mais violenta inimizade entre as pessoas.

Alguns grupos já chegaram a questionar como ficaríamos com a eliminação da família, que é a célula germinal da civilização. Não temos como saber, mas uma coisa é certa a natureza humana não se modificaria.

A religião é uma questão desenvolvida por Freud. Ele acredita que a crença em um deus seria decorrente de uma mente infantil, que precisa ser protegida. Sendo a religião também um elemento fundante da civilização.

Nossas principais fontes de sofrimento consistem em não dominarmos completamente a natureza e nosso corpo, que envelhece e fica doente e a cultura, que apesar de ter sido criada por nós não nos protege.

Freud finaliza a obra questionando em que medida a evolução cultural poderá controlar as perturbações trazidas à vida pelos instintos humanos de agressão e autodestruição. Caberia esperarmos que o eterno Eros, empreenda um esforço para afirmar-se na luta contra a adversária Pulsão de Morte.

A artista Marina Abramovic fez um experimento, em que disse à platéia que não se moveria durante 6 horas. Veja o que aconteceu……Esse experimento corrobora as teses de Freud.

http://historiascomvalor.com/artista-corpo-objeto/

Marina Abramovic em um experimento. Ela não poderia se mover durante 6 horas, não importando o que aconteceria.

Outro experimento foi feito na O Experimento da Prisão de Stanford foi uma experiência psicológica destinada a investigar o comportamento humano em uma sociedade, na qual os indivíduos são definidos apenas pelo grupo. O experimento envolveu a atribuição, dos voluntários que concordaram em participar, a papéis de guardas e prisioneiros em uma prisão simulada. Foi realizado em 1971, por uma equipe de pesquisadores liderada pelo professor Philip Zimbardo, da Universidade Stanford. Os resultados inesperados foram terríveis, que o experimento teve que ser interrompido antes de sua conclusão.

 

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9 comentários sobre “Resenha Livro: O mal-estar na civilização – Sigmund Freud

  1. Que texto sensacional. Esse experimento é realmente assustador, mais ainda porque depois de tudo o que fizeram, voltaram à normalidade, como se nada tivessem feito. Isso me lembra um documentário sobre Auschwitz que mostrava o diretor do campo de concentração brincando com suas filhas depois de ordenar o extermínio de centenas de pessoas, como se tudo fosse bem normal. O ser humano é capaz de muitas coisas que nem tem ideia. Coisas boas e ruins.
    Muito legal sua resenha.

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