Resenha filme: Ela (Her) – Spike Jonze

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Eu vou começar essa resenha dizendo: Gente que filme!!! Eu tenho certeza que ele ficará com você por um bom tempo!!

A narrativa se passa em um futuro próximo. O protagonista Theodore (Joaquim Phoenix) trabalha em uma agência, que envia lindas cartas manuscritas para as pessoas, que desejam agraciar um namorado (a), um filho (a), pai, mãe. Temos uma questão importante: Os relacionamentos são tão pobres, que as pessoas não conseguem se expressar e precisam dos serviços dessa empresa.

Theodore está recém-separado e sente um imenso vazio deixado pela falta de Catherine, sua ex-esposa. Caminhando pelas ruas, ele vê uma propaganda de um sistema operacional e resolve comprá-lo.

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Theodore compra um sistema operacional. Imagem de divulgação.

O protagonista começa a conversar com o sistema, que lhe responde e inclusive demonstra sentimentos!
Samantha (nome do sistema operacional) é um “ser” perfeito. Ela incentiva Theodore, organiza sua rotina e acima de tudo tem um grandioso amor pela vida.

O vazio que Theodore sente é tanto, que ele acaba se apaixonando pelo sistema e começa a namorar. O relacionamento anterior do protagonista, que conhecemos através de flashbacks, tinha muito contato físico e afeto e essa falta o deixou em um estado melancólico.

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Theodore conversando com Samantha na rua. Imagem de divulgação.

O filme não deixa claro, mas eu acredito que a interação de Samantha com Theodore, seja fruto de um mecanismo de projeção dele.

Em uma abordagem jungiana, a projeção consiste em determinados conteúdos psíquicos de um sujeito são deslocados e percebidos como se pertencessem a um objeto externo.

Dessa forma, acredito que a personalidade de Samantha seja uma transferência do próprio Theodore, ela se tornou para ele o que ele queria, e não o que de fato era – um sistema.

Uma pista a respeito da personalidade de Theodore nos é dada, quando ele se encontra com Catherine – sua ex-esposa. Ele confessa que está se relacionando com um sistema operacional.

Catherine força-o a confrontar a realidade, afirmando que ele namora com um computador, pois não consegue lidar com emoções reais e nem situações adversas.

Isso posto, entendemos que o protagonista tinha uma mente infantil, por isso não queria lidar com uma mulher complexa, com defeitos e qualidades.

Em uma cena, que para mim é muito triste, o protagonista leva Samantha (o sistema fica dentro de algo que parece uma agenda), para a praia. Tomamos contato com a extrema solidão e carência da personagem, me deu muita pena.

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Theodore leva Samantha a praia. Imagem de divulgação.

A situação de Theodore chega a tal ponto que eles fazem sexo. Aí você se pergunta, não temos dois corpos se relacionando, certo? Isso eu vou deixar para vocês verem no filme.

Theodore anda pelas ruas e vemos pessoas falando sozinhas com seus sistemas, gesticulando e fechadas em si mesmas. Uma geração ansiosa, solitária, vivendo em uma megalópole lotada de gente e ao mesmo tempo vazia.

Os atores fizeram um trabalho sensacional. Joaquim Phoenix construiu uma personagem extremamente densa e praticamente contracena sozinho o filme inteiro. Scarlett Johansson, que dá voz ao sistema, nos faz esquecer que Samantha é um sistema de computador. A interpretação dela possibilita  entrar na “piração” de Theodore.

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Joaquim Phoenix fez um trabalho sensacional. Imagem de divulgação.

Para dar um aspecto moderno, Jonze utiliza tons pastéis e formas geométricas, capturando os raios de Sol, que iluminam com delicadeza as pessoas.

Esse filme me fez ficar pensando em nossas limitações emocionais. O quanto projetamos no outro as nossas angústias e desejos.

Filme maravilhoso é isso que eu posso dizer!

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15 comentários sobre “Resenha filme: Ela (Her) – Spike Jonze

  1. Ju, também achei esse filme maravilhoso. Gostei muito do seu comentário sobre a projeção. Eu vinha reinterpretando as atitudes do Theodore como depressão, mas não sou psicóloga né rs. É que ele passa muito tempo trancado em casa e parece que o término com a ex mulher já tinha se dado há muito tempo. Não sei se ainda poderia se caracterizar como luto. A crítica social é ferrenha: vamos continuar vivendo nesse ritmo de megalópole, imposto a nós por tantas instâncias? É algo a ser pensado. Tenho uma indicação de filme com um ator que admiro muito, Tom Hardy (fez o novo Mad Max e The Revenant). O filme é Locke. O filme é somente ele na tela o tempo todo, parecido com o estilo de Her. Já viu?

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    • Oi Renata, não conheço esse filme, vou dar uma procurada. Eu também não sou psicóloga…risos…apesar de ter estudado psicanálise. Eu acho que o Thedore estava em luto, além de ser extremamente solitário. E esse ritmo que é imposto a nós está nos deixando a cada dia mais doentes. Obrigada pelo comentário!! Bjs!

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  2. Eu amo tanto, tanto, mas tanto esse filme! Ele me passa uma sensação de solidão, desespero, urgência em viver ao mesmo tempo em que me faz querer me ligar mais às pessoas que amo e me preocupar em como anda o emocional/psicológico delas. ‘Her’ é incrivelmente tocante! Ótima resenha!

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  3. Olá, Juliane! Realmente, também achei o filme maravilhoso e tudo mais! Parece um episódio estendido de Black Mirror. Mas depois que assisti Medianeras [onde penso que tema é abordado com mais maturidade], mudei minha visão a respeito do filme. Talvez seja rabugice minha, mas sei lá. De uns tempos pra cá tenho um pouco de resistência a Hollywood. [Culpa da Globo!] Ótima resenha, como sempre!

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    • Eu tenho a Hollywood e muita Globo (honestamente, faz muito tempo que eu não assisto essa emissora, acho que mais de 1 ano). Mas, vou te falar, esse filme me pegou!! Comecei assistir sem dar muita coisa por ele…..Quando terminou eu não parava de falar nele!! Abçs!!!

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