Resenha Livro: A Elegância do Ouriço – Muriel Barbery

Você sabe o por que você está aqui? Você já se sentiu deslocado? Você já se sentiu invisível?

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A elegância do ouriço é uma obra permeada por questionamentos existenciais.As perguntas acima permeiam o livro inteiro, fazendo parte dos pensamentos rotineiros das personagens.

Renée é uma mulher de 54 anos, zeladora de um prédio de elite em Paris. Viúva, extremamente inteligente, autodidata, leitora voraz de filosofia e literatura russa, tanto é, que seu gato chama-se Leon, em homenagem a Tolstoi, ela se esconde por trás da máscara de uma simples proletária.

Paloma é uma menina rica, extremamente inteligente, que não vê sentido nenhum na vida. Ela é extremamente crítica à sociedade e à sua família. Para escapar de uma existência triste, na qual ela poderia vir a se casar com um jovem rico e chato, participar eternamente de jantares vazios, reproduzindo a existência medíocre dos pais, ela resolve que aos 13 anos irá se suicidar, tomando remédios e colocando fogo no apartamento.

A obra é narrada em primeira pessoa por Renée e tem uns capítulos, que são digressões de Paloma, no qual ela chama de pensamentos profundos.

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Renée sentia-se extremante deslocada e acreditava que precisava vestir uma máscara de zeladora rude e boba, porque era isso que esperavam dela. Os ouriços são criaturas solitárias e espinhosas do lado de fora, mas extremamente refinadas e complexas por dentro, assim como ela.

A protagonista poderia ter razão, talvez se ela demonstrasse a sua real personalidade não seria aceita. No entanto, eu senti que Renée tinha uma profunda necessidade de se esconder.

No final do livro, ela narra um acontecimento de sua infância que a marcou profundamente. Esse fato a marcará na vida, sendo o responsável pelas atitudes posteriores de isolamento social.

Para os ricos, moradores do condomínio, Renée era invisível, nunca ninguém de fato a olhava como um ser humano complexo. No entanto, a recíproca era verdadeira.

Renée nutria um profundo desprezo pelos ricos, principalmente em relação à família de Paloma. A protagonista chamava Colombe, irmã da menina, de loira vara-pau mau vestida, como uma cigana miserável. A mãe delas ela considerava uma idiota.

Paloma também nutria profundo desprezo por sua família. Seus pais eram socialistas e fingiam ter interesses pelas pessoas. Atitude que consistia em uma máscara social, no fundo eles viam as pessoas de maneira utilitária.

Colombe estudava filosofia para ter assunto nas rodinhas de “pessoas inteligentes” (copiando o conceito do Pondé). A família de Paloma era o esteriótipo da esquerda caviar.

O discurso vazio de sentido e permeado por clichês habitam o mundo da direita e da esquerda (acho esses conceitos limitantes).Pessoas bem intencionadas e abastadas, como a família da garota,  escondem a tristeza em compras de móveis bonitos, antidepressivos, plantas, teses de mestrado, etc.

Uma personagem entrará na trama alterando completamente a rotina. Trata-se do novo vizinho chamado Kakuro Ozu, que é a única pessoa, além de Paloma, que olhará de fato para Renée.

O novo morador do condomínio demonstrará a capacidade de enxergar além das máscaras e funções sociais, e para ele a protagonista se revelará. Uma história bonita surge nessa relação.

Além dos questionamentos existenciais, Muriel transmitiu a ideia, por meio da personagem de Renée, de que a cultura é universal e não pertence só as classes privilegiadas.

Sobre a autora:
Muriel Barbery nasceu em Bayeux, em 1969, e mora na Normandia, onde leciona filosofia. Estreou na literatura com o romance A morte do gourmet, traduzido em doze línguas. Seu segundo livro, A elegância do ouriço, foi uma sensação literária no mundo.

Muriel Barbery

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8 comentários sobre “Resenha Livro: A Elegância do Ouriço – Muriel Barbery

    • Oi Alan, eu tenho um posicionamento político diferente do Pondé, mas a crítica que ele faz a determinados setores da esquerda, eu concordo. Quando eu estava lendo o livro, me vinha em mente a imagem dele falando dos “jantares inteligentes”, de gente que acha que vai salvar o mundo, de dentro do seu apartamento…risos… Infelizmente, parte da esquerda brasileira e francesa é vazia. E você gosta dele?

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  1. eu adorei o livro quando eu li senti, que ele é aquele tipico livro sabe emocional e sentimentalista querendo ou nao simplesmente adorei, quero muito ler outros livros da autora

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  2. Pingback: Resenha Livro: A Elegância do Ouriço – Muriel Barbery – segundaguerraemplstico

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