Resenha Filme: Lida Baarová – Filip Renc

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Lida Baarová.

Lida Baarová é o nome artístico de Ludmila Babkova, nascida em Praga na Tchecoeslováquia, morreu em 2000 em Salzburgo. Foi uma atriz, conhecida por ser amante de Goebbels, ministro da propaganda do Partido Nazista.

O filme começa com Lida já idosa, dando entrevista à uma jornalista. A partir da sua narração, atores encenam os acontecimentos.

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Elenco de Lida Baarová. Imagem de divulgação.

A atriz chega a Berlim, governada pelos nazistas, com o sonho de fazer carreira. Conforme ela se divertia nas ruas com sua mãe, a juventude hitlerista marchava ao seu lado e para ela aquilo nada significava.

Lida é contratada para atuar em um filme alemão e posteriormente é descartada por ter sotaque. Ela se esforça bastante até falar perfeitamente. Posteriormente, ela é contratada para fazer um filme.

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Cartaz de divulgação de um filme de Lida Baarová.

Quando estão filmando, Hitler chega com Goebbels para ver as gravações. No set ela é apresentada aos dois.

Posteriormente, Lida começa a se envolver com o ator Gustav Frohlich, que a acompanha em uma festa de Goebbels. Lá todos percebem o interesse dele pela atriz.

Nessa festa, o ministro da propaganda pergunta se ela é antissemita, Lida hesita e diz, que não gosta dos judeus húngaros. Não dá para saber se ela falou isso só para agradar, ou se realmente acreditava.

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Lida com Goebbels. Imagem de divulgação.

Não sei se Lida realmente era como a atriz a representou. O filme mostra uma jovem sempre pronta para seduzir, seja pela maneira como fuma, pelo olhar, ou pelo jeito de andar tão forçado, que beirava ao ridículo.

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Lida Baarová sempre muito sedutora. Imagem de divulgação.

Goebbels era conhecido por ser um “garanhão” nenhuma mulher estava a salvo dele. E para fazer carreira no cinema uma mulher deveria estar ciente disso. Ele foi atrás de Lida e primeiramente lhe ofereceu vários buques de flores, depois um carro.

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Hitler e Goebbels.

Lida diz na entrevista: “Eu tinha uma vaga ideia do que era o nacional-socialismo e do que ele pretendia. Goebbels era um grande orador e ator, e logo conquistou o público.”

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Goebbels era considerado um bom orador.

 

Com o dinheiro que recebe por seus filmes e presentes, a atriz compra uma casa gigante para os pais na Tchecoeslováquia.  E sua mãe, grande apoiadora de sua carreira e sabendo que sua filha tinha um caso com o ministro da propaganda, diz ao pai: “Nós conseguimos”.

O pai de Lida tem uma visão mais realista da sociedade e alerta Lida de que ela poderá pagar um preço alto, por ser amante de Goebbels.

Lida, na entrevista, diz que muitas pessoas a invejavam e não escondiam isso. A cena corta para um empresário americano, dizendo a ela que sua carreira virará pó. Não acredito, honestamente, que essas pessoas a invejassem. Acho inclusive, que elas tinham clareza da situação política.

Em um dos encontros com Goebbels, Lida o questiona a respeito de uma guerra, que poderia eclodir (até então não havia começado). E o ministro de Hitler, diz: “Nós partiremos mais cedo ou mais tarde, não se preocupe, você está do lado certo”.

Nesse momento, a jornalista que a estava entrevistando, disse que não entende como uma pessoa que namorava um ator como Frölich poderia ter se apaixonado por Goebbels, e ela diz: Eu não preciso me defender, e isso é um privilégio de ser velha, menina!”

O filme representa Lida de maneira bem humana e complexa, não reduzindo-a à uma alpinista social alienada. Por exemplo, em um determinado momento, a polícia está fechando um restaurante, em que um judeu é dono, e perseguindo uma moça afro-americana, que estava cantando. Lida fica horrorizada com aquilo, como se não compreendesse essa postura.

Conforme o relacionamento deles vão se desenvolvendo, a atriz começa a receber muitos favores de Goebbels, como dinheiro para os filmes em que atuava.

Lida recebe uma proposta ótima para ir a Hollywood, porém recusa porque se dizia apaixonada pelo ministro da propaganda. O empresário norte-americano voltou a alertá-la, de que a carreira dela iria acabar.

Nesse ínterim, Magda, esposa de Goebbels, fica sabendo da traição do marido. Ela o confronta, mas recua, dizendo que o marido tem um importante dever para com a nação. “Ele iria fazer uma nova história”.

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Goebbels, sua esposa Magda e seus filhos.

Magda se reúne com Lida e diz que sabe da situação. No entanto, pede uma condição: Que ela não tenha filhos com o seu marido.

Goebbels passa a sair do controle e sua esposa procura Hitler, que determina que a atriz não atuará mais em filme algum. Lida passa a ser vigiada 24 horas e consegue fugir com a ajuda de uma pessoa, que trabalhava nas produções de longas metragens alemães.

No percurso, Lida viu a fatídica Noite dos Cristais em 1938, em que os nazistas atiravam pedras e queimavam estabelecimentos judeus. Ela se assustou com o ocorrido, mas não fica claro se ela começou a compreender com quem ela havia se relacionado.

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Foto da Noite dos Cristais em 1938.

De volta à casa, a mãe dela chorou porque ela havia deixado um casaco de pelo de raposa em Berlim. Seu pai demonstrou muita preocupação com a situação da filha. Sua irmã a rechaça dizendo que jamais ela deveria ter se envolvido com um nazista.

Com a vitória dos aliados, a Tchecoeslováquia passa a ser um país socialista. Lida vai presa por ter colaborado com os nazistas.

Os soviéticos interrogam a mãe da atriz perguntando de onde vinha o dinheiro da jovem. Ela acaba morrendo em um desses interrogatórios.

Enquanto isso Lida está presa em uma cela minúscula, onde mal conseguia ver o Sol. Sua irmã entra em depressão, porque além da morte da mãe e o pai doente, precisa lidar com a perda de papéis no teatro, por ser irmã da “amante do Goebbels”.

A atriz é julgada e condenada à morte por enforcamento. No último instante, o pai dela consegue salvá-la com um contato que ele tem no partido comunista. (isso não é spoiler, pois Lida está dando a entrevista)

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Lida é condenada à morte. Imagem de divulgação.

A carreira cinematográfica da atriz continuou após 1948. Ela fez vários filmes na Itália e depois na Espanha. Deixou o cinema em 1958, e dedicou sua vida ao teatro.

Em 1945, Goebbels cometeu o suicídio com Magda em frente ao bunker de Hitler. Pouco antes sua esposa envenenou os filhos do casal.

Lida pergunta à jornalista, o por que da entrevista e ela responde: “Eu queria conhecê-la e condená-la, mas não é tão simples assim. As coisas não são o que parecem a primeira vista. Seu castigo será sua culpa.”

Confesso que tive dificuldades em fazer essa resenha, pois não me identifiquei com a personagem.

Todos nós temos a tendência de demonizar qualquer pessoa, que tenha feito parte do nazismo. Apesar, de não ter me simpatizado em nenhum momento com  Lida, é difícil não reconhecer sua humanidade.

Também condenar Lida à morte é hipocrisia, pois sabemos que inúmeras pessoas se associaram ao nazismo e nunca pagaram por isso. Empresas como IBM, Ford, etc, enriqueceram muito com o capital nazista. Fazê-la pagar só por ser mulher, amante do Goebbels e também por não ter capital, tanto financeiro, como em conhecimento não é justo. (Visto que muitos cientistas não foram condenados, pois eram úteis)

Fica a dica de um filme razoável, que discute nossas responsabilidade perante a vida!

 

 

 

 

 

 

 

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12 comentários sobre “Resenha Filme: Lida Baarová – Filip Renc

  1. Achei que era uma ficção, mas ficou surpreso de saber que é um caso real. Alguns momentos relatos por você são discutíveis, como o fato dela não saber o que era o Nacional-Socialismo, em plena véspera da Guerra. Me parece que não sabia porque não queria saber devido, talvez, à sua condição financeira. Mas realmente não há julgamento. Lembrei do filme A Queda, que da mesma forma conta a história a partir de uma entrevista feita com uma secretária de Hitler nos momentos finais.
    Não ia ver o filme, mas depois de sua resenha certamente verei.
    Abraço.

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  2. Oi Ju. Assisti com meu marido e nós dois achamos que a Lida não era flor que se cheirasse, nem a mãe dela. Essas duas personagens parecem alienadas por opção e conveniência. Acho que ela mereceu ser presa, mas concordo que o enforcamento seria uma medida extrema e hipócrita pelas razões que você descreveu. Quanto ao filme, concordo com a sua avaliação. Achei o filme razoável, ao contrário da sua resenha que é sempre ótima! Valeu a reflexão. Beijos!

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    • Que bom que vcs assistiram!! Eu não gostei da Lida, nem da Lida – verdadeira, idosa, dando a entrevista…..Agora não sei se ela era nazista mesmo, ou se associou por conveniência, visto que o empresário americano ofereceu muito dinheiro para ela ir a Hollywood, e ela não quis. Diferente da secretária do Hitler no “A Queda”, que me pareceu não ter nada a ver com o partido nazista, simplesmente era um emprego para ela. Mas, também era uma pessoa alienada. Obrigada por comentar!! Bjs!

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  3. Eu assisti e achei que ela era uma boba útil, aproveitadora, como a maioria das atrizes que usam de sua sedução para se tornarem estrelas. não pareceu que ela tivesse consciência formada, era mais uma aspirante a “starlet” que só se preocupava em atingir seus objetivos, claro que ela parecia ter sido apaixonada por Goebbels, porém não o suficiente que fosse capaz de lutar por isso, não foi um exemplo de mulher, e sua importância hoje se deve muito mais ao fato de ter sido amante do que por sua carreira como atriz. Julga-la hoje como traidora é fora de contexto, naquele momento as pessoas estavam buscando sobreviver, o que ela fez não foi louvável mas não foi um caso isolado.

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    • Eu tenho dúvidas, se ela buscava só sobrevivência, talvez no início. O empresário americano ofereceu muito dinheiro para ela ir para os EUA e ela recusou. Inclusive ele a alertou várias vezes, que a carreira dela viraria pó. O pai e a irmã não eram muito felizes com o envolvimento dela com Goebbles, ao contrário da mãe. Acredito (o filme não deixa claro), que ela era uma boba e alienada, no início. Mas, que possivelmente tenha se tornado nazista e tenha se apaixonado mesmo por Goebbels. No entanto, executá-la como pretendia os soviéticos, eu achei uma atitude muito extrema, visto que muitos cientistas foram poupados, pois tinha um capital intelectual a oferecer. Obrigada, por compartilhar conosco suas impressões! Abraços.

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  4. “O filme começa com Lida já idosa, dando entrevista à uma jornalista” Oi Juliane, me desculpe se entendi errado, mas a frase acima dá a impressão que a própria Lida dá a entrevista à uma jornalista, quando na verdade foi representada pela atriz Zdenka Prochákova, mesmo porque a verdadeira Lida morreu em 2000 e o filme é recente. Quanto ao filme achei excelente porque (me parece) retratou fielmente uma situação real.

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