Resenha Livro: Amar, Verbo Intransitivo – Mário de Andrade

Amar, Verbo Intransitivo foi publicado em 1927 e recebeu muitas críticas na época, por tratar de algo tão comum na elite, mas pouco comentado, como a iniciação sexual dos rapazes por mulheres contratadas pela própria família.

Fazia muito tempo que eu não lia um livro tão chato. Não me identifiquei com nenhum personagem e o narrador pareceu uma pessoa doida.

O livro é narrado em terceira pessoa, com um narrador que chama mais atenção para si, do que para a história. Em alguns momentos ele prolonga uma cena e em outros momentos a corta, deixando o leitor sem saber o que aconteceu.

Em algumas passagens, ele simplesmente corta o enredo para comparar o caráter alemão com o brasileiro (essas partes são extremamente cansativas).

A narrativa versa sobre uma família da elite paulistana: Sousa Costa o pai, a esposa Laura, o filho mais velho Carlos e as três crianças: Maria Luísa, Laurita e Aldinha e a professora e governanta Fraulëin Elza.

Sousa Costa por indicação de um amigo resolve contratar Fraulëin (professora em alemão), como governanta e professora de piano e alemão para seus filhos. Porém, a real função da mulher era iniciar sexualmente seu filho e para tal função ela receberia muito bem.

Fraulëin é uma mulher com 31 anos, descrita pelo narrador com um temperamento tipicamente alemão. É extremamente pragmática, objetiva e rígida. Sonha com um romance, mas como sabe que é impossível prefere vive-lo na imaginação.

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Lição de amor (1975) é um filme dirigido por Eduardo Escorel, baseado no romance Amar, Verbo Intransitivo, do escritor Mário de Andrade.

Carlos é um jovem de 16 anos, um pouco sádico no relacionamento com as irmãs. Um garoto chato. 

Dona Laura é uma senhora submissa, que vive para a família. Sousa Costa é um homem com comportamentos típicos da elite, que tem medo que seu filho engravide alguma garota pobre ou pegue doenças de prostitutas.

O patriarca da família resolve levar Fraulëin para dentro do casarão, que de início estabelece um relacionamento cordial com as crianças da família.

Carlos começa a se interessar pela professora. Aprende alemão com facilidade, se interessa por piano e inclusive pede a professora que o ensine a costurar, para que ele possa ficar mais perto dela.

Dona Laura percebe o interesse do filho pela professora e pede que ela vá embora. Ao que Fraulëin questiona perguntando se ela não sabe o porquê da sua estadia na casa. Ambas vão questionar Sousa Costa, que esclarece a situação.

Após um tempo de convívio a alemã se insinua ao filho do patrão, que a beija. Depois ele vai até o quarto e eles tem a primeira noite. O narrador nesse momento corta a cena e nós ficamos sem saber direito como aconteceu.

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Lição de amor (1975) é um filme dirigido por Eduardo Escorel, baseado no romance Amar, Verbo Intransitivo, do escritor Mário de Andrade.

Em outro momento a família com Fraulëin se lança em uma viagem de trem para o interior de São Paulo. Conforme o trem vai andando eles caem um em cima do outro, Laurita acha que a palavra mictório é nome de cidade, Sousa Costa fica constrangido.

Depois, as meninas começam a pedir lanche, Aldinha cai em cima de outra criança com o lanche de na mão. Cena típica de comédia pastelão! Chato ao extremo. O narrador ficou páginas e páginas narrando essa viagem.

No final Sousa Costa combina com Fraulëin e eles flagram Carlos e a professora juntos e eles expulsam a mulher da casa. O rapaz sente falta da alemã, mas segue a sua vida.

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Cena do filme Lição de amor (1975) é um filme dirigido por Eduardo Escorel, baseado no romance Amar, Verbo Intransitivo, do escritor Mário de Andrade.

Mário de Andrade inovou na utilização da linguagem coloquial em romances. Também trabalha o humor e os aspectos da cultura popular. Encontramos palavras do vocabulário nordestino e mineiro, mesmo a história passando em São Paulo.

Alguns críticos literários dizem que o autor se identificava com a personagem de Fraulëin, pois além dele ser germanista e acreditar que a elite intelectual deveria se aproximar dos pensadores alemães e se afastar dos franceses, ele se sentia “prostituto” na sua relação com a elite. Não devemos esquecer que Mário de Andrade era o mais pobre dos modernistas.

Amar, Verbo Intransitivo é um livro importante, mas com muitas falhas, conforme o próprio autor admitiu em muitas cartas.

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