Resenha Filme: Filho de Saul – László Nemes

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László Nemes é nascido em Budapeste na Hungria. Ele se mudou para França ainda menino e estudou na Sorbonne História e Relações Internacionais. Filho de Saul foi seu primeiro longa.

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Entrada de Auschwitz.

A narrativa começa em 1944, no campo de concentração de Auschwitz. O protagonista é o judeu Saul, que faz parte do grupo de Sonderkommandos, também conhecidos como capos, que eram prisioneiros que tinham a função: limpar as câmeras de gaz após a utilização, tranquilizar os judeus que eram designados à morte, dizendo que tudo ficaria bem, jogar as cinzas dos mortos nos rios próximos e vigiar os presos.

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Foto de um crematório em Auschwitz.

Os Sonderkommandos eram muito mal vistos pelos judeus, pois eles exerciam poder sobre os mesmos. A maioria dos prisioneiros desse grupo acabavam se suicidando por sentimento de culpa.

Apesar de receber um pouco mais de comida, eles eram tão vítimas quanto os outros e é essa visão que o filme transmite.

Christian Harting (esq.) e and Géza Röhrig em cena de "Filho de Saul"

Os Sonderkommandos eram tão vítimas quanto os outros.

A câmera permanece em close-up durante quase todo o tempo, com foco no rosto de Saul. A terrível realidade é vislumbrada por nós nas bordas, ela é tão cruel que assim como a personagem não conseguimos encará-la. A sensação é de mal-estar o tempo todo.

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A câmera permanece quase o tempo inteiro em close-up.

Em uma das primeiras cenas, Saul está limpando o crematório e descobre um menino. Ele pega o corpo do garoto e esconde, pretendendo encontrar um rabino, para fazer a oração do Cadish, que é a oração dos mortos no judaísmo. Também ele pretendia enterrar o menino, visto que pelas leis judaicas é proibida a cremação.

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Saul a procura de um rabino, para orar o Cadish ao seu filho.

Conforme há o desenrolar da narrativa, vemos a busca constante de Saul por um rabino. Enquanto eles estão jogando as cinzas dos mortos no rio, ele descobre um rabino no Sonderkommando.

Ele então, pede que o mesmo vá com ele e ore pelo menino. O líder religioso se sente tão triste e culpado por ser rabi e estar no grupo de capos, que tenta suicídio por afogamento.

Os judeus capos estão tramando uma rebelião, eles vão tentar explodir um dos crematórios. Saul participará da trama, porém seu foco é encontrar um rabino, fato que o tornará ineficaz.

Em uma das cenas, o protagonista é encorajado pelos colegas a abandonar seu propósito, pois ele precisa lutar pelos vivos. Porém, ninguém o faz mudar de ideia. Em outro momento ele é questionado, a respeito da procedência do menino. Ele diz que o garoto é seu filho, mas seu colega diz que ele nunca teve filhos.

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Saul era encorajado a abandonar a procura por um rabino.

O destino das cinzas dos mortos não é conhecido por nenhum parente daqueles que morreram em campos de concentração. Isso dificulta a elaboração do luto.

Por isso, vemos os parentes dos que morreram nas mãos das ditaduras brasileiras e latino-americanas, lutando para recuperar os restos mortais de seus familiares e saber em quais circunstâncias morreram.

A atuação de Géza Röring, como Saul é memorável, visto que não era ator profissional. Ele é um poeta húngaro, que vive e trabalha em Nova York  como professor de estudos judaicos. Ele ficou órfão aos 4 anos, foi expulso da escola por ser anticomunista (a Hungria era um país comunista) e posteriormente publicou seu primeiro livro de poesia sobre Auschwitz.

Fica a dica de um filme excelente!

 

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11 comentários sobre “Resenha Filme: Filho de Saul – László Nemes

  1. Ótima indicação. Essa história sobre uma tentativa de explodir um dos crematórios de Auschwitz é verdadeira. O livro escrito por Miklos Nyiszli conta isso. Ele foi um prisioneiro do campo de concentração, mas como era médico acabou conseguindo sobreviver.
    Como sempre ótimo post.
    Abraço

    Curtido por 1 pessoa

  2. Pingback: Resenha Filme: Filho de Saul – László Nemes – segundaguerraemplstico

  3. Muito boa resenha, despertou a minha curiosidade para ver o filme. Gostei do paralelo que você traçou com referência aos desaparecidos políticos durante o regime militar tanto no Brasil como em outros países da América Latina. Parabéns!

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