Resenha livro: Macunaíma – Mário de Andrade

“No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói da nossa gente….”

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Grande Otelo como Macunaíma, filme de Joaquim Pedro de Andrade.

Macunaíma é a obra que expressa melhor os objetivos dos artistas Modernistas. Eles pretendiam equiparar a cultura brasileira às outras de prestígio. O Movimento Antropofágico acreditava que deveríamos aproveitar as qualidades de outras culturas e transformá-las em algo verdadeiramente nacional, daí a metáfora da antropofagia.

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Mário de Andrade.

O protagonista da obra, Macunaíma, nasce feio e preguiçoso. Considerado um herói sem nenhum caráter. Ele vive de pegar nas “graças” das índias e de “brincar” com elas. O herói habita as margens de um rio imaginário chamado Uraricoera, com sua mãe e seus irmãos Maanape, Jigué e sua cunhada Sofará.

Quando ele cresce, encontra Ci, a mãe do mato. O protagonista a domina e se casa com ela. Ci antes de morrer dá uma pedra (amuleto) para Macunaíma, chamada muiraquitã. Esse talismã vai parar nas mãos do gigante Venceslau Pietro Pietra.

Como o monstro mora em São Paulo, o herói e seus irmãos vão para a cidade  recuperar a pedra. Quando chega à cidade Macunaíma se assusta, pois não sabe se os homens viraram máquina ou se as máquinas viraram homens.

Em São Paulo, Macunaíma terá várias aventuras para recuperar a muiraquitã. Como se vestir de francesa para seduzir Venceslau Pietro Pietra, fazer magia no Rio de Janeiro, etc.

O herói é descrito como sem nenhum caráter, pois não é ligado à nenhum meio geográfico e também as etnias que o compõe são conflitantes. Na época a discussão das raças e suas características estavam em pauta.

Mário de Andrade teve muitas intenções ao escrever Macunaíma. No período, a falta de um caráter nacional, a cultura submissa e dividida do Brasil, o descaso com o nosso folclore, os preconceitos linguísticos, etc. eram preocupações dos artistas Modernistas.

Para que o Brasil tivesse uma cultura autônoma, Mário de Andrade acreditava que a oralidade deveria ser estudada. Na referida obra o autor faz referências  a lendas, folclores, crendices, costumes e comidas do interior do Brasil.

Macunaíma pertence a parte da população que desde a época do Brasil Colônia se desenvolveu às margens da sociedade: Negros forros, brancos livres e pobres, e índios aculturados. A instabilidade e a incoerência dessas existências deram origem a cultura da malandragem.

Com a alforria dos escravizados, a questão da sobrevivência continuou em pauta. Ela nunca está garantida e quando algo não sai como deveria, a vida se reduz à fome e a miséria.

Alimentação e sexo movem Macunaíma, porém há sempre um mal-estar no protagonista. Esse sentimento não advém da repressão instintiva, mas do abandono social que ele vive.

Quando ele chega em São Paulo, berço da industrialização, a realidade não é melhor. Ele descobre que a vida na cidade pode ser pior do que no interior.

A escassez assola tanto a mata, quanto à urbanidade, com seus imigrantes servindo de mão de obra barata e o negro relegado à trabalhos com menores salários e qualificações.

As pessoas são tão despersonalizadas, que Macunaíma não sabe se elas são máquinas ou gente. Também nessa parte, Mário de Andrade utiliza como recurso o animismo, crença que todas as coisas possuem alma (automóvel já foi onça).

Mário de Andrade divergia de José de Alencar, que apresentava os índios de forma utópica e romântica, com qualidades de cavaleiros medievais.

Assim, deixo com vocês um clássico da literatura brasileira!

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8 comentários

  1. Oies! Eu deveria ter lido no ano passado na disciplina de Literatura Brasileira I, mas como não deu tempo, foquei apenas em “Amar, verbo intransitivo” e “Pauliceia desvairada”, mais um livro que entra para a lista enorme de Meta de vida porque não li na faculdade, hahaha. Bjos

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