Resenha filme: A Fita Branca – Michael Haneke

Qual foi o papel da educação alemã para ascensão do nazismo?

A Fita Branca discute a educação na Alemanha antes de Hitler, visto que essas crianças serão os adultos que farão parte do exército nazista, da SS, executarão a violência da Noite dos Cristais, guardarão os Campos de Concentração, etc.

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As crianças são os futuros nazistas.

Em uma aldeia alemã protestante em 1913, fatos estranhos e violentos começam a acontecer.

O médico da cidade voltando para a casa sofre um acidente sério provocado por um arame esticado entre duas árvores.

Na festa da colheita, o filho do Barão sai de perto dos pais e depois de horas é encontrado com as calças abaixadas, na qual ele foi surrado até sangrar.

O celeiro da aldeia pega fogo, ninguém sabe como.

O filho de um aldeão de 4 anos foi encontrado atordoado indo para a cidade, depois de várias horas desaparecido.

Karli um menino, que tem síndrome de down, foi brutalmente torturado. Ninguém sabe quem foi e nem por quê fizeram isso com ele.

A sociedade é extremamente hipócrita, dentro de cada casa há muita podridão escondida.

A educação dada às crianças é severa. O Pastor, por exemplo, cria seus filhos com extrema rigorosidade.

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Os filhos dele andam com uma fita branca amarrada no braço, para lembrá-los de serem puros. Isso era comum na época e essa prática é considerada a antecessora da Estrela de Davi no braço dos judeus, que era, além de identificação, uma punição conferida pelos nazistas aos judeus.

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A fita branca era colocada no braço das crianças para lembrá-las a serem puras.

As crianças dormem com as mãos amarradas, para não se tocarem.

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As crianças dormiam com as mãos amarradas.

Em uma cena a filha do Pastor está bagunçando na sala de aula, quando seu pai chega para ministrar teologia. Ele puxa sua orelha e a coloca nos fundos da sala, a menina desmaia.

O narrador do filme é o professor da aldeia, que veio de outro lugar, o que possibilita a ele observar as pessoas com mais imparcialidade.

Ele se choca o tempo todo com as coisas que vê.
Em uma cena ele encontra o filho do Pastor tentando se suicidar. Quando ele socorre o garoto que diz: -“Estava vendo se Deus gostava de mim”.

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As crianças não passam de adultos em miniatura, as roupas e as expressões não são condizentes com a idade delas.

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Na época não existia o conceito de infância, que temos hoje. Então, elas são cobradas e por vezes massacradas, como se as crianças tivessem as condições de um adulto.

Quando a guerra chega em 1914, é um alívio, pois todos os ressentimentos podem ser direcionados a um inimigo em comum.

O nazismo acreditava que uma educação baseada na severidade produziria o tipo de homem e mulher que eles precisavam.

O elogiado durão seria a criança que recebeu uma educação que coube uma indiferença em relação a dor. Quem é severo consigo mesmo adquire o direito de ser severo com o outro.

A figura do judeu serviu para captar a mágoa em relação aos pais e à sociedade, que foi recalcada, sendo transferida para o outro. Isso acontece também em nossa sociedade (não  só com o judeu, mas com outras minorias também).

O filme não tem trilha sonora e foi filmado todo em preto e branco, dando a sensação que estamos em 1913.

Michael Haneke baseou-se nas fotos de crianças alemãs da época, para criar a filmografia e o enredo.

Fica a dica de um filme que nos traz reflexões importantíssimas.

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8 comentários sobre “Resenha filme: A Fita Branca – Michael Haneke

  1. Aloha, Juliane! De Haneke vi esse A Fita Branca, Caché e Violência Gratuita. A Fita, com certeza, pelo menos até agora, se mantém como sua obra-prima. Tenho curiosidade em assistir Amor e A Professora de Piano. Parabéns pela resenha. Um bjão!

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  2. Pingback: Resenha filme: A Professora de Piano – Michael Haneke | JuOrosco

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