Educação após Auschwitz – Theodor Adorno

Que Auschwitz não se repita. Essa deveria ser a meta de qualquer sociedade.

O Holocausto significou onze milhões de pessoas assassinadas de maneira planejada. Sendo 6 milhões de judeus, 1,5 de eslavos, além dos homossexuais, ciganos, deficientes mentais, comunistas, Testemunhas de Jeová e opositores do nazismo em geral ( não temos os números aproximados).

Os números são assustadores. Segundo Adorno, quem insiste em afirmar que o acontecido não foi tão grave assim, já está defendendo o que ocorreu, e sem dúvida assistiria ou colaboraria se tudo ocorresse de novo.

Em qualquer sociedade poderá haver outros direcionamentos para a fúria, que explodiu no nazismo, e possivelmente não sejam os judeus, mas outras minorias.

A violência nesses contextos não atingem a todos igualmente, mas somente as minorias, principalmente aquelas que aos olhos dos outros são as mais felizes (tem mais dinheiro, tem festas próprias, feriados, etc.)

Por isso, somente uma educação que seja emancipatória é capaz de fazer com que Auschwitz não se repita.

Durante o texto o filosofo não mostra fórmulas prontas, mas aponta direcionamentos para que a barbárie não aconteça novamente.

O primeiro ponto é o caráter manipulador versus as pessoas que se filiam ao coletivo cegamente. Esses indivíduos perdem a capacidade de pensar fora da caixa e acabam fazendo qualquer coisa que a eles forem solicitadas.

Pessoas com traços de sadismo reprimidos são produzidas em todos os lugares, não foi privilégio da Alemanha.

Por isso, uma educação que causa dor física deveria ser abolida, pois pode gerar uma identificação masoquista no indivíduo, que pode se tornar sádica, pois uma não vive sem a outra.

Na base da argumentação de Adorno está a psicanálise de Freud. Para o autor a civilização contém a barbárie, por isso que é muito difícil combatermos esse instinto no ser humano.

Somente a educação poderia fazer com que algo como o Holocausto não aconteça novamente.

O filósofo também analisa a indiferença, o que ele denomina de coisificação da mente. Valentões juvenis e líderes de quadrilha tem uma psiquê coisificada e depois coisificam os outros, transformando-os em objetos.

Outro ponto abordado por Adorno seria o direcionamento da libido para as mercadorias (fetichização).

Em sua pesquisa para compor seu estudo sobre a personalidade autoritária tinham pessoas que diziam, que amavam mais os equipamentos e instrumentos bonitos do que as pessoas.

Esses sujeitos trocavam afetos com coisas. Isso tranquilamente levaria uma pessoa a construir uma malha ferroviária para conduzir vítimas à Auschwitz sem questionar o que acontecerá com elas.

O nacionalismo exacerbado poderia gerar outro genocídio, pois teria poder de arregimentar as massas em prol de um ideal comum (transformar o outro em ameaça à existência).

Educação após Auschwitz foi uma palestra transmitida pela rádio de Hessen em 18 de abril de 1965.

Theodor Adorno era filósofo da Escola de Frankfurt, adepto da Teoria Crítica e autor de Dialética do Esclarecimento junto com Max Hokheimer.

Resultado de imagem para Auschwitz

Que o Holocausto não se repita.

 

Anúncios

11 comentários sobre “Educação após Auschwitz – Theodor Adorno

  1. Com toda certeza a educação está na base de tudo. Imagina aprender os ideais nazistas desde cedo, seria uma fábrica de monstros. Uma educação com mais afeto, sem violência, é muito mais significativa. Também deve haver a liberdade na educação, não ser algo focado em apenas um objeto. É preciso conhecer todos os lados da moeda. Muito bom o seu post.

    Curtido por 2 pessoas

      • Eu acho que ainda podemos aprofundar mais. Sou professor de História e concordo plenamente com você Juliane quando falamos sobre a questão da educação para vestibulares. Temos uma tradição Positivista na qual tendemos a criação de um modelo Conteudista de educação. Simplesmente pegamos um monte de conteudo e enfiamos na cabeça do aluno sem ter uma meta mais aprofundada de desenvolvimento dele. No caso de História é normal ver que há uma preocupação maior em decorar fatos e acontecimentos históricos do que desenvolver a capacidade de pensamento critico do jovem por exemplo (que no caso é o real objetivo da nossa area).

        Curtir

  2. Valorizar o ser e não o ter é uma tarefa difícil porque as famílias e as escolas precisam estar em sintonia para transmitir uma educação emancipatória, crítica e afetiva. Adorei seu post. Achei o texto, infelizmente, muito atual, porque hoje a maioria das crianças são educadas para trabalhar para consumir e coisificar as pessoas e as relações. Beijos

    Curtido por 1 pessoa

  3. Muito interessante. Li esse texto a poucos meses no mestrado e o que me chamou a atenção foi a forma como o autor trabalha com a dialética. Uma coisa pode ser boa e ao mesmo tempo má, dependendo da perspectiva.
    Outro ponto interessante foi a aproximação da história com a psicanálise, já que ele cita Freud em uma parte, e faz uma análise sobre essas características psicológicas que estariam da base dos nazistas mais violentos e sanguinários.
    Belo texto.
    Abraço.

    Curtido por 1 pessoa

  4. Eu gostaria de colocar uma questão aqui. É importante sim pensarmos em educação. Mas é importante pensarmos de uma forma Critica a essa ideia. Afinal a Alemanha Nazista tinha um modelo educacional avançado correto? Além disto até mesmo os ideais NaziFacistas eram totalmente recheados de conteudo didaticos e – considerado por eles – cientifico. Devemos lembrar também que a classe NaziFacista era representada por uma elite empresarial alemã, logo sendo uma população com acesso a educação.

    Por isso nao devemos apenas pensar em educação, mas devemos pensar em qual modelo e quem está criando tal educação.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s