Resenha livro: 1984 – George Orwell

George Orwell era o pseudônimo de Eric Blair. O autor nasceu na Índia Britânica, quando jovem serviu ao Exército Britânico e posteriormente lutou contra os fascistas na Guerra Civil Espanhola.

Essa experiência foi a base para a escrita de seus romances que versam sobre a experiência política, sendo eles uma crítica aos regimes totalitários nazista e stalinista.

1984 foi escrito em 1949 e descreve um mundo distópico (horrível), em que absolutamente tudo era controlado pelo Estado, desde a comida, os relacionamentos e até o sexo.

A sociedade de 1984, não é socialista, segundo Orwell. O Partido, que comanda essa sociedade, rejeita e avilta cada um dos princípios defendidos pelo socialismo.

O autor ficou incomodado com a fidelidade generalizada da esquerda ao stalinismo, mesmo diante de evidências esmagadoras da natureza ruim do regime: “Quase toda esquerda inglesa foi levada a aceitar o regime russo como socialista embora reconhecesse em silêncio que o espírito e a prática daquele regime eram inteiramente diferentes de tudo que significava socialismo.”

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O protagonista da narrativa é a personagem de Winston Smith, a obra integra sua voz com a do narrador.

Ele é um solitário e digamos um perdedor, um membro de uma classe média ressentida, cheio de raiva e impotente diante de todos que controlam sua vida.

Existem três blocos importantes: a Oceania (onde a história acontece), a Lestásia e a Eurásia.

Dentro da Oceania existem três estamentos: o núcleo do Partido, os intelectuais (seria a classe média) e os proletas (massa).

Winston trabalhava no Ministério da Verdade (seria da mentira) e sua função era modificar a História de acordo com os interesses do Partido.

O primeiro capítulo dedica-se a mostrar o ambiente em que o protagonista vive. A comida oferecida pelo Estado era uma sopa rala e as casas fediam a mofo e sujeira.

Todos os cidadãos eram controlados por teletelas, que vigiavam a pessoa 24 horas por dia.

Das teletelas saíam vozes que diziam para as pessoas fazerem exercícios físicos, comerem, dormirem e tudo mais.

Centenas de pôsteres do Big Brother (grande governador) estão espalhados pela cidade, a fim de lembrar às pessoas a importância da Revolução.

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O Grande Irmão está olhando você!

A Oceânia sempre está em guerra, às vezes, com a Lestasia ou com a Eurásia, o que justifica o regime de recessão imposta pelo Estado.

No bairro dos proletas (sujo e decadente) sempre tem bombas sendo jogadas para amedrontá-los e controlá-los, que segundo o Estado eram lançados pelos inimigos, porém era pelo próprio governo.

O Duplipensamento era um conceito criado pelo Partido que indicava a capacidade de ter na mente, ao mesmo tempo, duas opiniões contraditórias e aceitar a ambas. Isso visava retirar qualquer capacidade de julgamento da população:
1 – Guerra é Paz.
2 – Liberdade é escravidão.
3 – Ignorância é força.

A Novafala era o idioma oficial da Oceania e fora concebido para atender às necessidades ideológicas do Estado. O objetivo era eliminar as palavras, que o governo não aceitava e inibir qualquer forma de pensamento.

O vocabulário da Novafala foi elaborado de modo a conferir expressão exata a todos os significados que um membro do Partido pudesse querer apropriadamente transmitir, ao mesmo tempo que excluía todos os demais significados e inclusive a possibilidade de a pessoa chegar a eles por meios indiretos.

Todas as ambiguidades e nuances de sentido haviam sido expurgadas.

O Partido havia instituído os Dois Minutos de Ódio, todos os dias as teletelas mostravam o grande inimigo do povo, que era o Goldstein.
Uma foto dele aparecia e as pessoas gritavam: Morte ao Goldstein!

No entanto, nesse momento Winston comete um ato falho e grita: Abaixo o Big Brother!
Esse fato não teve consequências imediatas.

Posteriormente, o protagonista comprou em uma loja pequena no bairro dos proletas um diário.

Escondido em um canto, de costas para a teletela, Winston começa a divagar e escreve: 2 + 2 = 4. De acordo com o Partido 2 + 2 = 5.
Ele estava começando a ter pensamentos próprios e a tornar-se um rebelde.

Winston começa a perceber que tem uma moça que o observa. A impressão que passa é que ela o segue para todos os lugares.

Ele pensa em dar uma pedrada na cabeça dela, pois acha que a jovem pertence a Polícia das Idéias, um departamento que tinha por função reprimir.

Um dia ela aparece com o braço quebrado, pois trabalhava no Departamento da Ficção e acabou se acidentando.

O referido departamento não criava nada, as máquinas criavam revistas pornôs para apaziguar as paixões do proletas.

As máquinas criavam também as músicas e livros, com palavras jogadas a esmo e composições musicais aleatórias, que os proletas cantavam à exaustão.

Nesse mesmo dia, a moça chamada Julia lhe coloca disfarçadamente um bilhete em seu bolso, dizendo: Eu te amo!

Julia é uma pessoa livre, porém mais individualista do que o protagonista. Ficamos angustiados em imaginar como este ideal fantasioso de liberdade, poderia sobreviver em um sistema em que tudo é controlado.

Posteriormente, eles começam a se relacionar sexualmente e sentir uma ternura recíproca, o que era terminantemente proibido pelo Partido.

Winston aluga um quarto no bairro dos proletas e começa a se encontrar-se com Julia. Lá eles fazem café contrabandeado, ela se maquia (algo proibido pelo governo) e se relacionam.

A jovem descobre que O’Brien, amigo de Winston, era contra o Partido. Eles marcam uma reunião na casa do mesmo, para combinar como poderiam se revoltar.

O protagonista recebe um livro secreto autoria do Goldstein, “Teoria e Prática do Coletivismo Oligárquico”, nele contém vários aspectos sobre o governo da Oceânia.

O protagonista em nome de uma revolução, promete fazer qualquer coisa até jogar ácido em crianças.

A partir daqui deixarei o restante da história com vocês.

O assassinato da memória é uma das coisas mais interessantes do livro. Hitler, por exemplo, queria apagar os judeus da memória coletiva, começando pela Bíblia, a partir do momento que apagasse o Velho Testamento.

A questão da Novafala e a modificação da linguagem antiga se deu porque pela linguagem temos o testemunho do passado. O próprio Orwell nos deu exemplos de Novafala da vida real: Nazi, Gestapo, Comintern.

Primo Levi nota que na Alemanha expressões como: Solução Final, tratamento especial, unidades de emprego imediato disfarçavam uma realidade apavorante.

Até mesmo o lema de Auschwitz: Arbeit macht frei (o trabalho liberta), também revela um “duplipensamento”. Que trabalho liberta? Que tipo de trabalho era realizado nos campos? Retirar dentes de ouro de cadáveres, enganar os prisioneiros dizendo que vão tomar banho, colocar gás para eles morrerem asfixiados. Liberta alguém do quê?

A sigla NKVD (que deu origem a KGB) significa Comissariado do Povo para Assuntos Internos, um nome bonito que escondia a verdadeira função: caçar espiões e contra-revolucionários.

Stálin apagou Trotski da memória da URSS, que passou a nunca existir. As Igrejas Ortodoxas se tornaram templo de culto à ciência, elas tinham um pendulo girando e embaixo o escrito: Isso é ciência, não Deus.

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Lenin discursando, Trotski aparece ao

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Lenin discursando o Trotski desapareceu da imagem.

Todos esses são exemplos de Novafala, Duplipensamento e modificações da História, só que na vida real.

https://juorosco.blog/2016/07/13/livro-a-cruz-de-hitler-uma-reflexao-sobre-o-preco-da-omissao/

https://juorosco.blog/2017/06/05/resenha-livro-a-revolucao-dos-bichos-george-orwell/

 

 

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7 comentários sobre “Resenha livro: 1984 – George Orwell

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