Resenha filme: O experimento de Milgran – Michael Almereyda

Vamos retomar as reflexões sobre os fatores que causaram o Holocausto e como podemos evitar catástrofes semelhantes. O cinema, a literatura e as ciências humanas são importantes ferramentas.

A narrativa do filme é baseada na história real dos experimentos realizados pelo psicólogo Stanley Milgran em 1961, pela Universidade de Yale.
O experimento consistia em que uma pessoa era recrutada através de anúncio de jornal, que oferecia dinheiro em troca da participação do indivíduo.

No local duas pessoas apareciam, uma seria o professor e outro o aluno. Eles recebiam o dinheiro com antecedência, e o mesmo não seria devolvido pelos participantes sob nenhuma circunstância.

O professor foi orientado a dar choques no aluno caso ele errasse a resposta. Eles estavam separados por um vidro eles conseguiam se comunicar através de um microfone. O assistente de Milgran acompanhava o indivíduo “professor” na mesma sala.

O aluno era na verdade um ator e suas falas eram gravações. O experimento iniciava e o aluno começava a errar.

O professor começava a dar os choques, até que o “aluno” começava a gritar: Para pelo amor Deus! Está doendo muito! Tenho problemas cardíacos!

Para surpresa geral 65% das pessoas continuaram com o teste, mesmo demonstrando desconforto, questionando o assistente, mas não paravam.

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Uma minoria se recusava a ir até o final.

Lembrando que eles haviam recebido o dinheiro e não precisaria devolve-lo caso fosse embora.

O teste foi feito com todo o perfil de americano: brancos, negros, latinos, homens, mulheres pobres e classe média. O resultado não variou, a maioria foi até o final.

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Mesmo mostrando desconforto os “professores” iam até o final.

O experimento foi questionado pelos acadêmicos, alegando que as pessoas sofriam aplicando o teste.

No entanto, acredito que a causa dos questionamentos era por motivos narcisistas, pois o resultado demonstrou que no quesito obedecer ordens de figuras que eles consideram autoridades, o americano não tem diferença do alemão.

A sociedade estaduniense produz Eichmanns “cumpridores do seu dever”, não importando o que isso implicará.

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Eichmann sendo julgado em Jerusalém. Eichmann foi responsável por gerir a logística do Holocausto e alegou cumprir ordens.

Outro experimento interessante de Milgran foi ajuntar um grupo de estudantes olhando para cima, eles não estavam vendo nada.

Em poucos minutos ajuntou um monte de gente olhando para cima, simplesmente imitando o comportamento, mesmo que olhar para cima não tivesse sentido.

O orientador de Milgran realizou um outro teste interessante em que 4 atores e uma pessoa precisam responder perguntas sobre o tamanho de uma listra.

Os quatro atores davam a mesma resposta, que estava errada. Todos os participantes mesmo vendo que estava errado falavam a mesma coisa dos outros 4.

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O participante demonstra comportamento de rebanho.

Tudo isso serve para refletirmos a respeito do comportamento de massa. Quantas vezes coisas absurdas são compartilhadas no Facebook e nos grupos de Whatsapp. Esses fatos são pequenas coisas que demonstram falta de senso crítico da população.

Quantas pessoas nós ouvimos repetir coisas, parecendo uns papagaios, sem nenhuma crítica à respeito.

Esse filme e os experimentos de Milgran são importantes para refletirmos sobre nossa sociedade.

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6 comentários sobre “Resenha filme: O experimento de Milgran – Michael Almereyda

  1. Pingback: Vale a pena refletir sobre isso. O quanto estamos sendo iguais às cobaias deste experimento? | Arwen Releituras

  2. Vi esse filme dias atrás e achei muito interessante. À parte as questões éticas sobre os experimentos, as conclusões a que Milgram chega são estarrecedores. A comparação de Eichman com o cidadão comum é, no mínimo, perturbadora.
    Ótima resenha.
    Parabéns.

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