Resenha filme: A Professora de Piano – Michael Haneke

A Professora de Piano versa sobre uma personagem chamada Érika Kohut, uma professora de piano de 40 anos, que vive com sua mãe, enquanto o pai está em um manicômio.

A relação com a mãe é bem complicada. A mãe a trata como uma adolescente, controlando seus horários de chegada e saída, suas roupas e seus relacionamentos e às vezes a esbofeteia, quando é desobedecida.

Érika é passivo-agressiva com a genitora, ao mesmo tempo em que satisfaz a mesma a trata mal e inclusive a bate. As duas dormem na mesma cama.

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Erika é passivo agressiva com sua mãe.

A protagonista é uma figura austera, rígida e com aparência assexuada. Suas roupas são marcadas por saias longas, blusas de mangas compridas e fechadas até o pescoço, com cores sóbrias e os cabelos normalmente estão presos.

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Isabelle Houbert como Erika.

Ela trata os alunos de maneira ríspida, e menospreza o talento deles. Os aprendizes demonstram uma personalidade submissa, infeliz e assexuada como sua professora.

Erika tem o lado sombra mal integrado (conceito jungiano). A sombra é como se fosse um saco em que você guarda tudo o que não pode soltar senão a sociedade não irá te aceitar (ou você foi ensinado que não vai).

Mas, uma hora tudo que está guardado no saco pode aparecer. A sombra, em alguns momentos, é como uma personalidade autônoma, com atitudes opostas à nossa personalidade.

Erika mutila sua vagina na borda de uma banheira, frequenta lugares sujos de pornografia, faz xixi fora de um carro, onde tem um casal fazendo sexo dentro.

A protagonista desenvolve uma sexualidade em que a vergonha e sexo estão interligados.

Erika vive em uma relação simbiótica com a mãe (as duas tem uma personalidade fusionada). Isso fez com que Erika se tornasse pouco resolvida com sua sexualidade.

Posteriormente, ela conhece Walter – um aluno diferente, mais aberto e com mais auto-estima. Ele se apaixona pela professora de piano.

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Erika com Walter.

Ela faz de tudo para não dar aula para Walter, mas não tem jeito, ele é uma figura insistente. A professora começa a se relacionar com o rapaz, mas o tipo de relacionamento é problemático.

Érika trata-o como trata os alunos, demonstrando poder de maneira ríspida e cruel.

Ela chega a propor um contrato com ele, que envolve sadomasoquismo. Walter no primeiro momento não aceita, mas depois acaba cedendo.

Érika também é uma figura muito competitiva e cruel, chegando ao ponto de colocar cacos de vidros no bolso do sobretudo de uma aluna, para ela desistir de tocar piano.

As cenas possuem cores frias e os ambientes são fechados, gerando em nós uma claustrofobia e sempre um desconforto.

O filme não tem trilha sonora a não ser pelas aulas de música.

Fica a dica de um filme muito perturbador, que demonstra bem a complexidade da alma humana.

Veja também “A Fita Branca”: https://juorosco.blog/2017/07/24/resenha-filme-a-fita-branca-michael-haneke/

 

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2 comentários sobre “Resenha filme: A Professora de Piano – Michael Haneke

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