Resenha: Fome de Poder: Mc Donald’s – John Lee Hancock

Acredito que uma empresa nunca representará tanto um país como o Mc Donald’s os Estados Unidos, em vários aspectos.

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Raymond Kroc.

“O que  se deve fazer quando um concorrente está se afogando? Pegar uma mangueira e jogar água em sua boca.” Ray Kroc “fundador” do Mc Donald’s.

A partir desse dito compreendemos a lógica do capitalismo selvagem e do salve-se quem puder presente no modo de pensar americano, na qual Kroc é um bom representante.

O filme conta a história da fundação da cadeia de fast-foods pelas ações de Raymond Kroc, que não foi o fundador, mas um administrador, que acabou comprando e em alguns momentos tomando o restaurante dos verdadeiros fundadores: Richard e Maurice “Mac” Mc Donald´s.

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Mc Donald’s começou como um restaurante na Califórnia.

Raymond Kroc é a encarnação do self-made-man, pois vinha de uma família de pobres imigrantes checos e não foi ajudado por ninguém da elite.

No entanto, a maneira como ele construiu seu império é um tanto complicada.

Ray Kroc era um vendedor de máquinas de fazer milk-shake. O longa mostra-o batendo de porta-em-porta com a máquina em mãos, recebendo muitos nãos. Ele utilizava um discurso pronto e decorado, bem ao estilo dos manuais de vendas.

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Kroc vendia uma máquina de fazer milk-shakes. Ele batia de porta-em-porta com o produto.

Ele começa a ouvir discos de autoajuda, falando à respeito de persistência e Kroc persiste com sua máquina de fazer milk-shake.

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No final, Kroc atribui seu sucesso à sua persistência.

Até que um dia ele recebe um pedido de 8 máquinas em um restaurante na Califórnia chamado Mc Donald’s. Ele vai até o lugar e percebe um grande movimento de pessoas, além da agilidade do atendimento.

Os irmãos Mc Donald’s mostram a Kroc como o restaurante funciona. Tudo é padronizado e feito em série, o conceito de produção fordista transposto para a comida.

Com o tempo, Kroc vai expandindo a rede, porém ele percebe que não há lucro. Tentando um empréstimo bancário ele conhece um diretor financeiro, que diz que seu verdadeiro ramo é o imobiliário, visto que há possibilidade de ganhar dinheiro arrendando o terreno para os franquiados.

Dessa forma, Kroc começa a ganhar muito dinheiro. Ele também tem uma visão muito boa para contratação de pessoas.

Ele promove um chapeiro, que era dedicado e que acabou se tornando CEO do Mc Donald´s. Também contrata um judeu que estava vendendo Bíblias cristãs de porta-em-porta, com a argumentação de que são pessoas esforçadas e dão tudo de si mesmas.

Nesse ponto, Kroc tem um lado positivo, ele dá oportunidades para os funcionários progredirem.

O empresário também cria a Universidade do Hambúrguer, onde as pessoas aprendem sobre o conceito da marca Mc Donald’s e todas as ações de marketing criadas por ele.

Outro ponto da narrativa é o seu casamento. Sua esposa não aceitava as grandes ausências do marido e não era nem um pingo entusiasmada com o Mc Donald’s.

Kroc acaba se divorciando e casando-se com a esposa de um gerente de uma filial, que tinha ideias muito boas.

O empresário consegue retirar os irmãos Mc Donald’s do contrato e paga a eles mais de 1 milhão de dólares, mais royalties que os irmãos nunca viram.

Kroc termina demonstrando uma personalidade narcisista, que estava latente desde início. Ele chega a se comparar a Reagan e se sente um deus, esquecendo-se de que não fez nada sozinho.

Ele expandiu a rede de restaurante por todo os Estados Unidos.

Para que os clientes não ficassem muito no restaurante ele desligava o sistema de aquecimento, colocava assentos desconfortáveis e mesas grandes, para que ninguém se sentisse à vontade.

Os clientes acabaram aceitando isso, pois pagavam muito barato nos lanches.

Kroc comprou a marca Mc Donald’s e os irmãos rebatizaram o restaurante deles como The Big M. Tempos depois o empresário abriu uma filial do Mc Donald’s em frente, fazendo com que o The Big M. falisse.

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No final temos uma entrevista com Ray Kroc.

Ray Kroc construiu a fundação Ronald Mc Donald House, que tratava apoiava o tratamento de doenças como alcoolismo e diabetes. Quando morreu deixou toda a sua fortuna para essa fundação e outras ONGs, além de mais de 1,5 milhão de dólares para o Exército da Salvação.

As cenas do filme são muito bem enquadradas e narrativa é linear, bem ao estilo tradicional. As músicas dão o tom de melancolia, quando Kroc não consegue vender praticamente nenhuma máquina de milk-shake, mudando completamente no final, quando ele alcança o sucesso.

 

 

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6 comentários sobre “Resenha: Fome de Poder: Mc Donald’s – John Lee Hancock

  1. Não é só a historia da Rede ou de como alcançaram o apogeu, mas o filme foi produzido na esteira das quedas nas vendas e nos lucros de forma global, não é mais unanimidade absoluta, nem única rede de fast food, não consegue mais negociar franquias na mesma velocidade anterior, então o filme vai funcionar como uma jogada de marketing, tentar criar uma última empatia, fora os ganhos com royalties da bilheteria, o foco deles jamais foi de alimentar as pessoas, mas sim o de ser uma máquina de produzir dinheiro !

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