Resenha filme: Grave (Raw) – Julia Ducournau

Grave (Raw) foi um filme que quando acabei de assistir não sabia o que pensar. Se você tem estômago fraco aconselho a não ver.

A narrativa trata muito mais da violência física e principalmente psicológica, do que de canibalismo. Ao longo do texto não há fotos ultrajantes.

A protagonista é Justine, uma jovem de 18 anos, que acabou de entrar na universidade, no curso de veterinária, assim como sua irmã mais velha Alexia, que está na mesma universidade e seus pais, que são veterinários formados no mesmo lugar.

No início constatamos que Justine é vegetariana. No restaurante, a mulher que está servindo, joga o purê de batatas no prato dela com violência e ao comer, a moça constata que tem carne no meio.

Ao chegar na faculdade de veterinária, na república em que Justine irá morar, os pais e a garota ficam esperando a irmã mais velha, que não aparece.

A jovem vai para a república sozinha e constata que irá dividir o dormitório com um homem, que a tranquiliza por ser gay. No entanto, ainda assim é um desrespeito.

Quando todos os calouros estão dormindo os veteranos os acordam e jogam os colchões pela janela, obrigando-os a participarem de uma festa.

Nesse local há sexo explícito e drogas à vontade, o que esses jovens não percebem é que nem todos querem participar disso, mas eles forçam.

Em outra cena, todos os calouros estão reunidos, e os veteranos jogam sangue de animal sobre eles e acham isso muito engraçado.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas

Os calouros receberam sangue de animal em suas roupas.

O ápice da tortura psicológica é quando os veteranos forçam a todos a comerem fígado de coelho cru. Justine pede ajuda à irmã, pois é vegetariana, Alexia a força a engolir. Isso é o extremo do absurdo.

A partir daquele momento, a protagonista sofre uma fragmentação psicológica. Ela começa a ter comportamentos estranhos, como comer carnes de animais com molho.

O filme mostra a forma como os animais são tratados nos estudos. Tem uma cena em que Alexia está enfiando a mão no ânus de uma vaca e retirando fezes.

Em outro momento, Justine chega na sala de aula e tem uma vaca viva sendo exposta, o jeito em que a câmera mostra denota que aquilo é uma violência.

Justine está andando no corredor e uma veterana a barra e diz que ela tem que andar de cabeça baixa, quando vê um veterano. Além disso, a lembra que é norma todas as calouras andarem com roupas sensuais.

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em pé e atividades ao ar livre

Justine andando com salto alto e vestido, com calça por baixo.

A protagonista obedece e anda toda torta com um sapato de salto emprestado da irmã.

A inteligência de Justine também incomoda a ponto de um professor dizer que prefere que ela vá mal nas matérias.

Tudo isso não é pouca coisa, a jovem começa a desenvolver alergia na pele, que a médica detecta na hora que a causa é stress.

O interessante que tudo isso é tratado por todos com normalidade. Alexia diz que passou por isso e tudo bem.

Sua irmã a obriga a fazer depilação à brasileira, quando ela está arrancando os pelos de Justine, ela bate a perna na tesoura e corta o dedo de Alexia, que desmaia.

Justine chama socorro, que demora 15 minutos para chegar, enquanto isso ela olha para o dedo e come.

Quando a protagonista foi forçada a comer carne houve uma dissociação de identidade, resultando na prática do canibalismo.

A referência que Justine tinha de si mesma perpassava pelo vegetarianismo. Todos nós temos um sistema de valores, que nos coloca em um senso de direção e isso produz um equilíbrio psicológico.

A violência e o autoritarismo a que foi submetida fez com que ela coisificasse as pessoas e os animais, portanto, não havia mais problemas em comê-los.

A partir desse fato a protagonista entra em um rol de tristeza e decadência psicológica e o problema do canibalismo só agrava.

A partir daqui eu deixarei com vocês!

 

Anúncios

5 comentários sobre “Resenha filme: Grave (Raw) – Julia Ducournau

  1. Achei bem interessante esse filme. Infelizmente, nós humanos podemos ser muito mais primitivos que qualquer outro animal. A personagem principal é um exemplo de como a violência psicológica pode ser em alguns casos mais grave que a violência física, sendo percebida visualmente quando o nosso corpo somatiza todas essas emoções.
    Parabéns pelo post, Juliane!

    Bjs,

    Melkberg

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s