Mais tarde, você vai entender – Amos Gitaï

O filme começa com a personagem – Rivka ouvindo o depoimento de uma judia vítima do Holocausto, em o julgamento de um dos mais sanguinários nazistas: Nikolaus Klaus Barbie.

Klaus Barbie foi o responsável pela deportação dos judeus dos Países Baixos aos campos de concentração. Posteriormente, foi deslocado para Lyon na França, onde combateu a Resistência Francesa, deportou franceses de origem judaica para os campos da morte, torturou e matou uma quantidade imensa de pessoas.

A cena é cortada e vemos o filho de Rivka – Victor ouvindo o mesmo interrogatório e analisando documentos e fotos de sua mãe.

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Fotos dos avós de Victor em frente à sua casa, em Provence – França. 

Os pais de Rivka eram judeus russos naturalizados franceses, vieram de Odessa, fugindo dos pogroms (perseguição e morte de judeus no Leste Europeu). A protagonista se casou em 1937, com um rapaz francês católico.

Victor vai até a casa da genitora, que o está esperando muito arrumada com um jantar especial. Ele começa a fazer perguntas, ela desconversa e não responde à nenhuma.

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Rivka vive excessivamente produzida, revelando possíveis traumas advindas de perseguições e pobrezas passadas. Nesse caso, essa característica vai além de uma simples vaidade. 

Em outro momento, Rivka está fora do apartamento e seus dois filhos estão juntos, aguardando a mãe.

Victor pega uma carta que o pai enviou à autoridades nazistas e mostra à irmã. Nela o pai diz que era ariano e católico, assim como seus pais e avós, porém, sua esposa era judia.

Sua irmã não vê nenhum problema no documento, mas Victor acha muito esquisito. Posteriormente, ele pega um punhal nazista, que o pai guardava em casa.

Rivka chega,  os filhos dizem, que estão falando à respeito do pai e ela diz: Ele era uma pessoa muito gentil!

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A imagem de Rivka com uma janela atrás, simboliza que uma “luz” está sendo jogada sobre o assunto. 

Toda essa movimentação nos diz algo muito importante: O marido de Rivka era nazista, ou pelo menos um colaborador. Todavia, em nenhum momento isso fica claro.

Assim, como os segredos familiares, às vezes, são muito bem guardados, nesse caso, sabemos que algo muito sério está encoberto, mas nada vem à tona, pois Rivka nunca fala à respeito.

Em uma conversa privada com sua nora, a protagonista fala de coisas muito triviais. Mesmo quando a nora fala sobre a infância de sua avó, Rivka em nenhum momento abre sobre seu passado.

Victor começa a pesquisa profundamente sobre seus avós maternos e descobre onde eles estavam escondidos quando os nazistas os encontraram.

Uma cena triste, porém Gitaï escolheu mostrar de maneira um pouco poética, em uma interessante construção.

Rivka é uma intensa colecionadora, no início não entendemos a relevância disso para compor a personagem. Depois, ficamos sabemos, que todas as coisas de seus pais foram confiscadas pelos nazistas.

Entendemos que a protagonista está tentando reaver os objetos roubados. Interessante, que em um momento aparece um samovar na casa, um objeto tipicamente russo.

Em uma entrevista o cineasta disse que procurou revelar a maneira como uma mãe pode assumir para o filho, um erro cometido de forma muito velada.

A câmera se porta com muita fluidez, em alguns momentos a câmera está nas mãos, conferindo muita agilidade ao filme. Porém, o longa é uma obra de difícil compreensão, porque a protagonista pouco entrega sobre seu passado e as cenas são bem poéticas, com muito simbolismo.

No entanto, é um filme que vale à pena pela qualidade e pela temática.

 

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