Resenha filme: Era uma vez Nova York (The Immigrant) – James Gray

Era uma vez Nova York narra a história da imigrante polonesa Ewa Cibulsky e do também imigrante judeu do leste-europeu Bruno Weiss.

Assim como o Brasil, os Estados Unidos se constituiram como nação, sobre o genocídio de indígenas, escravidão dos negros e a exploração de imigrantes desesperados e miseráveis, que aportavam no continente americano em busca de um recomeço, esse é o ponto de partida da narrativa.

O filme começa com a estátua da Liberdade de costas, com a camêra lentamente se afastando em um dia triste e cinzento. Aos poucos aparece um homem de chapéu, que vê de longe a chegada de mais um navio.

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Bruno Weiss é a representação do capitalismo selvagem americano, ironicamente ele começa olhando para a estátua da Liberdade. 

Assim conhecemos Ewa Cibulsky e sua irmã Magda, que fugiram de uma Polônia devastada na I Guerra Mundial.

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Excelente atuação de Marion Cotillard, como Ewa Cibulsky. Ela caprichou na composição da personagem, principalmente no inglês com sotaque polonês. 

Magda estava com tuberculose e Ewa mantinha uma postura otimista, afirmando que tudo daria certo e elas conseguiriam constituir uma família nos Estados Unidos.

Porém, só podia entrar no país quem tivesse saúde plena, família no local e uma moral irreparável. Magda é retirada da fila e posta em quarentena, pois está doente e Ewa é colocada na fila de deportação, pois foi molestada no navio e tachada como uma moça de moral duvidosa.

Nesse momento, aparece Bruno Weiss, que consegue retirar a moça do local, subornando os guardas.

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Bruno leva Ewa ao Brooklyn. A composição fotográfica do filme é muito boa. A reconstituição de Nova York de 1920 é perfeita. 

Em uma cena, a protagonista vai a um banho público e lá lhes dão uma banana, ela não sabia que precisava descascar e morde a fruta diretamente. Esse fato confere muita veracidade a personagem, que possivelmente nunca havia visto a fruta.

Bruno é dono de uma companhia de teatro, que envolve dança e prostituição. Ele leva a jovem para lá, porém em nenhum momento a obriga a se prostituir.

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Bruno Weiss era cafetão e apresentava as moças para serem compradas. 

No entanto, para retirar sua irmã da quarentena ela precisa desesperadamente de dinheiro, de um lado ela tem uma moral muito rígida, pois católica não concebe uma vida dessa forma.

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Ironicamente, Ewa se torna a Miss Liberty. 

Mas, a necessidade fala muito alto e ela acaba cedendo. Posteriormente, desesperada ela busca por seus tios, que a expulsa de casa, por ela ter tido uma conduta duvidosa no navio.

Ewa é levada pelas autoridades para a Ellis Island, pois dali seria deportada para a Polônia. Nesse lugar, havia shows de mágica para os imigrantes e ela conhece Orlando, primo de Bruno.

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Orlando representa o sonho americano, em que é possível até levitar. 

A protagonista fica encantada com o jovem, que é uma pessoa mística e otimista, que representa o lado do “sonho americano”, enquanto Bruno o lado triste do capitalismo selvagem.

O que ninguém contava é que Bruno também estava interessado em Ewa, o que gera muito conflito entre os três.

Bruno briga com a dona do estabelecimento, por conta dos ciúmes, que sente de Orlando e leva as jovens para “vendê-las” nas ruas.

O meio é extremamente hostil e o que fica claro, é que as pessoas em situações extremas podem fazer qualquer coisa para sobreviver, mesmo indo de encontro ao que acreditam ser errado. Para James Gray as pessoas são frutos exclusivamente do seu meio.

Bruno é uma figura dura e picareta, que passou a infância dançando nos faróis para sobreviver. Ele viu que como cafetão ele conseguiria enriquecer e não teve dúvidas, começou a aliciar jovens imigrantes desesperadas.

O bem e o mal não fica muito nítido, pois para James Gray o meio é mais forte, que o indivíduo.

Fica a dica de um filme excelente, que nos traz importantes reflexões.

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Lasar Segall. Navio de Imigrantes. Lasar Segall foi um artista que dedicou parte da sua obra para denunciar as condições terríveis em que os imigrantes viviam. 

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Lasar Segall. Casa do Mangue. O artista tinha um olhar voltado as condições terríveis de vida dos desfavorecidos. Assim, como o filme de James Gray. 

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2 comentários sobre “Resenha filme: Era uma vez Nova York (The Immigrant) – James Gray

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