Resenha filme: El Patrón, Radiografia de un crímen – Sebastián Schindel

Até que ponto é possível explorar uma pessoa?

Cerca de 45,8 milhões de pessoas em todo o mundo estão sujeitos a alguma forma de escravidão moderna.

A narrativa se passa em Buenos Aires, Hermógenes um passivo e analfabeto rapaz emigra junto com sua esposa – Gladys de Santiago del Estero, para a capital argentina em busca de melhores oportunidades.

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Hermógenes e Gladys chegando ao açougue, onde morariam. 

O filme é baseado no livro homônimo de Elias Neuman, que faleceu em 2011 e dedicou sua vida a estudar criticamente o sistema penal argentino. A história é real e aconteceu na década de 80. O autor foi o defensor do protagonista.

Hermógenes encontra emprego em um açougue sinistro, onde sua função era carregar e cortar carnes. Nesse local, ele é ensinado pelo funcionário – Armando a vender carne estragada, lavar as mesmas com cândida, retirar os vermes e vender linguiça de carne podre cheia de páprica para disfarçar o gosto.

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Cena de Armando ensinando  Hermógenes a lavar frango podre com cândida. O cineasta optou por mostrar essas cenas em detalhe, demonstrando que isso era uma violência. 

Posteriormente, conhecemos o dono de uma rede de açougues, chamado Latuada. Ele leva Hermógenes a um açougue em um bairro mais afastado de Buenos Aires, para ameaçar um funcionário paraguaio.

Latuada expulsa o antigo empregado a ponta-pés e com uma arma nas mãos, assim ele coloca Hermógenes em seu lugar.

A primeira coisa, que o patrão faz é mudar o nome do protagonista para Santiago, essa foi a primeira violência de muitas, que viriam.

Latuada aluga a Hermógenes e Gladys uma “pocilga”, que ficava atrás do açougue. A carne que eles comiam seria descontada do salário. Gladys foi contratada por Latuada para trabalhar na casa da família.

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Latuada mostrando a casa insalubre, que ele alugará a Hermógenes. 

As humilhações começaram – Hermógenes e Gladys eram constantemente xingados e maltratados – os adjetivos variavam de pretos idiotas, retardados, imbecis, etc.

Latuada obrigava Hermógenes a vender carne estragada, que chegava completamente podre ao açougue.

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As carnes chegavam ao açougue completamente estragadas. O filme detalha bastante esse aspecto da narrativa. 

Esse fato começou a mexer muito com o protagonista, pois ele era uma pessoa ética, o filme mostra que ele sentia uma imensa culpa por fazer isso.

Hermógenes e Gladys decidiram voltar para o interior, porém Latuada, muito persuasivo, os convenceram a ficar, em troca de um apartamento financiado, que nunca viria.

As humilhações continuaram ao ponto de Latuada expulsar Gladys do “chiqueiro” alugado.

O protagonista aguenta tudo passivamente, até que um dia uma mulher devolve a carne estragada na frente de Latuada, que começa a gritar com o empregado e a culpá-lo.

Hermógenes desfere várias facadas em Latuada, que cai morto na calçada. (não é spoiler no início do filme já sabemos, que isso aconteria)

O rapaz vai preso e o sistema penal já estava pronto para condená-lo a prisão perpétua. Até Marcelo di Giovanni se interessar pelo caso e entrevistar Hermógenes na cadeia. Para ele ficou claro, que se tratava de um caso de escravidão moderna e assédio moral.

A psiquê de Hermógenes fragmentou com os casos sucessivos de violência a que foi submetido, dia após dia de humilhação.

O salário que recebia era miserável, os documentos de Hermógenes foram retidos por Latuada, que além disso, maltratava Gladys. O lugar que eles moravam era insalubre, foram enganados com a promessa de um apartamento e o protagonista era obrigado a enganar as clientes.

Tudo isso deflagrou uma raiva, que foi sendo recalcada e quando foi posta para fora veio com uma força descomunal.

Esse é um filme, que nos traz reflexões importantes. Em épocas de “flexibilização” da CLT, a obra nos mostra que o trabalho escravo, insalubre em que a pessoa é obrigada a se submeter a qualquer tratamento em troca de comida, ainda persiste, não somente na Argentina, mas também no Brasil.

https://www.youtube.com/watch?v=Lwu0ifNCess

 

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