O Terremoto em Lisboa – Walter Benjamin

Este texto é fruto de uma conferência radiofônica concedida pelo filósofo Walter Benjamin, transmitida pela emissora alemã Berliner Rundfunk, em 31 de janeiro de 1931.

O terremoto que destruiu Lisboa ocorreu em 1 de novembro de 1755. Não foi uma desgraça como tantas outras, pois teve aspectos e consequencias únicas.

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Representação do terremoto em Lisboa – 1755. 

Theodor Adorno, filósofo da Escola de Frankfurt, afirmou que o acontecimento tem a mesma importância, que o Holocausto para a História do pensamento ocidental, visto as mudanças ocasionadas na mentalidade e cultura.

Walter Benjamin, para essa conferência, baseou-se em um diário de um inglês chamado Karl Petterson, que estava em Lisboa no dia do terremoto, e sobreviveu por pouco.

No século XVIII, Portugal estava no auge do poder colonial, era um país de tradição católica onde as ideias Iluministas, que explicava o mundo pela razão e pela ciência e não pela religião, tinham poucas penetrações.

A cidade contava com 30 mil casas e mais de 250 mil habitantes, dos quais quase um quarto morreu no terremoto. Portugal havia descoberto ouro no Brasil e foi com ele, que Marques de Pombal conseguiu reconstruir Lisboa.

O rei Dom José I e a corte haviam deixado a cidade depois de assistirem à uma missa. O rei ficou com tanto medo de viver em paredes, que passou a viver em tendas.

Segundo relatos, na hora do terremoto ouviu-se um pavoroso estrondo, como se todas as casas estivessem ruindo.

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Representação do terremoto em Lisboa – 1755

Naquele instante o céu ficou preto, de tal maneira, que não dava para reconhecer nenhum objeto. Ninguém conseguia reconhecer a rua onde morava, tudo estava destruído.

Mais ou menos, meia hora após o abalo uma onda gigantesca de 20 metros de altura abateu sobre Lisboa. Quando a onda refluiu viu-se o leito do Tejo, quase seco, o seu refluxo foi tão violento, que a onda arrastou toda a água do rio.

A cidade parecia um mar de fogo, dava para ler cartas sem a luz das velas.

Com o abalo a maioria das pessoas se refugiaram nas igrejas e praticamente todas morreram.

O terremoto ocorreu em um dia santo e nesse dia estava marcado um auto de fé, em que hereges seriam mortos e queimados.

Padres fanáticos declaravam, que tudo era decorrente da ira de Deus. Procissões religiosas abriam caminho entre os escombros e os mortos.

A população portuguesa questionava como um país católico poderia ter passado por isso sendo que, as pessoas dentro das igrejas foram as mais atingidas.

Pela primeira vez, um acontecimento dessa magnitude começou a ser explicada pela ciência e não pela religião.

O filósofo alemão Kant foi a pessoa que mais se dedicou a compreender a tragédia. Ele acreditava que enormes cavernas subterrâneas insufladas por gases a alta temperatura foram as responsáveis pelo abalo sísmico.

Marques de Pombal, secretário de Estado português – iluminista convicto com estudos na Inglaterra, foi a pessoa responsável pela reconstrução de Lisboa.

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Imagem do Marques de Pombal. 

Ele instituiu a lei marcial. Quem fosse pego roubando ou colocando fogo na cidade seria executado na hora. Os padres fanáticos foram presos. O ensino foi retirado das mãos dos jesuítas,que foram expulsos, e as escolas se tornaram laicas.

A destruição da capital constituiu uma ruptura em áreas como urbanismo, gestão econômica e social da cidade e também a organização e exercício do poder real.

Lisboa foi reconstruída nos moldes modernos, as casas com paredes corta-fogo, os prédios públicos foram feitos para resistir a abalos sísmicos.

Podemos dizer que essa catástrofe abriu as portas para o pensamento Iluminista e liberal em Portugal e também foi a percursora da Revolução Liberal do Porto, que aconteceu em 1820, de caráter liberal e antiabsolutista.

 

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