Resenha doc.: Quem sou eu? – Estela Bravo (Las Madres de Plaza de Mayo)

30.000 pessoas desapareceram, incluindo 500 crianças sequestradas com seus pais ou nascidas nas prisões argentinas, durante a Ditadura Civil-Militar argentina.

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A Ditadura Civil-Militar na Argentina durou de 1976 à 1983, gerando diversos traumas na sociedade.

Como no Brasil, a sociedade argentina estava inserida na lógica da guerra fria.

O medo de uma revolução comunista estava presente. As Forças Armadas se colocaram como uma salvação frente à ameaça da esquerda.

A Argentina passava por uma série de crises políticas e econômicas, facilitando a aceitação de uma ditadura por parte da sociedade.

Depois da Revolução Cubana, os Estados Unidos passaram a influenciar ainda mais a condução da política nos países latino-americanos, financiando e apoiando golpes militares.

Em 24 de março de 1976, a Junta Militar tomou o poder na Argentina. Posteriormente, os militares apropriaram-se dos meios de comunicação.

Do ponto de vista ideológico, acentuaram-se uma preocupação moralizante da sociedade, aliada à um catolicismo conservador junto à um anticomunismo.

Caberia ao Exército a “missão” de redimir o país e fazer cumprir o “destino argentino de se tornar uma grande nação”.

As organizações de esquerda foram desmanteladas. Pessoas que não eram guerrilheiras e algumas não eram nem de propriamente de esquerda, mas ousaram a contestar o governo desapareceram.

O governo com a desculpa de combater a ameaça vermelha começou a prender pessoas arbitrariamente, torturar e matar.

Após a queda da ditadura descobriram a existência de valas comuns com vários desaparecidos. Porém, muitas famílias seguem sem nenhuma informação.

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Após a queda da ditadura foram descobertas valas comuns, com muitos desaparecidos durante o período. 

Dentro dessas tragédias, uma se torna ainda mais chocante. A adoção de crianças dos prisioneiros por militares, ou pessoas ligadas a eles.

O documentário foi feito em 2006 e conta com muitas imagens e entrevistas emocionantes.

Antes de discorrer à respeito da adoção ilegal de crianças, falarei sobre as “mães de Plaza de Mayo”.

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Estela Carlotto é uma das principais entrevistas no documentário, teve importante papel na organização das mães. 

Todas as quintas-feiras um grupo de mulheres começaram a ir à Plaza de Mayo e a reinvindicar notícias de seus filhos e netos desaparecidos.

A polícia obviamente começou a reprimir e levar essas senhoras para a cadeia.

Então, tiveram uma ideia, todas as mães deveriam ir à manifestação com um lenço branco na cabeça. Assim, quando a polícia levasse uma, todas iriam juntas.

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As Madres de Plaza de Mayo contribuiram para o fim da ditadura. 

O movimento começou a ganhar repercursão, devido à correspondentes internacionais, que cobraram do governo um posicionamento e tiveram a resposta: “São loucas, não há ninguém desaparecido!”

Começaram chamá-las de “Las Madres Locas” e a repressão se tornou maior, a ponto de várias mães desaparecem.

Porém, o movimento só cresceu, os militares estavam perdendo para as “Mães de Plaza de Mayo.”

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As Madres de  Plaza de Mayo, pressionaram o governo a dar satisfação sobre os desaparecidos. 

Quando a ditadura caiu as mães se organizaram para encontrar seus filhos e também seus netos.

De acordo com o documentário, os militares que adotavam as crianças mudavam seus nomes e essas  quando adultas não sabiam, que eram adotadas muito menos a história de seus pais.

No entanto, a imprensa começou a dar voz às mães e os historiadores começaram a trabalhar para reconstruir a história do período.

Descobriram que os prisioneiros ficavam em um prisão no E.S.M.A (Escuela de Mecánica de la Armada), o lugar foi apelidado de campo de concentração, devido a precariedade da prisão.

Muitas crianças nasceram lá, uma delas na cozinha (suja na época) do recinto.

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Local onde vários bebês nasceram em condições precárias e sem assistências. 

É bastante impressionante o fato de muitos chegarem à fase adulta e desconfiarem, que foram adotados ilegalmente.

Juan Cabandie um dos entrevistados, quando adotado tornou-se Mariano Andrés Falco. Foi muito maltratado pelo pai adotivo, que era militar.

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Juan foi adotado por uma família de militar, em que era maltratado. 

Por conta disso, ele desconfiou, que pudesse ser neto de uma das mães da Praça de Mayo.

Ele procurou uma organização governamental, que faz exames de D.N.A. e teve a confirmação, era filho de uma prisioneira assassinada.

Outro rapaz foi adotado pela empregada de um militar. Ele disse que não sentia parte da família, era como se ele não fosse ele. Era uma pessoa sem identidade.

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Horacio sentia-se sem identidade, depois descobriu, que era adotado. 

Em um dia sua namorada pesquisando no site das “abuelas (avós) de plaza de mayo”, viu uma foto de uma moça com um bebê, que era a cara do noivo quando criança.

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Horácio encontrou sua família biológica por acaso. 

Ele procurou a organização governamental, fez o teste, que confirmou, ele é filho da jovem da foto, que desapareceu nas mãos do governo.

As histórias narradas são realmente emocionantes e vale a pena conferir.

O documentário também mostra o julgamento do torturador da polícia Julían Simón conhecido como Turco. Ele era o guarda do “campo de concentração”, conhecido pelo seu sadismo em torturar pessoas.

Era ligado à organizações neonazistas e gostava de perseguir além de supostos subversivos, chilenos e judeus.

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A condenação de Miguel Etchecolatz foi bastante importante para o movimento. 

Miguel Etchecolatz também foi julgado e condenado a prisão perpétua por genocídio. As cenas do julgamento são emocionantes, quando a palavra genocídio é mencionada, o povo comemora muito.

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Durante o julgamento as pessoas exibiam as fotos dos desaparecidos. 

A mensagem final das mães são destinada aos jovens, para que sempre lutem e valorizem a democracia.

Na Argentina e no Brasil a liberdade teve um preço bem alto nunca devemos nos esquecer do que um governo ditatorial foi capaz.

https://www.youtube.com/watch?v=mGywrQk0O2w&t=742s

 

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4 comentários sobre “Resenha doc.: Quem sou eu? – Estela Bravo (Las Madres de Plaza de Mayo)

  1. O que muito pouco é comentado, muito superficialmente trazido a tona, é que tanto na Argentina, quanto no Chile e Brasil, os militares chegaram ao poder, quase que impostos pelas forças civis das elites oligárquicas, pelo capital das empresas privadas e pelo apoio incondicional de empresas do ramo jornalístico, e até do clero católico, depois essas forças se passaram como vitimas, sendo que estavam na origem do movimento que trouxe os militares ao poder de governo. Todo o ódio da instalação do regime ficou nas costas do militares e a classe de civis que fomentou e organizou os golpes ficaram imunes de responsabilidades !

    Curtido por 1 pessoa

    • Exatamente, Sidney!! Nenhum grupo consegue tomar o poder sem o apoio de pelo menos parte da elite e do capital internacional. Realmente, tudo ficou nas costas dos militares e as pessoas fazem questão de esquecer, que tudo já havia sido projetado. Abrfaços.

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