Resenha filme: De Amor e Trevas – Natalie Portman

De Amor e Trevas é o primeiro filme dirigido por Natalie Portman, que também foi roteirista e interpretou o papel de Fânia, mãe do escritor Amos Oz no longa metragem.

A narrativa baseia-se nas memórias do escritor isralense e narra seu relacionamento com os pais, em especial sua proximidade com a mãe.

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A cena mais comovente do filme, em que Amos Oz já idoso vê sua mãe de maneira embaçada por trás de um vidro. 

O pano de fundo é a Guerra da Independência de Israel e seus desdobramentos na vida privada da família.

O filme começa com flashback de Amos Oz (narrador já idoso, revisitando suas memórias), na época  criança.

Fânia (mãe de Amos) era de uma família judaica-polonesa, que fugiu para a Palestina, quando os pogroms (ataques e assassinatos às aldeias judaicas) e o antissemitismo tornaram insustentáveis.

Arieh, pai de Amos, era de família judaica-lituana e também fugiu para a Palestina por conta do antissemitismo.

Em uma conversa com o filho, à respeito da fundação do Israel, ele dá a entender, que foi estuprado na escola por crianças lituanas e quando seu pai foi reclamar, também foi estuprado, enquanto outros riam.

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Em Jerusalém tinha resquícios do Holocausto. Em livros sobre pós Holocausto eu havia visto sobre essa pessoa, que ficava o dia inteiro gritando a frase acima. Interessante, que ela aparece no filme. 

Fânia quando criança na Polônia sonhava com Israel, “a terra que emana leite e mel”.

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Fânia é confrontada com a dura realidade da guerra. 

Descrita pelo filho como uma pessoa com personalidade sensível e romântica ela é confrontada com a dura vida real, composta por guerra, fila de ração, sacos de areia e principalmente por um casamento monótono.

Adepta de fábulas, que resgatam a tradição de contar histórias, comum no leste europeu, conforme analisou Walter Benjamin a partir da obra Leskov.

Fânia e Amos se divertem contando narrativas uma maneira, que eles encontraram de lidar com a dura realidade.

As histórias apresentam monges, heróis, cavaleiros e acontecem em diversos lugares como Israel e Índia.

A Polônia descrita por Amos, a partir das narrativas da sua mãe, é um lugar lúdico, habitado pela felicidade infantil, mas também um lugar cheio de tragédias.

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Como Fânia via sua infância na Polônia. 

Há um contraste visual entre a Polônia e Jerusalém, apresentada como um lugar caótico e pobre.

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Cena que mostra Jerusalém na época da Independência, um lugar caótico e pobre. 

Com a guerra e seus percalços já descritos, Fânia começa a apresentar sintomas de depressão, que se tornam cada dia mais complicados, principalmente após a morte de sua amiga, por palestinos, enquanto estendia roupas no varal.

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Cena de uma criança judia morta na Guerra da Independência de Israel. As cenas em que mostram a guerra são escuras, simbolizando muita melancolia. 

Além do carinho pelo filho Amós, o casal pouco tem em comum. As rotinas diárias são pouco interessantes para Fânia. Além disso, ela lida com uma sogra insensível e uma mãe déspota.

Fânia entra em um estado permanente de melancolia, não sai mais de casa, não come e passa o dia sentada em uma cadeira, olhando para uma estante de livros.

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Fania passa o dia em um ambiente claustrofóbico, olhando para uma estante de livros. 

Nada escapa ao olhar atento de Amós, que mede milimetricamente cada ação da mãe. Percebe-se por sua expressão, que ele culpa o pai e as avós pela doença de Fânia.

A interpretação de Amós, já idoso (narrador), é que o temperamento “europeu” e romântico da mãe, não era adequado à dura realidade israelense.

“O que ela deixa para trás é uma paisagem exuberante, cheia de histórias, que contrasta com a realidade seca de uma Jerusalém inóspita”.

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Cena da comemoração dos votos dos países a favor da Independência de Israel. 

Amos é uma criança que apresenta uma maturidade precoce, um olhar observador e depressivo. Possivelmente, seja consequência de todos os desafios pelo qual teve que passar.

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Brilhante atuação de Amir Tessler como Amos. 

As cenas foram construídas de maneira dura, mas ao mesmo tempo poética. As cores são frias e o ambiente interno claustrofóbico.

Em relação a Guerra da Independência as cenas são reais da época.

O filme é ótimo e vale muito a pena conferir,  não temos dúvida de que Natalie Portman é uma excelente atriz, mas também demonstrou ser uma ótima cineasta e roteirista.

 

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