Resenha filme: Amarga Sinfonia de Auschwitz – Daniel Mann e Joseph Sargent

Amarga Sinfonia de Auschwitz é um filme baseado nas memórias da pianista e cantora, judia-francesa, Fania Fenelon – Playing for Time.

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Fania Fenelon. 

Quando eu acreditava, que já havia visto todo o tipo de bizarrice e violência cometidas pelo regime nazista, esse filme veio comprovar que a complexidade humana e sua vilanidade não tem fim.

O mote do filme vai além do foco na sobrevivência típica dos filmes e dos relatos sobre o Holocausto, abordando as relações de poder implícitas em um ambiente tão hostil.

Fania Fenelon foi capturada e transportada por trem da França até Auschwitz-Birkenau. Chegando lá teve o mesmo tratamento dispensado às outras prisioneiras, cabelos raspados, tatuagem com o número e um uniforme listrado, ou seja, havia perdido toda a sua dignidade.

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Quando a fome e a exaustão estavam batendo forte nas prisioneiras, uma capo (líderes prisioneiros, designados pelos nazistas) passou de barracão em barracão, perguntando se alguém conseguia cantar Madame Buttlerfly.

Chegando em o local, onde ficavam as musicistas, Fania é orientada por outras prisioneiras de que a regente e capo Alma Rosé não tinha “bom coração”. Ela é admitida pela regente e passa a fazer parte da orquestra.

Essa é uma parte muito controversa das memórias de Fania, pois acusam-na de ter representado Alma como uma carrasca, porém a sobrevivência de todas dependeu dela.

A regente impunha duras sessões de ensaios e acabou convertendo o conjunto em uma orquestra profissional.

Sua dureza era muito questionada pelas prisioneiras, ela chegou ao ponto de dizer, que só pediria rações extras se a orquestra tocasse com perfeição.

Ao mesmo tempo seu nível de exigência fez com que ela fosse muito considerada pela alta cúpula nazista, tendo como efeito a sobrevivência de todas.

Alma Rosé era judia austríaca, violoncelista, sobrinha do compositor Gustav Mahler e filha do regente da Orquestra Filarmônica de Viena.

Foto de Alma Rosé.

Antes da guerra comandava uma orquestra feminina, que fazia apresentações por toda a Europa.

Alma conseguiu comover pessoas como a SS, responsável por todas as mulheres de Auschwitz, Maria Mendel conhecida como “A Besta”, pelo seu gosto de torturar mulheres judias. Além de Joseph Mengele, que apreciava muito arte.

As musicistas tinham alguns “privilégios” em detrimento das outras prisioneiras, como banheiros próprios, rações melhores e até um mini aquecedor, por conta dos instrumentos.

As prisioneiras políticas (comunistas ou participantes da resistência polonesa) não eram obrigadas a rasparem os cabelos, se eram musicistas, também contavam com roupas melhores.

Em uma cena bastante chocante, a orquestra estava tocando, enquanto algumas prisioneiras haviam sido designadas para tomarem “banho” (iriam morrer) e uma prisioneira cospe em Fania.

O filme mostra as musicistas, lidando o tempo inteiro com o sentimento de culpa, pois viviam a angústia de ajudar seus torturadores através da arte.

A orquestra funcionava como um sedativo para controlar todo o processo de morte. Era utilizada para receber pessoas ilustres no campo e também como entretenimento para os SS.

Com a morte de Alma Rosé começa uma briga imensa por poder entre as musicistas, a coisa vai a tal ponto, que beira a loucura.

As memórias de Fânia são contestadas pelas sobreviventes, principalmente pela representação controversa de  Alma Rosé.

Além disso, a cantora francesa relata a prostituição de uma das prisioneiras em troca de comida, homossexualismo entre as moças, antissemitismo por parte das musicistas não judias, fanatismo religioso e muita competição.

As representações fílmicas baseadas nas histórias dos sobreviventes visam sempre lembrar a sociedade do que aconteceu e do que poderá acontecer  se providências para combater a intolerância não forem tomadas, tanto no âmbito jurídico, quanto principalmente no educacional.

A obra a partir das representações torna a narrativa grupal, e não somente de uma pessoa, por exemplo, nessa obra várias nacionalidades judaicas foram contempladas, através das personagens (reais), além de ucranianas e polonesas.

 

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9 comentários sobre “Resenha filme: Amarga Sinfonia de Auschwitz – Daniel Mann e Joseph Sargent

  1. É um filme excelente, tocante, sensível. Mostra que o ser humano carrega consigo preconceitos e ideologias que o transforma em carrasco mesmo quando se encontra nas condições mais miseráveis, ao mesmo tempo que os opressores se emocionam com a arte.

    Curtido por 1 pessoa

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