Resenha série: Dark – Baran Bo Odar e Jantje Friese

Dark tem uma narrativa cheia de suspense, que trabalha com a ideia de temporalidade e  com o conceito de livre arbítrio do ser humano em contraposição ao determinismo histórico.

A série abre com as seguintes frases: “A diferença entre passado, presente e futuro é somente uma persistente ilusão”. Albert Einstein

A partir dessa frase construímos aos poucos a mensagem, que a série pretende passar. Tudo fará sentido somente no final.

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A narrativa se passa em uma vila pequena na Alemanha chamada Widen.

Um garoto chamado Erick desaparece, em 2019, sem deixar rastros. Em 1986, Mads Nielsen (irmão de Ulrich) havia desaparecido nas mesmas circunstâncias. Em 2019, um corpo é encontrado.

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 A história acontece concomitantemente nos anos 1953, 1986 e 2019, em uma teia de acontecimentos, que levarão as personagens a tomarem decisões, que interferirão no todo.

As famílias da cidade e suas atitudes tem ressonância no presente, passado e futuro.

Aparentemente são pessoas pacatas com vidas simples, porém, a partir do desaparecimento dessas duas crianças, o cinismo e a hipocrisia aparecem, mostrando toda a complexidade humana. Um grupo de adolescentes saem para procurar o adolescente desaparecido na floresta e nesse ínterim,  Mikkel Nielsen desaparece.

A pergunta a pergunta feita é: “Onde está Mikkel?” Porém, somos corrigido e o questionamento é: “Quando está Mikkel?”

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Ninguém sabe o que acontece, mas como nos indica a música de suspense, que é uma narradora, a usina nuclear próxima à cidade tem algo a ver com todos os acontecimentos.

A série faz referência à data de 1986 e o acidente de Chernobyl na Ucrânia, antiga União Soviética.

A morte ronda a série e todos os acontecimentos são carregados de mistérios.

Dark tem como pano de fundo o conceito de Eterno Retorno de Nietzsche.

Não sou especialista em Nietzsche, mas a minha compreensão do Eterno Retorno consiste na ideia de polos não necessariamente opostos, que se alternam ao longo da existência.

Esses polos são imagens da mesma realidade e não tem  exatamente uma marcação temporal cíclica, mas constituem vivências em uma eterna repetição, por exemplo: alegria e tristeza, belo e feio, bem e mal.

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O futuro não é exatamente igual, porém as imagens, sensações e ideias vivenciadas se repetirão com variações.

Segundo a teoria da relatividade o tempo e o espaço são relativos e não linear, como imaginamos, e tudo depende do ponto de vista do observador.

Quando Mikkell desaparece fica claro, que há um padrão histórico nesses acontecimentos.

Eu realmente não posso falar mais sem correr o risco de dar spoilers.

A edição é ótima, a música faz um papel bem marcado de  narradora da história.

A música e as imagens de aberturas, simbolizando a liquidez do tempo são sensacionais, além de uma fotografia linda!

Espero ter deixado vocês com vontade de assistir Dark! Vale muito a pena!!

 

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