Resenha filme: Menashe – Joshua Weinstein

O filme nos conta a história do personagem Menashe, um judeu ultraortodoxo, viúvo e com um filho chamado Reiven.

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Menashe Lusting como Menashe.

Pela lei judaica um viúvo não é apto para cuidar de uma criança, pois em uma casa deve ter sempre o homem e a mulher.

Dessa forma, para não perder a guarda do filho, Menashe precisa casar novamente.

Enquanto estiver solteiro, seu cunhado e esposa estão responsáveis pela criação de Reiven.

Parece uma situação simples de resolver em um primeiro momento. Seria somente Menashe encontrar uma esposa e tudo estaria certo.

No entanto, o protagonista não quer se casar, mas quer criar o filho, pois ama muito a criança.

Menashe é considerado na comunidade um desafortunado, pois, seu trabalho é ruim, o que ganha mal dá para se sustentar e vive do dinheiro emprestado de outros judeus.

Seu apartamento apertado no Brooklin dá uma sensação constante de claustrofobia.

Em uma cena, o protagonista esquece de fechar a porta de trás da van e várias caixas de peixes caem na rua, gerando um prejuízo de mil dólares.

Para que essa dívida seja paga, Menashe precisa fazer horas extras, fazendo com que ele estreite seu relacionamento com os hispânicos, que trabalham no mercado.

A confluência de dois mundos completamente diferentes se entrelaçam, de um lado um judeu ultra ortodoxo e de outro – dois latinos americanos. Pessoas de tradições e culturas diferentes, mas que tem em comum algumas dores, além do fato de serem imigrantes.

Nessa cena, o protagonista conta como conheceu sua esposa – Leah. Seu pai o levou para Israel e marcou um encontro com uma moça.

Ele a conheceu e se casaram, sem nenhum afeto. O começo do casamento foi extremamente difícil, pois brigavam muito.

Após ter engravidado de Reiven, Leah quis ter outro filho, tentou inseminação artificial, mas não conseguiu.

Posteriormente, teve um coágulo e acabou falecendo. Menashe confessou sentir uma enorme culpa.

Menashe é considerado, além de desafortunado, um inadequado em seu meio, pois não usa chapéu e nem o cafetã preto como os outros judeus ortodoxos. Em uma cena ele chega a questionar o shabbat (obrigatoriedade do descanso no sábado).

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Nessa cena vemos Menashe com as mãos cruzadas, indicando que está fechado. Também, ele está de canto uma metáfora de uma inadequação à comunidade.

Fica muito claro, que de uma forma inconsciente, o protagonista não queria estar naquela comunidade e a sua mentalidade não era igual a do meio, visto que, em muitos momentos ele questiona o rabino Ruv.

Em uma cena, Menashe e o filho vão comprar um quadro de um rabino, o que podemos compreender como devoção à religião.

No entanto, a pintura e a moldura destoam completamente do apartamento, simbolizando o próprio protagonista dentro da comunidade.

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Os personagens colocam o quadro de maneira extremamente desajeitada.

Em outro momento, o menino está com o pai brincando em uma árvore, quando seu quipá cai da sua cabeça, metáfora da desconexão deles com a comunidade.

Uma parte que me chamou a atenção foi as poucas cenas em que o Reiven brinca.

Ele vive somente na escola e estudando a Torá. Reiven tem um envolvimento grande no mundo dos adultos.

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Reiven com os adultos, visitando o túmulo da mãe.

A criança se preocupa com o pai bêbado em uma festa, com o protagonista sendo humilhado pelo patrão, com a opinião do tio à respeito do pai e com o fato deles sempre chegarem atrasados nos compromissos.

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Reiven passa a impressão de ser um adulto em miniatura.

A impressão que temos é que Reiven é um adulto em miniatura.

A educação que as crianças judias ortodoxas recebem visam protege-las do mundo, no entanto, as alienam. Ainda mais, que elas não podem ter acesso à internet e nem irem à um cinema ou teatro, por exemplo.

O mundo de Menashe tenta manter com unhas e dentes uma tradição com um custo muito alto.

As pessoas acabam vivendo em um gueto auto imposto, onde todos falam iídiche, são isolados da realidade, tendo suas vidas determinadas pela comunidade, mesmo vivendo nos Estados Unidos.

É muito complicado enxergarmos livre-arbítrio nessas situações, a do Menashe é completamente comprometida.

O filme passa sempre para nós uma empatia em relação ao protagonista. Sua simpatia e seu sofrimento nos afeta diretamente, mesmo sua vida e costumes sendo muito diferentes da nossa realidade.

O elenco de atores é formado em parte por não profissionais fato que deu muita autenticidade ao filme.

Fica a dica de um longa muito bom, com uma narrativa diferente e emocionante.

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3 comentários sobre “Resenha filme: Menashe – Joshua Weinstein

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